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Contra recall, uma agência reguladora

Falta a parte do governo para que problemas como os
 do Corsa, Palio e Celta tornem-se menos freqüentes

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

O anúncio do recall do Celta, veículo no qual a General Motors aposta suas fichas de revigoramento na participação do mercado dos carros da primeira faixa de preço, expõe a imagem do automóvel, a exemplo do que ocorre com o Corsa, submetido a idêntica chamada de reparação.

Riem os concorrentes, antes preocupados com o anúncio não cumprido do preço mais baixo e com a aura de modernidade que prometia, ao ser produzido na mais atualizada das unidades da General Motors.

Vendedores das marcas concorrentes, quando os comparam com os produtos da GM dizem, ironicamente, que os carros mais baratos da Chevrolet são os únicos que já vem equipados com recall...

No caso específico do Celta, busca-se a troca de uma peça da suspensão dianteira, um braço que pode romper-se em pancadas, como os buracos infelizmente comuns neste país. Por quê?, perguntará o atento leitor, que sabe ser o Celta uma nova carroceria sobre a mecânica do Corsa. Por economia besta. A GM, para reduzir custos, trocou a peça, que no Corsa é em ferro nodular, por outra de ferro fundido. A primeira resiste mais aos buracos. A segunda, custa poucos reais a menos -- bem poucos -- mas arrisca a vida alheia.

O recall busca evitar que os Celtas, por rompimento desta peça, fiquem indirigíveis e causem acidentes e danos, identificando os carros da GM como inseguros, sem qualidade -- um novo e desnecessário aumento no desgaste em imagem pública da companhia.

Caso isolado?

Recall não é privilégio da GM. Quase todas as marcas já fizeram e farão esta chamada para correção de defeito que afeta a segurança. No caso da GM com o Corsa e as ancoragens de seu cinto de segurança, o questionamento que se encaminha para a Justiça e na Comissão de Defesa do Consumidor na Câmara dos Deputados está na demora entre constatar o defeito e iniciar o recall

Defeitos perigosos surgidos depois do lançamento são uma conseqüência nociva da globalização; um mal da competitividade crescente no mercado. Passa pela angústia pela redução de custos; pelo baixar de preço dos veículos; pelo rápido desenvolver de um novo veículo, via computador operando on line simultaneamente com engenheiros de vários países; processo que acelera a rapidez no desenvolvimento do produto; substabelece aos exercícios em computador boa parte dos testes de campo, e reduz o número de engenheiros nas montadoras de países satélites, como é o caso do Brasil.

E há, ainda, um fator externo: o fabricante de autopeças, submetido a enorme pressão para vender a preços menores, é forçado a baixar seus custos, seja nos processos internos, seja por terceirizar a produção ao todo ou em parte, procedimento de autopreservação que pode comprometer a qualidade do componente fornecido.

Para sanar estas inconveniências, o remédio é conhecido e os usuários têm aprendido sua posologia: cobrança