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O renascimento do Marea

Fiat muda a traseira, aumenta o espaço e adiciona
confortos para obter uma fatia maior do bolo

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserComeçar de novo. É uma boa síntese para as modificações realizadas pela Fiat no Marea e no Brava. No caso do sedã, a marca tem boas pretensões: dobrar as vendas e assumir a liderança do segmento que é um verdadeiro balaio-de-gatos, misturando Vectra, em queda de vendas em sua casa para o Astra sedã; o Honda Civic, em expansão; Corolla Toyota, que vende toda a produção; novidadosos Volkswagen Bora, Ford Focus; e o Santana, antigo e sobrevivendo a menor preço.

O projeto de liderança pode parecer distante, mas Lélio Ramos, engenheiro com bons resultados na Ford, Maxion e GM, decompõe o mercado projetando que o bolo terá fatias menores, cabendo ao líder 18% do segmento, o que seu projeto para a Fiat pretende superar.

A Fiat aviou receita prática e simplória: um bom e atualizado automóvel, com o que o mercado reclamava -- nova aparência traseira e interior com maior espaço inter-bancos. E agregou confortos eletrônicos rotulando as mudanças como ano-modelo 2002.

Internamente, esculpiu o encosto dos bancos dianteiros e recuou levemente o traseiro, ganhando sensíveis 4 cm de área de conforto. Na traseira, deu ar de maior volume, alargando levemente os pára-lamas. E mudou a tampa do porta-malas, de linhas delicadas e suaves, aplicando marcante traço horizontal e comprida e cromada moldura de placa -- um traço Jaguar, seguido pelos Mercedes, Fords, e hoje tendência mundial. Lanternas irregulares que se complementam, afastando a aura de carro coreano e assumindo ares de italianidade, produto do trabalho a quatro mãos, entre Brasil e Itália.

Com a substituição da central eletrônica, controladora de ignição e injeção de combustível, incorporou confortos eletrônicos como a totalidade dos vidros acionados eletricamente, comandados por um toque; prevenção contra esmagamento; fechamento com o acionar da chave eletrônica que tranca e imobiliza o automóvel; sistema que mantém ligadas, sob comando, as luzes externas depois do carro desligado; novo sistema de som; e tranca automática das portas quando o automóvel atinge os 30 km/h.

Como arremate competitivo, não corrigiu preços. Seus carros ficaram mais equipados e mais baratos que os concorrentes -- tirante Santana, sobrevivente por preço reduzido -- entre R$ 2.800 e R$ 4.000, sólidos argumentos para expansão e liderança, somado ao maior leque de opções de motorização: 1,75, 2,4 e 2,0 turbo.

Força para vender

Teoricamente o Brava não precisaria modificar a versão básica de 1,6 litro. Tem boas linhas, bom espaço interno e comportamento dinâmico agradável -- exceto pelo excessivo flutuar da traseira. Mas a Fiat optou por alavancar as vendas das versões de entrada através de melhores sensações de comportamento.

O Brava 2002 mudou a grade frontal, com a nova logomarca, redonda, azul, bordeada por uma coroa de louros. A maior novidade será perceptível no uso. É a mudança de torque no motor. Levemente maior, mas ocorrendo em faixas interiores de rotação, oferecendo elasticidade e disposição. Numa avaliação simplória, oferece aquilo que todos querem nas cidades: passar o quebra-molas em terceira...

Aos adeptos dos parafusos e da graxa, a Fiat italiana tomou o motor de 1.600 cm3, 16 válvulas aplicou a receita, tratando-o internamente como Corsa Lunga, ou seja, curso longo. Aumentou o curso, diminuiu o diâmetro dos cilindros, trocou pistões, comandos e a central, o gerenciador eletrônico do motor. Manteve os 106 cv de potência do anterior.

Superou uma justificativa física do motor com 16 válvulas, que é a baixa velocidade dos gases na alimentação dos cilindros. Adicionou resultados com um coletor plástico de admissão, de tubos longos, para gerar força imediata. Resultados imediatamente perceptíveis -- o torque em baixa rotação modificou o som do motor -- e mensuráveis no reabastecimento, que marcará 10% a menos.

E acatou sugestão de jornalistas especializados, dando maior pressão nos amortecedores traseiros, diminuindo o curso da suspensão. A parte eletrônica foi implementada com central de idênticas funções à do Marea, de confortos inexistentes nos concorrentes. A Fiat prevê que este motor nas versões mais baratas, SX e ELX, implementará vendas, superando os 15% de participação que hoje detém. O HGT, equipado com motor de 1.750 cm3, 16 válvulas e 132 cv de potência continuará sendo o topo da linha.

