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Dio, che bella macchina!

Alfa Romeo traz a 156 SportWagon, com estilo
e perfil que redefinem o conceito de station-wagon

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserA Alfa Romeo começa a vender o station-wagon de sua bem sucedida família 156. Nome adequado -- SportWagon --, chega em versão 2,0 de 16 válvulas, oito velas e 153 cv de potência.

É um automóvel ímpar, substitui indagações por exclamações, em especial porque seu estilo não sugere a vocação de carregar coisas familiares. Tem personalidade, porém mantém o vínculo de estilo da linha feliz que consagrou o 156 sedã. A interessados ou não nesta matéria, planta a dúvida: é cupê de teto longo ou um familiar?

Questão razoável pelo embutir das maçanetas externas das portas traseiras nas colunas C, simula um duas-portas, sem parecer sedã emendado, como de hábito se cometem as peruas. Expõe caráter próprio, sem desgastar a imagem familiar. Nada tem a mais ou a menos. Um exemplo é a ausência da maçaneta da tampa traseira, suprimida por comando interno, para poupar-lhe ar de furgão.

Hora Alfa

O SportWagon adensa o momento favorável da marca no Brasil, que injetou ânimo nos representantes, regulou oferta de acordo com a demanda; reduziu preços de peças e revisões, e colheu pesquisa indicando o 156 como o importado de menor queda de preços, e com demanda e liquidez no mercado de usados.

Dinamicamente é um automóvel. Em dimensões, mantém comprimento e balanço traseiro -- a distância entre o centro do eixo e o pára choque -- idênticos ao sedã, de forma que, nas curvas, não há um peso em alavanca reduzindo a estabilidade. A noção de familiar esportividade foi conseguida com o teto descendente, a traseira curta e o pára-choque traseiro deslocado para cima, num afunilamento visual.

A suspensão oferece invulgar estabilidade, sem asperezas. As rodas vestem pneus 205/60-15. O sistema de freios destaca-se, com funcionamento impactante para clara sensação operacional. O uso de pneu com aro 15" e da série 60, com altura aproximada a 13 cm, permite o enfrentar dos buracos made in Brasil.

Exalta a tradição dos melhores momentos Alfa como o interior lembrando os GTs da década de 70, e a mecânica que parece superada, mas que a cada ano tem implementos novidadosos e performáticos, e na qual a Alfa insiste, como se fosse uma marca de DNA. Resultados agradáveis. O motor gira em potência máxima em respeitáveis 6.400 rpm, levando-o, via caixa com cinco marchas bem escalonadas, engates precisos, em 8,9 segundos da imobilidade aos 100 km/hora, e final de 212 km/hora.

O motor embute árvores contra-rotantes absorvedoras de vibrações, coletor de admissão variável, para torque em baixas e potência nas altas rotações. A suspensão traseira tem pressão superior à do automóvel. Na prática, maior estabilidade.

Importações de 240 unidades neste ano, em universo de 800 Alfas neste ano; mais 480 unidades do 156 e 80 sedãs 166, topo de linha. Preço? US$ 34.000. Questão de vontade e emoção.

Estado-de-arte

De tempos em tempos, o mundo do consumo apresenta um bem econômico que se transforma em referência, como novo parâmetro na evolução da espécie. Olhando-o não tenho dúvidas: é um produto-referência, será o novo gabarito para avaliar station-wagon.

Marea e Brava começam 2002

A Fiat mostra, dia 22 de maio, a modelia 2002 do sedã Marea e do hatch Brava. O Marea vem com traseira reformulada -- lanternas, tampa do porta-malas, pára-lamas mais gordos e, entre bancos, 4 cm a mais. No Brava, novo motor de 1.600 cm3 e 16 válvulas. Como o Marea, identificação pela nova logomarca mundial da Fiat -- emblema em fundo azul, cercado por uma coroa de louros.

O Brava tenta induzir vendas ao oferecer sensações de melhores respostas do motor 1,6, em fórmula antiga: aumento do curso dos pistões e redução de diâmetro, resultando em aumento de torque e ocorrência em rotações inferiores, sugerindo força em baixas rotações. Mudou também a central de ignição e alimentação, melhorando o consumo. Em suma, um forte que come pouco.

No Marea, a personalização da traseira, a impressão de maior largura e o ganho de área interna podem levá-lo a merecidas vendas, concorrendo com Santana, Vectra, Honda Civic e Toyota Corolla.

Peugeot lança o 206 e quer ser a sexta no Brasil

A Peugeot chegará ao mercado nacional no dia 18 de junho, pelo seu bem recebido modelo 206 feito pela PSA, em Porto Real, sul do Rio de Janeiro. Será a décima-quinta marca brasileira de automóveis e comerciais leves, última a mostrar seu produto, porém intenta resultados expressivos: vender 100 mil veículos em 2003, 5% do mercado doméstico.

Entusiasmo? Não, projeções de mercado. A PSA, unindo Peugeot e Citroën, tem sólidos investimentos no Mercosul e no Brasil, maior que a soma dos sócios, e região onde o automóvel ainda é visto como solução, e não como problema. Os investimentos da holding francesa voltam-se ao extremo continental.

