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Monovolume, praticidade com charme

Zafira, Picasso e a nova Scénic marcam o
crescimento das minivans no mercado brasileiro

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserO novo milênio começou sem carro do Flash Gordon, nem automóvel voador movido a ar. Mas não se frustre com a caretice do novo século que nada trouxe de futurismos, mas apenas simplória evolução. Para o mercado brasileiro 2001, e em especial o primeiro quadrimestre, será marcado pelo lançamento de três veículos monovolume, criando um segmento novo, bem freqüentado e de maior crescimento percentual no mercado doméstico.

MONO, MELHOR QUE BI OU TRI

A característica do monovolume é reunir as áreas do automóvel sob teto comum -- motor, habitáculo, espaço para bagagens. Para visualizar, pense na Renault Scénic, hoje solitária representante do tipo. Mas a partir de abril, o panorama se amplia, com lançamento da GM Zafira e da Citroën Picasso. A Scénic, revista, melhorada e revigorada virá em seguida.

São concorrentes formais: mesmo propósito, dimensões e motorização com cilindrada de 2.000 cm3. Habilidades e objetivo comum, conquistar clientes de variadas exigências de uso. Da locomoção egoísta à familiar e às demandas de transporte de gentes e artigos usualmente incabíveis num carro comum, e com proposta básica de oferecer-se adequados a variadas demandas de uso.

Isto é possível pela fórmula de crescer para cima, gerando espaços e áreas que permitem aproveitamento em gavetas, gavetinhas, além de formidável capacidade de combinação dos bancos. Seu diferencial relativamente aos carros comuns está na criatividade de gestão dos espaços. Pode parecer curioso, mas o monovolume tem melhor capacidade que um bi ou um trivolume.

Vox mercatum, vox Dei, o mercado deve expandir-se em maior percentual nesta faixa. Simples entender. Só, a Scénic era apenas um insólito produto. Avalizada e concorrendo com Zafira (foto ao lado) e Picasso, a trilha se transformou em estrada e agora representam faixa própria. E tanto por isto, quanto pela característica intrínseca de multiuso, os monovolumes devem ocupar importante volume no mercado.

Das quase 16 mil unidades vendidas de Scénic em 2000, este número deverá crescer mais de 100%, em vendas conquistadas horizontalmente, sobre usuários de sedãs de maior preço, e por ascensão dos usuários dos populares, cansados de suas limitações. Assemelhados em linhas, propostas e preços: entre R$ 31 mil e R$ 37 mil, em média, valores da Scénic.

O SEGMENTO DOS MONOVOLUMES

GM Zafira

Záfira ou Zafira, sem ligações com a pedra preciosa, o nome é apenas uma combinação de três sílabas com sonoridade latina. Em termos de prazo, é o que mais demorou a chegar ao Brasil. Há três anos a GM pensava importá-lo, a pedido da rede concessionária, mas a subida do dólar tornou a operação inviável, assumindo-se a opção de construí-lo em São José dos Campos, SP. Sua base é a plataforma da família Astra, com motor de 2.000 cm3 e oito válvulas. Seu algo mais é transportar sete pessoas contra as cinco da pioneira Scénic.
Citroën Picasso

Característica atada à Citroën é o desenho. Por isto, e pelo fato de utilizar o nome do famoso pintor espanhol, as linhas e formas de seu monovolume são as de maior atratividade neste segmento. O Picasso tem boa conformação de estilo, responsável por seu grande sucesso neste primeiro ano de mercado europeu. No interior há igualmente sete lugares.

A Citroën terá apenas este produto nacional -- já está em produção na fábrica que divide com a Peugeot em Porto Real, RJ -- para alavancar seu crescimento projetado em 100% neste ano. Sérgio Habib, que há dez anos era modestíssimo importador e hoje é o presidente da Citroën do Brasil, quer vender 10 mil unidades em 2001, pavimentando o crescimento da rede de concessionários e o mercado, no qual busca a maior participação dentre os franceses: 10% em três anos. Marca personalística de Habib no Picasso, o tratamento interno. A motorização é um 2,0 com 16 válvulas e potência reduzida de 137 para 118 cv, numa troca por melhor aceleração contra a limitação da velocidade.
Renault Scénic

A Renault optou por aguardar a concorrência. Depois disto, mostrará a segunda versão da Scénic que produz em São José dos Pinhais, PR. Tem atrações para não perder mercado, manter e expandir vendas. As linhas frontais foram harmonizadas, abrigando um grupo ótico com melhor equilíbrio de volumes.