De potência e de idade

Veículo interessante, desenvolvido pela Ford no Brasil, exportado para a Austrália e contado em primeira mão pela Coluna, está em estudos para ser oferecido ao mercado doméstico brasileiro.

É o picape F250 configurado ao gosto australiano: cabine simples, dupla ou estendida -- a simples tem caçamba maior que a nossa, 2,4 m contra 2,0 m. Tração nas quatro rodas, câmbio automático de quatro marchas, suspensão traseira redesenhada, reforçada, com quatro amortecedores. E, como contado, direção do lado direito -- o lado direito é que é o certo?

Vão em três motorizações. O exclusivamente nacional motor MWM 4.2 de seis cilindros em linha, aproximados 200 cv em alta rotação; um V8 de 5,4 litros a gasolina, importado dos EUA; e a novidade do V8 diesel, 7,3 litros, da International em Canoas, RS, com 65% de nacionalização, 275 cv de potência a 2.300 rpm e aproximados 70 m.kgf de torque, equipado com acelerador eletrônico e controle automático de velocidade, engenho que no Brasil puxará os caminhões International 4700.

Os estudos da Ford são para um veículo destinado a ser o topo de linha, formando o maior leque de picapes no Brasil, com um produto que será referência e ícone. Pintura metálica, estofamento em couro, toca-CD. Câmbio mecânico com seis marchas ou opção automática, com quatro, o que parece ser uma combinação muito melhor para um motor tão potente e de baixa rotação. Custo projetado? R$ 75 mil.

Não é como os demais, carro-esporte de agro-boy. Pelo preço e configuração, é automóvel para agro-velho.

Em Minas, antigüidades zero-quilômetro

Minas Gerais, sempre cheias de segredos e novidades, mostra a mais recente: sua capital virou polo de distribuição de motos antigas, zero-quilômetro. São as Royal Enfield, de 350 e 500 cm3, idênticas às que foram apresentadas em 1949 e 1950. Inglesas, foram licenciadas para construção na Índia, descompromissada com evolução de gostos, demandas e tecnologias. E mesmo depois que a fábrica fechou, afogada pela onda japonesa, manteve a tradição do projeto.

É um objeto cult aos interessados em antigüidades mecânicas. Como se tivessem sido produzidas há 50 anos e preservadas incólumes num galpão. Desenho, freios a tambor, rodas raiadas, e potência e desempenho franciscanos: a Banditt 350 produz 18 cv e a Bullet 500, 22 cv. O desempenho é proporcional: 110 e 125 km/hora como velocidade máxima.

Preços ? As motos são antigas. Os preços, atualizadíssimos. Até US$ 4.900. Informações: Classic Motorcars, 31 3286-7777, motorcar@uai.com.br.

Roda-a-roda
Mico - A Renault criou nova opção para seu modelo Laguna, o sedã de topo de sua linha importada da França. É a RXE, equipada com o motor 2,0, 16 válvulas e 140 cv, que equipa o Scénic. Mantém a versão de topo, em 3,0, seis cilindros em V, 194 cv de potência. Nada de mais se este Laguna não tivesse sido descontinuado na França transformando-o, por fugaz existência, num desgaste para concessionários e em problema aos compradores.

Política - Faltando dois anos para aposentar-se, e com impossibilidade de entregar a Volkswagen AG com prometido lucro de 6,5% sobre atividades, Ferdinand Piech, seu presidente, gere um projeto de mudança de parâmetros contábeis. É bom na adequação de conceitos aos seus interesses. Recém-graduado, criou na empresa familiar -- o Ferdinand de seu nome homenageia o avô, Porsche -- um carro para corridas, o modelo 917. Absolutamente fora dos regulamentos da FIA, mas tão performático que o regulamento foi flexibilizado...
Alfa - A Alfa Romeo anuncia como o primeiro passo internacional a produção do modelo 156 na Tailândia. Má memória. A Alfa já esteve no Brasil, fabricando os antigos JK e seus sucessores, 2300, B, SL, Ti. Como também na África do Sul.

Energia - Interessante que o diretor da Agência Nacional do Petróleo, que não consegue cumprir sua obrigação de fiscalizar a qualidade do combustível, seja a maior referência em técnica e experiência para as regras de controle de consumo e tarifaço.

Negócio - A Firestone rompeu negócios com a Ford, a quem fornecia pneus há século. Coincidiu com a decisão da Ford em chamar para a troca 13 milhões de pneus Firestone, montados em seus Explorer. Os pneus têm-se rompido, e a Ford não quer associar sua marca ao problema. Ao que parece, a Firestone assumindo posição ativa, opta por considerar que o problema está nos carros. Esta é briga para cachorro grande.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br