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Na Toyota é hora de crescer

Investimento de US$ 300 milhões pode representar a
chegada de um novo Corolla, do Matrix e de outro modelo

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserO projeto da Toyota no Brasil sempre foi visto como uma ocupação de espaços para investimentos no futuro. Seu produto, emblematicamente o jipe Bandeirante, é o mais antigo do mercado. Mas o cenário está mudando. Há cinco anos a empresa comprou uma fazenda, transformou-a em fábrica e, 40 anos após ter chegado ao País, iniciou a produção do Corolla em versão nacional, implementando-a e iniciando a exportá-la para a Argentina.

Números modestos, mas dentro dos procedimentos nipônicos, um caminho definido. Agora ascende a novo patamar no Brasil: a matriz anunciou investimento de US$ 300 milhões para ampliações industriais e nomeou o economista Hiroyuki Okabe, 54, seu novo presidente, com posse marcada para o dia 2 de fevereiro.

CHEGOU A HORA

As duas medidas são complementares à linha administrativa que vinha sendo seguida em degraus claros -- a quem lê japonês em Braile... Um presidente, Shinji Tomie, sintético em ações, alavancou a transição ao assumir riscos em sua carreira quando adquiriu uma fazenda para transformá-la em fábrica. Tokuji Nagaoka, engenheiro, sucedeu-o e bateu recorde em eficiência, encurtando o cronograma para a instalação da nova unidade industrial em Indaiatuba, SP. Kazo Uji, financista, foi seu substituto, cabendo-lhe preparar a companhia na sedimentação dos negócios com o Mercosul, saneamento da rede, harmonia entre produtos nacionais, mercosulinos e importados.

O novo, Okabe, tem desafio claro: transformar a empresa através de aumento de produção, do índice de nacionalização, do incremento de exportações nos acordos comerciais, e da abertura do leque de produtos. Não foi à toa que Okabe circulou -- sem assumir a nomeação -- em torno do Matrix, novo produto da marca exposto no Salão de Detroit (foto no alto; saiba mais).

Na companhia o conceito sobre ele tem um traço comum: é considerado o executivo de maior experiência no mercado das Américas, tendo ocupado cargo7s de gerência no Canadá, Estados Unidos e mais recentemente na matriz japonesa, a gerência de vendas para a América Latina, do Norte e Caribe. No Brasil foi, até 1997, diretor superintendente para a área comercial. O perfil se completa com o conhecer do país como homem de campo que visitou todos os concessionários da marca, e o fato -- relevante -- de falar português.

Considerada a nomeação pode-se projetar que os US$ 300 milhões destinados à ampliação industrial não significam apenas crescimento numérico da produção do Corolla, feito no interior paulista, mas a sua reformulação, e possivelmente a fabricação do Matrix -- que é feito sobre a plataforma do novo Corolla -- e ao surgimento de um novo modelo, de produção em números superiores ao carro atual.

Projeto amplo, mas nunca a Toyota esteve tão preparada a assumi-lo.

Nosso caminho de design

O design brasileiro para automóveis saiu-se bem nos Estados Unidos. Manoel Alexandre Ferreira, da Rivolta Design, de Belo Horizonte, foi o vencedor de um concurso mundial promovido pela revista Motor Trend. E o time de estilo da General Motors do Brasil levou ao Salão de Detroit um carro-conceito desenhado em São Caetano do Sul, SP.

Chamam-no Sabiá, e bem formulado é produto bem dissimulado. Visualmente é um picape, mas como uso permite o de um sedã de quatro lugares, com portas que fecham contra si e enorme compartimento de carga. As chances de viabilidade industrial são pequenas, bem menores que os resultados institucionais da presença brasileira numa mostra internacional.

Saiba mais sobre o Sabiá

De cuidados e sedução

O Ford T fez o homem descobrir uma capacidade que não desfrutara: a mobilidade. Quase um século depois a mesma Ford quer manter e fazer clientes usando a mesma conquista. Agora quer garantir a mobilidade através de seu projeto Mobility, que implanta desde o lançamento do Focus, em novembro.

Filosoficamente o Mobility é uma extensão de garantia cercada de cuidados com o cliente, de forma a garantir sua mobilidade, sobrepondo-se à garantia normal dos veículos e válida por três anos após a venda. Como o que se pretende é garantir a mobilidade, a cobertura diz respeito à parte motora do veículo -- motor e caixa de transmissão -- incluindo serviços como chaveiro, fornecimento de gasolina a domicilio, socorro no local da pane, reboque, locação de carro de reserva, e se necessário, transporte para continuação da viagem e regresso a domicílio.

Não há custos, mas o proprietário deve levar o veículo a cada seis meses para verificações num distribuidor Ford.

