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Dirigiu, matou, carteira
suspensa. Já é um bom começo

Embora de difícil aplicação, é um primeiro
passo na caminhada para reduzir os acidentes

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserO Contran, Conselho Nacional de Trânsito, dá redação final a uma medida saneadora que transformará em resolução: reter a Carteira Nacional de Habilitação de motorista envolvido em acidente com morte. A CNH pode ser devolvida por ordem judicial após o julgamento do competente processo criminal.

A medida é boa, embora difícil de aplicação, pois como imposição administrativa pode ser questionada em juízo. Mas é um primeiro passo na longa caminhada de reduzir os índices de acidentes.

Depois o governo poderia pensar em fazer uma espécie de câmara setorial com os órgãos envolvidos, com especialistas, institutos dedicados ao tema, sociedade, ONGs, e traçar uma linha comum e procedimentos para melhorar nossa maneira de dirigir, o processo de fiscalização e educação e os conceitos legais e suas penas.

Trânsito hoje diz respeito a todos. Da emoção das perdas de pessoas próximas, aos próprios machucados, prejuízos e à conta que todos pagamos por absenteísmo, por coberturas indenizatórias, por despesas hospitalares. Enfim, é um dos maiores problemas nacionais e que um Código apenas rígido, uma legislação complacente e polícia arrecadadora não resolvem. A resolução do Contran pode ser um primeiro passo.

2001: automóveis,
nosso leque é o maior

São boas as perspectivas para em volta do automóvel brasileiro neste ano. As projeções do governo -- acadêmico exercício de palpitologia -- dizem que o PIB brasileiro crescerá 4% em 2001. As da indústria do automóvel são da produção de 1,8 milhão de veículos, volume idêntico ao de 1996, ou seja, crescimento de 8%. Previsões econômicas no Brasil são usualmente tão etéreas quanto o Orçamento do país, onde quase todos os termos são hipotéticas variáveis.

Zafira Xsara Picasso

A Abeiva, associação que reúne as marcas sem operação industrial no Brasil, estima que o volume de 63 mil veículos importados em 2000 cresça para 75 mil, quase 20% de expansão. É difícil. A entidade perdeu três sócios importantes, que mudaram de status, passando-se a fabricantes e filiando-se à Anfavea. São a Citroën, a Peugeot e a MMC/Mitsubishi, responsáveis por 50% dos números assinalados em 2000. A Abeiva credita o incremento à volta da Mazda ao mercado nacional, e pela expansão dos negócios da Hyundai, ainda em marcha lenta.

FIM DE CICLO

Sob o prisma político 2001 fechará mais um ciclo, o da inauguração das últimas unidades industriais das empresas que aderiram ao programa oficial de atração de novas marcas e de expansão das que já estavam no país. Quem entrou, entrou. Quem não entrou, só comprando ingresso -- os convites acabaram...

O ano já começa com novidades: a International comprou o restante das ações da Maxion Motores, iniciando de Caxias do Sul, RS, produção majoritária para exportações; e a unidade Mercedes em Juiz de Fora, MG, produzirá os modelos Classe C para exportação. Ao longo do ano inauguram-se a unidade da PSA, que fará Peugeots e Citroëns em Porto Real, RJ; a fábrica da Tritec, que produzirá motores Chrysler e BMW no Paraná; a Ford terá seu novo complexo industrial em Camaçari, BA; a Nissan iniciará a produzir picapes na fábrica da Renault, em São José dos Pinhais, PR, e a Volkswagen atualizará processos em sua mastodôntica fábrica de São Bernardo do Campo, SP, de lá expedindo os modelos conhecidos pelo código PQ 24, sucessores do Gol.

O ano poderá marcar o fim da jurássica Kombi. Ela e o Santana, que hoje vivem por conta de preços menores que a concorrência, dependerão exclusivamente do mercado, tendo contra si o choque entre seu antiquado processo de produção e os novos métodos de manufatura que serão empregados na fábrica de São Bernardo do Campo.

Marcas prometidas como a Aurora, do polêmico Ariortúa Lopez; TVR, que produziria esportivos em Santa Catarina; Lada, com devotada fábrica ao Espírito Santo, e Kia, não têm definições. Asia nem pensar.

