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Confortos e rede de concessionários
para vender a Zafira

Minivan da GM traz sete lugares mas perde em segurança
para a Scénic; Pininfarina vai fabricar o Ka conversível

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserA General Motors começa a vender a Zafira, seu monovolume, veículo que reúne motor, habitáculo de passageiros e espaço para bagagens em compartimento único. É produto de relevo no portifólio da empresa, com produção projetada em 25 mil a 30 mil unidades anuais. Integra-se a um segmento com perfil de voraz canibal -- pois conquista clientes e dizima outros produtos -- e no caso da GM a Zafira não se resumirá ao mercado interno, pretendendo a América do Sul, México e outros mercados.

A Zafira surge com motorização e decoração básicas, permitindo ao comprador realizar montagem do veículo de acordo com seu gosto e disposição em investir. A partir de veículo básico, com motor 2.000 de oito válvulas, sem ar-condicionado e outros confortos, poderá transformá-lo num topo de linha pela agregação de opcionais. O cabeçote com duplo comando e 16 válvulas eleva a potência de 116 cv para 136 cv. O comprador poderá escolher mais equipamentos e acessórios incluindo a novidade no limite do supérfluo: uma pequena tela de vídeo, para exibir fita de videocassete ou DVD. A tela é suspensa no console frontal do teto, sendo capaz de atrair, indevida e perigosamente, a atenção do motorista.

Na Zafira a GM enfatiza confortos, equipamentos e acessórios, ao contrário da concorrente Renault Scénic, que aposta em itens de segurança. Na Zafira o airbag dianteiro é opcional, e no Scénic, de série. Situação idêntica para o ABS, sistema antitravamento dos freios, de série para o carro de origem francesa e opcional no carro da GM. Idem para o cinto de segurança com três pontos de ancoragem para o assento central do banco traseiro (ou central). No Scénic é equipamento original, no Zafira não disponível. Entretanto, com relação ao sistema de frenagem, o lançamento da GM apresenta discos para as quatro rodas, opcional nas versões mais simples da Scénic.

O grande apelo da Zafira está em oferecer sete lugares, contra os cinco da concorrente. Seria veículo 5+2: cinco lugares mais dois com restrições. Há dois pequenos bancos escamoteáveis no compartimento de carga. Seu acesso barra pessoas mais altas, gordas e com menor mobilidade, operando-se pelo rebatimento do encosto ou elevação do assento do banco intermediário, deslocado por um trilho em direção às costas da fileira dianteira. O uso dos sete lugares exclui o de bagagens. O estepe vai sob a plataforma, basculado por comando interno.

Negócio   A expansão deste segmento justifica investimentos -- só pela GM US$ 250 milhões -- e interesses. De cerca de 5 mil unidades vendidas pela Renault em 1999, e 16 mil comercializadas em 2000, o mercado deverá saltar para 50 mil monovolumes em 2001, segundo projeções de Walter Wieland, presidente da GM no Brasil. Deste total a Renault intenta 22.500; a GM um total aproximado, restando a Citroën, de presença projetada em 10 mil unidades. Como efeito de mercado, a presença dos monovolumes conquistará clientes de outros segmentos, especialmente de automóveis do mesmo porte e peruas.

A Zafira venderá muito bem, independente de suas características. A razão é a forte, bem estruturada e experiente rede de concessionárias --no total, 490, ou aproximadamente cinco vezes mais que a Renault, dez vezes a renda da Citroën. E com sensível peso: bateu pé e a fábrica não fará vendas pela Internet.

Otimismo e confiança

São estas, basicamente, as duas vertentes do pensamento do advogado Célio Batalha, diretor da Ford, novo presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes. Responsável, seu bem estruturado discurso de posse listou as dificuldades que vão do amplo objetivo de afastar crises do setor, marcado pela competição interna e externa, à pobre relação entre veículos e habitantes.

Batalha empregou o termo popularização, infundindo receio de uma reedição dos carros populares, tão nocivos micro e macro economicamente, mas no sentido de criar acordos e entendimentos para facilitar o acesso aos veículos em geral. Busca também colocar nossos carros em outros mercados, em ampla geografia, como a União Européia, África do Sul e reatar, com rapidez, os laços comerciais com o Chile. Num resumo, criar condições internas e externas para manter as caldeiras e os balcões funcionando.

Batalha não é apenas o advogado festejado, mas tido no âmbito federal, formal e informalmente como interlocutor sólido e confiável, referência no setor, discreto, de estilo apreciado. Agregador nato, hábil condutor de recursos humanos, projeta como esperança a capacidade de aglutinar o setor em torno de temas aparentemente comuns, mas que tem mostrado cisões impedindo resultados.