O projeto é conjunto entre a Ford e a Abradif, sua associação de distribuidores, e apresenta desdobramentos neste convívio no mundo do automóvel. A Ford acredita, por exemplo, que os carros que tiverem este acompanhamento terão mais valor de revenda que os que os dispensarem. Da mesma forma, projetam, os custos de seguro para os veículos aderentes ao programa devem ser melhor, porquanto os riscos de sinistros causados por panes mecânicas e peças desgastadas será muito reduzido. Outro resultado natural será a fidelização. A expressão, não dicionarizada, traduz a fidelidade do cliente à marca, e finalmente, o maior entrosamento entre cliente e revenda, solidificado com as visitas semestrais, ocasião para a feitura de novos negócios.

O Ford Mobility integra, ao lado do Ford em Casa -- um serviço de manutenção feito na casa do cliente -- e o Serviço Total, agendamento com hora certa, serviços e orçamentos prévios, um grande envolvimento com o cliente, para sentir-se confiante, bem tratado e numa relação transparente. " Brinde e desconto custam e só trazem resultados imediatos", diz Jac Nasser, número 1 da Companhia. "Atenção e fidelização mantêm o cliente."

Importados crescem 35%

Fechado o balanço do ano, a Abeiva, associação que reúne os importadores sem operações industriais no Brasil, contabiliza um aumento de 35% nas vendas de veículos importados, que saltaram de 46.970 unidades para 63.455. Deve-se observar que o volume total de veículos importados vendidos no Brasil em 2000 foi de 172.330. As fábricas instaladas no País responderam por 2/3 do volume.

Dentre os filiados da Abeiva, a Peugeot liderou, com 2.259 veículos, a Kia seguiu-a com 1.557 e a Citroën trouxe 822 unidades. O importado mais vendido no país é o Peugeot 206 -- que muda de status e endereço ao ser produzido em Porto Real, RJ, a partir de fevereiro.

Roda-a-roda
DESCENTRALIZAÇÃO – A General Motors começa a efetivar acordos com diversos estados para a criação de Centros de Distribuição de Veículos. Acordará com o governo de Pernambuco, instalando em Recife um dos pátios; com o de Goiás, implantando-o em Anápolis; depois Rio Grande do Sul. São Paulo, em cidades ainda não definidas. Terá um Centro na Amazônia, sem decisão se no Pará ou no Amazonas.
NA PRÁTICA – Os centros serão um prolongamento do estoque da fábrica, passo intermediário entre o pátio da marca e o das concessionárias. Com esta solução os veículos ficam imobilizados, disponíveis, alcançáveis mais rapidamente para satisfazer às demandas dos consumidores sobre cores, formas, opcionais. A idéia é manter nestes centros quantidade igual a 15 dias de estoque.
BRASIL – O Liberty, modelo da Chrysler mostrado no Salão de Detroit (saiba mais), substituindo o Cherokee Sport -- a linha básica, com a carroceria de 1984 --, chegará ao Brasil apenas com o nome Cherokee, mais identificado com o mercado nacional. Liberty aqui nada significa como conceito ou apelo de consumo.
XSARA – A Citroën lançará no próximo dia 8 a nova modelia do Xsara hatch, versão 5 portas, seu importado mais vendido.
PAÍS I – O Banco Central prevê que a gasolina pode baixar uns 6% no preço ao consumidor no segundo trimestre. Projeta-se que o petróleo baixará de preço.
PAÍS II – Anuncia-se greve geral dos caminhoneiros. Coisa curiosa. O líder do movimento não é conhecido no meio. A entidade não tem representação. A profissão não é regulamentada. Parece tão fora de senso quanto uma carta anônima para o soldado desconhecido.
ZAFIRA - A GM já marcou o período de apresentação da minivan Zafira. Tem a novidade de apresentar sete lugares, sendo construída sobre a plataforma do Astra, com motorização dois-litros, em São José dos Campos, SP. Será em abril, em Portugal. Quer diferenciar produto e apresentação de sua principal concorrente, a Citroën Picasso, a ser feita na nova fábrica da PSA, em Porto Real, RJ.
MEDIDA - Na reforma das pioneiras instalações em São Bernardo do Campo, SP, a Volkswagen tem adotado soluções de arrepiar cabelos tradicionais: vendeu áreas para outras empresas e derrubou todos os prédios com menos de 5.000 metros quadrados. Os novos métodos de manufatura, o emprego da robótica, querem a eficiência de mais veículos x operário x ano, e menores espaços industriais.
NOS TRILHOS - A Ford trata com a Ferrovia Centro Atlântica o transporte de contêineres e veículos entre a nova fábrica em Camaçari, na Bahia, e sua unidade em Taubaté, SP. A idéia é reduzir custos de logística. A Fiat já utiliza trens entre Betim, MG e Vitória, ES.
MULTA - O governo federal deve anunciar o total da multa aplicada à General Motors pela demora na divulgação do recall para os cintos do Corsa. O período poderia ter provocado danos aos usuários. Curioso, entretanto, é que o mesmo governo tem sido inexplicavelmente tolerante com as constantes mudanças nos critérios e prazos para a Inspeção de Segurança Veicular, que possivelmente retirará das ruas geométrica quantidade de carros inseguros e perigosos, que continuam atrapalhando, poluindo, ferindo, matando enquanto não se implanta a ISV.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br