Guillaume Couzy, diretor de marketing da Peugeot, raciocina que o 206 entrará suavemente no mercado, mudando de importado a nacional. Festejado desde seu lançamento, terá 12 mil unidades 1,0 construídas ao lado do Citroën Picasso, e mais 5 mil importadas da Argentina, essas com motores de 1,0 e 1,6, este com 16 válvulas. Próximo ano planeja construir e comercializar 50 mil 206. Se não for mudada a conjuntura atual do mercado, 40 mil terão motor 1,0. Em 2001 propõe-se vender 38 mil unidades no mercado nacional, transformando-se, por volume de vendas, na sexta fábrica no Brasil.

Roda-a-roda
Menor esforço - Os compradores de Mercedes Classe A serão incentivados à opção pela transmissão automática. A DaimlerChrysler quer mostrá-la como evolução em conforto e tecnologia, superior à bem aceita embreagem automática, o AKS. O equipamento é alemão, cinco marchas, à altura do Classe A, no mercado brasileiro a maior agregação de tecnologia e segurança. Custa R$ 3.500 -- integrando um pacote de acessórios -- aposta à versão Elegance, melhor equipada, e com estofamento em couro.
Marcos - Três marcos importantes são comemorados pela Ford Brasil: sua unidade de Taubaté construiu o motor número 2,5 milhão, a nova linha de montagem de caminhões em São Bernardo do Campo expediu a unidade 5.000. O mais importante, entretanto, é que a fábrica de Camaçari, na Bahia, em instalação e inauguração prevista para outubro, produziu o primeiro veículo, um picape Courier. Não foi montado em linha, mas de maneira estática, para ser validado como produto e método de produção. A unidade baiana da Ford será um centro industrial automobilístico, onde será feito o Projeto Amazon, família evoluída sobre a plataforma desenvolvida sobre o Fiesta, maior sucesso da Ford em carros pequenos.
Tecnologia - O incremento de confortos e a agregação de eletrônica aos veículos exigem maior geração de energia pelos alternadores, o que basicamente significa aumento de consumo. A Bosch diz que não. Acaba de lançar na Europa a linha LI-E de alternadores, que não apenas fornecem mais energia, como também são capazes de reduzir o consumo de combustível em meio litro por 100 km rodados. Não há projetos para a incorporação destes alternadores nos carros nacionais.
Família Fun - Uma série especial, com agregação de acessórios, pequeno repasse de preços e identificação externa especial está sendo lançada pela Volkswagen. É a série Fun, baseada na versão Plus, com motor 1,0 de 16 válvulas, e atingirá Gol e Parati. O Saveiro tem motor 1,8. Tem direção hidráulica, rodas de liga leve, faróis de neblina, pintura da moldura da grade, do aro dos faróis, pára choques e retrovisores pintados. O nome vem da cor azul que a assinala. Durará até julho. Preços: Gol R$ 21.590; Parati R$ 24.883, e Saveiro R$ 20.536. Ar-condicionado? Mais R$ 2.000.
Cenário - O Brasil voltou a ser surpresa positiva na indústria automobilística mundial. Automotive News Europe, prestigiosa publicação, abriu manchete de capa sobre os 30% de expansão do mercado interno, enfatizando os ganhos da Fiat, cujo faturamento e vendas representam 10% da marca em todo o mundo. O Brasil é ótimo. O zig-zag entre ótimo e péssimo é que nos atrapalha.
Bolso - Entre 1997 e 2000 o número de pedágios nas estradas brasileiras aumentou cinco vezes. Um automóvel vindo de São Paulo, ao chegar no Rio Grande, na divisa com Minas Gerais, terá gasto mais com pedágio que com combustível.
Facilidades - A fábrica da GM em Rayong, na Tailândia, passará a produzir o Alfa 156. A Fiat e a GM tem, todos sabem, um embricamento acionário, e buscam trocar facilidades para reduzir custos e aumentar lucros.
Limites - Esta corrida pela redução de custos exige uma política muito cuidada de projetos. Não há nada mais discrepante entre a caretice conservadora da engenharia GM e as propostas de desempenho e caminhos futuros da Alfa. E dinheiro, apenas dinheiro, não pode ser a ligação entre estes dois extremos conceituais.
Missão - Com o lançamento do 206 nacional, a Peugeot descontinuará a importação do modelo 106. Explicação simples: o 106 com motor 1,0 era o representante da marca neste segmento. Como o 206 terá a mesma motorização e será nacional, não há razão para concorrência no quintal.
Irã - A Khodro, principal montadora do Irã, iniciou montar o Peugeot 206, com a curiosidade de exportar 1/4 da produção de 20.000 unidades/ano para a França, onde está a matriz e sede da Peugeot. O 206 é o pico de tecnologia e atualização da Khodro. A empresa monta o Peugeot 405, já descontinuado em mercados ativos, e o Paykan (saiba mais), que é baseado no Hillman Hunter do final dos anos 60, e tem como curiosidade maior não o fato de ser uma inexpressiva anciliaria automobilística, mas o insólito fato portar a caixa de marchas feita no interior do Paraná.
Decisão - A DaimlerChrysler teve outra reunião para tentar resolver o impasse da fábrica que fazia o Dodge Dakota em Campo Largo. O encontro foi com o lado norte-americano da sociedade. Resultados não divulgados. O problema da empresa, diz Roberto Bogus, diretor comercial, é o excesso de opções.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br