O Brasil encerrará 2001 como o país com a maior variedade de marcas em produção. Em paralelo, com a dúvida: há mercado para tantas marcas?

MONOVOLUME

Como comportamento, 2001 será marcado pela competição em torno dos monovolumes, carros que unem no mesmo compartimento a motorização, o espaço para passageiros e o de bagagens. Único representante nacional da categoria ao momento -- excluída, naturalmente, a Kombi -- é a Renault Scénic. Mas já em março a GM inicia o fazer da Zafira, sobre a plataforma do Astra, e em maio a Citroën lança a Xsara Picasso.

Relativamente à Scénic, a Zafira terá sete lugares. A pioneira da Renault mostrará sua nova frente e possivelmente a opção RX4, com tração nas quatro rodas. É mercado projetado para 30 mil unidades anuais. Hoje a Renault vende 15 mil Scénics e brigará muito para não ter queda de vendas. Neste período de implantação como marca, a empresa quer atuação crescente, sem recuos.

Sem encaixar-se no gabarito de monovolume, mas atuando na estreita faixa com veículos que mesclam o uso de passageiros e de carga, o segmento tem o Renault Kangoo, o Citroën Berlingo e será aditivado pelo Fiat Doblò.

Novidades em tentativo cronograma
Tendo o Best Cars Web Site revelado os principais lançamentos (saiba mais), relacionamos aqui novidades relacionadas à instalação e produção das novas fábricas.
Janeiro - Mercedes Classe C, um registro industrial e um primeiro passo tentativo para a construção de um veículo com elevado padrão de exigências no Brasil. Inicialmente destinado ao mercado externo, deflagrando um desafio à indústria de autopeças no Brasil. A Ford começa a construir os caminhões F e Cargo nas suas instalações em São Bernardo do Campo, SP, depois de abandonar a linha de montagem no bairro do Ipiranga, em São Paulo, SP.
Fevereiro - Possível inauguração da Tritec (pronuncie traitec, como dizem os acionistas), fábrica de motores criada pela Chrysler e pela Rover. A Chrysler agora é Daimler e a Rover é BMW. Os arranjos provocados pela mudança atrasaram o cronograma. Chefe da produção, surpresa agradável, o engenheiro Fernando Gurgel, filho do criativo, persistente e injustiçado dr. Gurgel. Inauguração em Porto Real, RJ, da fábrica da PSA, que reúne Peugeot e Citroën.
Setembro - Inauguração da unidade de produção da Nissan, dentro da fábrica de sua controladora Renault, em São José dos Pinhais, PR;
Outubro - Inauguração da fábrica Ford em Camaçari, BA. A Ford começa a escrever a terceira parte de sua história brasileira lá. Transferência da linha de produção do picape Courier para a nova unidade baiana.
Novembro - Mitsubishi deve iniciar as vendas do segundo produto feito em Catalão, GO. Não será um picape, mas um jipinho Pajero.
Dezembro - Início das vendas do picape Nissan Frontier feito no Paraná na, como se diz nos escritórios, mais brasileira das marcas japonesas.
Design do futuro

Nascido em Moçambique, mas trabalhando na filial mineira da Rivolta Design -- uma empresa internacional que opera em Milão, na Flórida e em Belo Horizonte -- Manoel Alexandre Ferreira ganhou o primeiro prêmio para profissionais no concurso que a revista Motor Trend organizou nos EUA.

O objetivo era escolher o melhor projeto de como seria um veículo atual, daqui a 25 anos, submetido a critérios como chassi, carroceria, segurança e pressões sociais e políticas. Manoel projetou um Cherokee e pespegou-lhe um motor a álcool, entendendo que a opção sensibilizou o júri, formado por designers de fabricantes, jornalistas especializados e designers independentes.

Segundo entende, por melhores sejam as alternativas com a célula de combustível e motores elétricos, o cliente sempre exigirá ruído de motor a explosão. Na prática o projeto é bom e o autor, absolutamente sensível aos condicionamentos econômicos, políticos e aos desejos do comprador.

