Best Cars Web Site

Além do Amazon, Escape
e outros novos Ford no Brasil

De acordo com a demanda, o utilitário-esporte compacto
pode ser fabricado aqui ou apenas importado

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserEm paralelo à implantação de seu grande polo industrial automobilístico em Camaçari, BA, onde construirá a partir de 2002 os veículos do Projeto Amazon, mais nova família veicular no País, a Ford estuda produzir novos veículos em sua planta de São Bernardo do Campo, SP. Um dos analisados atenciosamente pela filial brasileira da Ford Motor Company é o Escape, utilitário-esporte que a Ford lançou e vende bem nos EUA, em degrau anterior ao Explorer, recordista mundial.

Os estudos objetivam complementação de produtos no mercado e consideram produzir no Brasil uma série de veículos da Ford e suas controladas. No caso do Escape, sem concorrentes no mercado -- aproximados existem apenas o Suzuki Grand Vitara e sua variante, o Chevrolet Tracker. Os demais são de menor ou maior porte.

Os estudos da Ford buscam projetar o volume consumido pelo mercado. Se de grande demanda, e de possíveis exportações, poderá ser ocupante da moderna linha de montagem que a empresa vai inaugurar na fábrica de São Bernardo. Se em escala reduzida, será apenas importado.

De bom tamanho   O Escape não é um jipe, com a habilidades imaginadas de descer a grota, arrancar toco e voltar rebocando-o. É um utilitário com tração nas quatro rodas e regulagens para enfrentar dificuldades de aderência, como areia, lama ou neve. Um Explorer em ponto menor, no conceito básico de veículo que ofereça segurança de uso, aderência e dirigibilidade em situações de pouca tração, como ocorre nos EUA. Não arranca, mas dá tração, dirigibilidade para transportar seus usuários com maiores habilidades e dirigibilidade que um automóvel comum.

Nos EUA utiliza motorizações de quatro cilindros em linha e 2,0 litros ou V6 e 3,0 litros a gasolina, mas os estudos locais de viabilidade consideram o uso dos diesel Maxion International, de quatro cilindros, produzidos em Caxias do Sul, RS -- empresa de quem a Ford compra os motores para os Land Rover, seus controlados, e que a partir deste ano serão montados na mesma linha de produção de caminhões Ford em São Bernardo do Campo, SP.

Será a segunda tentativa de incluir um utilitário-esporte em sua relação de produtos. A primeira era a criação de um Explorer em versão Mercosul -- como a Coluna anunciou. O desenvolvimento seria sobre a plataforma do picape Ranger feito na Argentina. Mas a Ford de lá não interessou pela idéia de cá.

A atual gestão da Ford no Brasil convive num regime de diálogo franco com os sindicatos locais de metalúrgicos. Lidera e desenvolve em conjunto os estudos e ações para que as operações na Bahia não esvaziem as de São Bernardo.

Sobre o IPI e a ocasião para
repensar o automóvel no Brasil

Gastou-se um mês de especulações a respeito da eventual proposta de unificação do IPI nas faixas mais freqüentadas do mercado automobilístico. O IPI é de 10% para os carros até 1,0 litro e de 25% para os que vierem acima desta cilindrada.

A proposta, anunciada por José Carlos Pinheiro Neto, em fim de mandato como presidente da Anfavea, a associação das fábricas, seria da lavra do Secretario da Receita Federal, Everardo Maciel.

As marcas, surpresas com a idéia, ocasião e método, reagiram para marcar presença e posição -- a Fiat fez périplo formal e argumentativo em números e a Volkswagen colocou na boca de seus executivos dados numéricos tão interessantes quanto contraditórios aos da marca mineira. Mas todas sabem, assim como o governo, que a medida não seria tomada no apagar das luzes da gestão da entidade corporativa, não apenas porque seria inaugurar um desgaste desnecessário com o sucessor, festejado e reconhecido advogado Célio Batalha, diretor da Ford, como também é assunto polêmico para ser resolvido rapidamente num solitário gabinete oficial.

A ocasião é muito boa para passar o setor a limpo, removendo as fórmulas que já foram salvadoras e hoje são mazelas -- uma delas o carro 1.000, solução esgotada. Tanto outros gabinetes oficiais, quanto fabricantes e os participantes da cadeia que envolve o automóvel, têm muitas sugestões a dar. Toda a nossa legislação veicular é tratada como se ainda estivéssemos numa ilha de reserva de mercado e tudo, desde classificação tributária até a incidência de impostos, poderia ser revisto, numa operação de aprimoramento da cadeia produtiva.

O fato do assunto ter sido sobrestado por alguma gaveta de bom senso já é um ótimo parâmetro. E soluções podem surgir, com uma revisão de incidência de impostos que alivie o consumidor, provoque a produção, e direcione o relacionamento com o automóvel.

Uma dúvida que pode ser uma boa questão: por que o menor imposto é para o carro com motor 1.000? Porque não de 360 cm3, como na França, ou os 660 do Japão? Podemos ter menor carga tributária para um carro urbano? Quer outra? Por que o IPI começa em 10% -- nos EUA os carros pagam 6,5%, não há ICMS, nem PIS, nem Cofins, e o país cresce.

A pauta é ampla, e ótima a ocasião para dar caminho ao automóvel no Brasil, nossas pretensões com meio-ambiente, qualidade de vida, balança comercial, aproveitando a experiência e soluções de outros países com maior convívio no setor, e a vivência com as nossas peculiaridades.