Mecanicamente tratará bem a segunda edição -- anote porque as informações são em primeira mão: substitui o motor de 2,0 litros, 8 válvulas e 115 cv pelo propulsor que move a versão francesa, 2,0 de duplo comando, 16 válvulas e 140 cv de potência. Para distinguir o produto em modernidade e conforto, a novidade opcional do câmbio automático.

Com as mudanças a Renault quer fazer da Scénic sua ferramenta de viabilização de conquistas. Intenta 7% do mercado em 2001, ou seja, mais de 100 mil veículos. E a Scénic responde por 30% das vendas da marca, o que significa um crescimento de 100% só para a Renault -- de qualquer forma não dê crédito a números e projeções no Brasil, aguarde resultados.

O RX4, com tração nas quatro rodas, um must ao nosso carente mercado, previsível sucesso, está em compasso de espera.
Roda-a-roda
NACIONAL - Os planos da Mercedes para viabilizar vendas no mercado doméstico do Classe C que iniciou a montar em Juiz de Fora, MG, para exportações, passa pela nacionalização dos componentes. Mas as dificuldades que enfrenta neste processo são muito mais ásperas que o imaginado. Exemplo bobo? Não consegue fornecedor para as aletas cromadas da grade do Classe A. Simplesmente não existe cromagem que assegure a qualidade que a marca exige.
NACIONAL 2 - A Volkswagen nacionalizará o motor 1,6 que usa no Golf e Audi A3, levando-o ao restante da linha. Aos produtos recentes será um aumento de nacionalização. Para os antigos, promoção tecnológica. O 1,6 é conceitualmente o motor de projeto recente chamado E111, cuja versão 1,0 equipa o Gol e Parati. É gerações mais atualizado que o conhecido AP, dos anos 70. Vai fazê-los na moderna fábrica que opera em São Carlos, SP.
MOVIMENTO - No processo de expansão de mercado a Toyota terá a nova geração de picapes HiLux a partir de junho. Reformulação estética, aprimoramentos mecânicos, e novidade de voltar a importar a opção diesel com tração nas quatro rodas e cabine simples -- um modelo de que o concorrente mais próximo, a Mitsubishi, não dispõe. Quer aumentar espaços. Ao final do ano iniciam-se as vendas do picape Nissan Frontier, feito na fábrica da Renault no Paraná.
MOVIMENTO 2 - Órgãos de imprensa fazem movimento de informação sobre um picape F250 com motor V8 que a Ford testa com vistas a exportá-lo para a Austrália. Não disseram, como a Coluna já contou, que o motor é V8 porém diesel e brasileiro, feito pela Intenational em Caxias do Sul, RS, com a monumental cilindrada de 7,3 litros e mais de 70 m.kgf de torque. E mais, que será vendido no Brasil em reduzida quantidade, como o topo de linha, o Jaguar dos picapes. Para agro velho -- e rico.
A FAVOR - A Foliatec, empresa alemã especializada em personalização de veículos, tem novidade interessante: um plástico que colado nos espelhos retrovisores externos garante visibilidade durante chuva ou nevoeiro. A película é higroscópica, absorvendo a água e criando uma camada úmida que permite a visão próxima da perfeição. Nas lojas de acessórios em breve.
GENTE - Nivaldo Nottoli, apaixonado por Alfas desde os tempos de jornalista especializado, diretor-adjunto da Fiat, onde cuidava de programas institucionais, vai administrar paixão: assumiu a unidade de negócios Alfa Romeo. A Fiat não quer Alfa como apêndice: quer crescente e rentável, como no restante do mundo.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br