O prêmio, viagem aos EUA, US$ 1 mil e assinatura da revista, é pequeno. Mas isto é irrelevante, porque Manoel acabou de entrar para a agenda eletrônica do mundo dos automóveis como uma opção de profissional. Designer de futuro.

Roda-a-roda
GASOLINA 1 - A Agência Nacional do Petróleo pesquisou para mapear a falsificação dos combustíveis. Surpreendeu-se. A adulteração não tem parâmetros. Falsifica-se tudo em todos os lugares. Álcool e gasolina puxam a fila. No álcool, adiciona-se água. Na gasolina tudo, inclusive álcool e solvente.
GASOLINA 2 - Não é válida a regra que pequenos postos em cidades pequenas, bairros pobres, estradas afastadas dos grandes centros, ou com má aparência, ofereceriam maiores riscos que os outros. A falsificação é democrática e sem controle.
GASOLINA 3 - A Agência recebe para fiscalizar mas não o faz. Há pouco tempo criou legislação obrigando postos a guardar amostras da última compra para o caso de algum dia um fiscal passar pelo local. Medida inocente. O falsificador ou o vendedor de combustível falsificado guardariam uma amostra perfeita, de combustível comprado em posto sério.
GASOLINA 4 - O problema é de essência. A Agência foi criada com meios e poderes para cuidar dos combustíveis. É tão poderosa que tem como presidente um genro do presidente FHC, que por isto concedeu a instalação da entidade no Rio de Janeiro, mesmo tornando ociosa a estrutura do antigo Departamento Nacional de Combustíveis, instalado em Brasília. Os números da Agência são fantásticos e o varejo da fiscalização é dificuldade cuja demora em sanar gera questionamentos.
GASOLINA 5 - Com a incompetência pública, as distribuidoras inventam soluções para garantir que seus postos vendem o produto sem falsificação. A Petrobrás fiscaliza e alardeia. Texaco e Esso tem seus métodos, e agora a Shell criou um aditivo para diferenciar a sua. Chama-o de DNA. Se tem, é Shell. Se não tem e foi comprada num posto Shell, chame a Shell e a polícia.
GASOLINA 6 - Esta questão de gasolina falsa passa pela Justiça. Enquanto um tribunal superior não definir a dúvida que permite sentenças que autorizam distribuidoras e postos não recolher impostos -- não recolhem, fecham as portas e surgem à frente com outra distribuidora ou posto -- e até haver sentença de juiz federal enquadrando a Agência na legislação de proteção ao consumidor, o assunto não melhora.
GASOLINA 7 - Que surpresa esta questão da mudança da marca-fantasia da Petrobras para PetroBrax. É mera alteração de logomarca, um movimento de estratégia comercial no exterior, e gera monumental onda de protestos de políticos. A Esso virou Exxon. A inglesa British Petroleum se transformou em Beyond, exatamente para quebrar a barreira da ligação entre a empresa e o país, e não se registraram protestos. O óleo da Petrobrás se chama Lubrax. Há dúvidas: é excesso de insuspeitado patriotismo, ou há nestes inflamados discursos algo mais simplório e tangível? Sem trocadilhos, a questão é um x.
SEM RUMO - A eficiência de um empregado na Malásia pode tirar o emprego do engenheiro em Detroit. Ou o incentivo das Ilhas Maurício pode fechar uma fábrica na Rússia. Ou seja, em matéria de globalização toda ação provoca uma reação -- e ninguém sabe o que vem, nem de onde. Nesta questão encontram-se os funcionários da Delphi, multinacional produtora de componentes automotivos em Betim, MG. De férias, receberam telegrama comunicando a dispensa e o fechamento da unidade. Sem explicação, embora atribuída ao fim do prazo para gozo de incentivos fiscais.
ACORDO - A Firestone iniciou fazer acordos com os consumidores acidentados usando pneus de sua marca. Quer evitar discussões judiciais e o pesado martelo dos juizes norte-americanos, onde houve maior incidência de problemas. Primeiro acordo, com cliente que ficou tetraplégica, US$ 40 e picos milhões.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br