Em Canela, RS, um pioneiro Museu do Automóvel

O país ganhou seu primeiro museu aberto ao público e com a determinação de preservar a história e a cultura do automóvel. É o Museu do Automóvel Anos Dourados, e fica em Canela, RS. Curador, o arquiteto gaúcho Carlos Eduardo Warlich usou sua experiência em iniciativa menor, em São Francisco de Paula, no mesmo estado, para implementá-la em espectro maior no eixo turístico da serra gaúcha.

O Anos Dourados abre um leque de atrações, para fixar presença familiar. Segundo observa o curador, os museus de automóveis e coleções abertas a visitação constituem-se em programa para aficionados, usualmente homens. Senhoras e crianças apenas passam pela exposição, forçando encurtar a visita. Para atrair outros públicos o museu dispõe de espaços próprios para uma coleção de miniaturas com iniciais 150 exemplares de várias décadas, em especial a dos automóveis dos Anos Dourados – a década de 50.

Público feminino terá atrações extra-antigomobilistas e um espaço cultural temático -- privilegiando exposições de arte --, uma butique e o café do museu.  O
prédio, construído para a mostra, tem um salão livre com 1.000 m2 e abre com uma exposição de 36 veículos do acervo particular do curador.

A Volkswagen é o tema da Mostra Rotativa das Grandes Marcas, numa história montada com muitas fotos, informações e dados inéditos. Ex-funcionários alemães da VW, que depois de aposentados foram morar em Canela, e sensibilizados pela atividade da coleção aberta ao público, fizeram doação do material.

O Museu do Automóvel Anos Dourados associa veículos com informações, ilustrações, catálogos de venda, manuais de proprietários, trajes e equipamentos de época, criando para cada veículo clima e ambientação próprios. Embora o nome sugira a ênfase aos automóveis norte-americanos de grandes dimensões e inumeráveis cromados, há uma defesa muito clara dos veículos que fizeram a história da indústria automobilística no Brasil.

Serviço:
Museu do Automóvel Anos Dourados: Praça das Nações, 281, Canela, RS; tel. (54) 282-9364. Aberto de terça a domingo das 10 às 19 h.

Roda-a-roda
SEDIMENTAÇÃO - Para identificar-se com a nova situação de fabricante, a Peugeot está oferecendo aos compradores de sua marca um plano de extensão de garantia. É um seguro pago pelo comprador, que se transforma em vetor de crença e divulgação da qualidade do produto e da pretensão de competitividade da marca. Busca, com energia, a identificação de fabricante nacional.
SEM NOVIDADES - Os passos da Hyundai coreana para se instalar no Brasil produzindo o utilitário Besta e o monovolume Atos estão em impasse. A marca sucede à Asia Motors do Brasil, devedora de US$ 217 milhões ao erário pelo não-cumprimento de sua parte nos Regimes Automotivos Nacional e Regional. Aparentemente a Hyundai receia, depois de começar a operar, receber da Advocacia Geral da União a nota do débito.
QUE CRISE? - A Porsche resolveu incrementar seus negócios na América do Sul. Montou um escritório em Miami, EUA ligado a outro, em Buenos Aires, Argentina. O vizinho país, hoje com um mercado doméstico reduzido a 30% dos números marcados há três anos, vende o dobro de Porsches, Alfas e Ferraris relativamente ao Brasil.
O CAMINHO - A pretensão da Porsche, independente e sadia financeiramente, é dobrar as vendas em dois anos. Uma das ferramentas será o Cayenne, utilitário-esporte com chassi especial, tração nas quatro rodas e muita tecnologia. Vai dividir custos e riscos com a Volkswagen alemã -- o presidente mundial da VW AG é herdeiro da Porsche -- que fará uma versão com menos refinamento, o Colorado.
E PRA QUÊ? - O Inmetro - Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade, vai coordenar a substituição dos selos de certificação em 100 milhões de extintores, incluindo os 1,4 milhão de unidades que anualmente equipam os carros zero-quilômetro. São à prova de falsificação.
Não seria o caso do Inmetro recomendar a opcionalidade do uso do extintor nos carros novos, restringindo-os aos caminhões e veículos de transporte coletivo? Você já viu algum carro novo ou semi-novo pegar fogo? Dificilmente, mas com certeza já machucou o pé, arranhou o sapato, puxou o fio da meia em extintor mal arrumado, mal arranjado, nitidamente adaptado nos automóveis brasileiros, cujo projeto estrangeiro não incluía tal equipamento.
À ESPERA – A Fiat está encerrando os testes de avaliação do uso do motor Fire como unidade de força do Mille. Fontes da companhia divergem quanto às justificativas para a substituição: entre necessidades de engenharia, atitude meramente protocolar, e a avaliação política, para saber no que vai dar a teoria da unificação do IPI. O Mille só existe em versão 1,0 e na padronização do imposto seria o mais penalizado.
RESULTADO - O novo veículo que a Mitsubishi pretendia passar pelos portões de sua fábrica em Catalão, GO, em outubro, teve projetos adiados. A previsão agora é de mais um ano. Explicação simples: a marca japonesa é agora controlada pela DaimlerChrysler, que vive clima de saneamento interno, como definições industriais -- como por exemplo o que fazer na fábrica do picape Dodge Dakota, a ser descontinuado neste mês --, e todos os projetos estão em marcha-lenta.
CUIDADOS - "Quer trocar os pneus do seu carro? Não compre os argentinos." Não é birra, é tecnologia. É que os pneus feitos lá são desenvolvidos para as características das estradas argentinas: piso com menor aderência e honestos. Ou seja, o asfalto brasileiro tem base granítica, o que é verdadeira lixa, e temos buracos -- e como os temos. Aqui, os pneus de lá desgastam-se rapidamente e rompem as laterais com facilidade. Em compensação, os pneus brasileiros na Argentina duram e resistem inversamente.

Colunas - Página principal - e-mail

Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br