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Clio 1,0 16V: motor
pequeno, carro pesado

A Renault mostra dinamismo, mas seu novo 1,0 tem
pouco torque em baixa rotação e desempenho modesto

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserA Renault acaba de colocar no mercado sua mais nova versão de motor: é o 1,0, que equipava as versões hatch do Clio e também o Kangoo, contando com um novo cabeçote com 16 válvulas, quatro por cilindro, implementos técnicos, como rolamentos nos acionadores de válvulas e comandos de válvulas ocos, e que produz 70 cv de potência. O ganho de 11 cv relativamente ao motor de oito válvulas permitiu à empresa aplicá-lo no Clio Sedan.

O lançamento, assim como a nova geração do Scénic, projetada para primeiro de abril, faz parte da agressiva movimentação da Renault para completar espaços, firmar-se como a montadora que mais cresce no país e sedimentar sua posição no mercado brasileiro: a de valente combatente na acirrada disputa que apenas começa a se instalar no cenário, que conta com o maior número de fabricantes e diversidade de marcas, população com renda que não se expande e onde apenas aproximados 1% pode comprar carro zero-quilômetro.

O produto   O Clio é francês, mas traz à mente uma verdade norte-americana: "não há substituto para cilindrada", o volume interno deslocado pelo motor. Isto quer dizer que pode-se inventar implementos, mas em níveis econômicos nunca se obterá o torque produzido pela cilindrada maior. Isto avulta quando você pede motor e ele parece responder em voz baixa, pedindo redução de marchas.

Operativamente o automóvel é agradável, oferecendo vedação termoacústica de veículos de maior porte, dando sensação de conforto em altas velocidades, nas retas ou descidas. Mas, nas subidas o silêncio desaparece, quando as reduções de marcha se tornam freqüentes, e um motor de baixa cilindrada, para traduzir impulsão, exige rotações tão elevadas quanto as vibrações sonoras. O motor 1,0 16V começa a ficar vivo perto das 4.000 rotações e encerra seu desempenho a 5.500 rpm. Em resumo, com faixa operacional tão restrita, será carro para quem gosta de trocar marchas.

É quando você se lembra que o Clio não nasceu 1,0. Ele é um produto que na Europa a motorização mais fraca começa aos 1.200 cm3, e que no Brasil atende à distorção óptica e ótica -- ninguém parece interessado em ver ou ouvir que o carro 1,0 já cumpriu sua função alavancadora de mercado e hoje é produto incoerente, muito para a cidade e muito pouco para a estrada.

Um japonês de gravata

A General Motors iniciou a comercialização do Chevrolet Tracker, um pequeno utilitário esportivo, com tração nas quatro rodas, marcha reduzida e motor diesel com turbocompressor e intercooler, que colaboram na produção dos 87