O momento é adequado a este tipo de perfil. Não apenas pelas discussões para a ALCA, mas também para a pavimentação do crespo caminho do Mercosul e as possibilidades de acordos comerciais com a vizinhança e negócios extracontinentais. O Brasil, visto internamente, tem as condições de desenvolver a indústria para popularizar os veículos. Hoje, menos de 1% da população compra um carro novo por ano.

Se pequenas medidas aumentassem este número para 1,5%, o resultado seria fantástico: nada menos que circa 2.600.000 veículos poderiam ser consumidos. Há discussões sobre a reforma tributária focada no automóvel; a oportunidade da renovação da frota; uma nova escala para veículos. Em suma, a hora de passar o setor a limpo, envolvendo sociedade e governo. Batalha tem condições para isto.

StreetKa, do sonho à realidade em três anos

Em junho de 2000 a Ford levou ao Salão de Turim, mostra caracterizada pelas propostas de design, um estudo do seu pequeno Ka tornado conversível e com melhor tratamento estético que os carros de linha. Era uma proposta com vistas a seguir a esteira dos roadsters, mais recente dos nichos buscados pela indústria. O automóvel apresentava desenho do estúdio Ghia, empresa de projetos automobilísticos que a Ford possui em Turim.

Em mostra de carros futuristas, o StreetKa chamou a atenção pelas linhas graciosas e atrativas, instando visitantes a pedir a abertura de uma lista de candidatos. O pessoal da Ford entendeu estar diante de um produto factível e andou rápido: consultou empresas capazes de construí-lo e acaba de assinar um memorando de intenções com a Pininfarina. Pelos entendimentos iniciais, a mais antiga das empresas de estilo e construção assume a responsabilidade de reprojetar e redecorar o interior, trazendo-o à realidade, e de construir 40 mil unidades entre 2003 e 2005.

Cinco marchas para Fusca? Fale com o Paulo

Um mecânico baiano, residente em São Paulo, está vendendo as últimas unidades de uma exclusividade nacional: a caixa de marchas com cinco velocidades à frente para Volkswagens com motor a ar, portanto adequável a sedãs, Kombis, Brasílias, bugues. O viabilizador e autor das modificações Paulo Nogueira garante que veículos com sua criação são mais velozes e têm menor consumo de combustível, pelo fato de o motor, funcionando com o conjunto de engrenagens da novidadosa quinta engrazada, rodar em menores rotações, gastando volume menor de gasolina.

O projeto é copiado de um original canadense e o rol das modificações passa pelo encompridar, por solda, o eixo piloto do câmbio -- que toma o movimento de rotação do motor e o transmite às engrenagens Externamente foi criada uma tampa especial, feita para abrigar mais o conjunto adicional de engrenagens que formam o par da quinta marcha e onde fica o trambulador, mecanismo que comanda a mudança das marchas pelo acionamento das engrenagens. 

A curiosidade é que o conjunto usa peças originais: a quinta é feita pela inversão das engrenagens da terceira original. Peça não Volkswagen é o coxim de fixação, do câmbio, diferente pelo maior comprimento da caixa de transmissão. Fone (11) 5891-0541; preço, R$ 850 à base de troca, sem colocação.

Roda-a-roda
Escolha - Inexiste definição pela DaimlerChrysler sobre o que fazer com a fábrica de Campo Largo, PR, onde se produzem as últimas unidades do picape Dodge Dakota. Não haverá interrupção industrial: a Dakota pára e imediatamente se inicia o processo para a produção de um novo veículo. Não há fundamento na transferência da produção das cabines dos picapes Mitsubishi L200 -- montados em Catalão, GO -- de Pouso Alegre, MG, para Campo Largo. A DC também controla acionariamente a Mitsubishi japonesa e, embora a operação brasileira seja do grupo Souza Ramos, independente de capital japonês, a DaimlerChrysler tem ascendência no negócio.
Monovolumes - É impossível prever com exatidão esse mercado no Brasil. O que se pode ter certeza é que este segmento será o de maior expansão em volume e vendas, e quem estiver fora dele estará perdendo participação em mercado.
Picasso - Apesar de ser lançado no final do mês, o monovolume Citroën já teve seu preço divulgado pela GM em comparativo com o Zafira. Segundo a marca, suas projeções é que seja vendido por R$ 44.500. A GM listou uma opção 1,6 para o concorrente, que não tem previsão nos primeiros tempos. A Citroën achou graça.
Enfim - O Denatran estuda a desobrigação do extintor de incêndio como item constitutivo dos veículos. Nada mais certo. Carro novo, com injeção e ignição eletrônicas não pega fogo.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br