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A direta relação imagem vs.
velocidade nos
recalls

Fiat e GM agem com diferente rapidez quanto aos
problemas dos cintos no Palio e no Corsa

por Roberto Nasser

Roberto NasserRecall virou termo da moda, e agora o consumidor sabe um pouco mais de seus direitos com relação à segurança dos bens e serviços que utiliza. No caso dos veículos, nas últimas semanas houve uma bateria de informações relativas à chamada dos automóveis que portariam equipamentos cujo emprego arrisca a vida dos usuários, para sua substituição, sem ônus.

Recall, uma convocação do veículo, é uma obrigação determinada pelo Código de Defesa do Consumidor. Sempre que um fabricante percebe, sabe ou descobre que o produto tem um componente que traz perigo aos seus ocupantes, convoca-o a um revendedor para trocar a peça ou conjunto perigoso. A chamada técnica, outra modalidade de assistência aos consumidores, se faz com ou sem conhecimento do dono do veículo, constituindo-se em substituição de um componente que dá ou pode dar problemas, sem entretanto risco de segurança.

Pára ou anda

Desde agosto há noticiário constante no setor. Á época houve uma conclusão por órgãos norte-americanos de que pneus Firestone, equipamento de série dos utilitários-esporte Ford Explorer, estavam envolvidos em mais de cem acidentes com mortes.

A Ford, que comprava os pneus, agiu imediatamente: parou de produzir Explorers para que os pneus de outras marcas que estavam em estoque pudessem substituir os Firestone dos carros dos clientes; fez anúncios enfáticos de página inteira nos jornais norte-americanos se solidarizando com os usuários e abrindo suas revendas, e a das marcas que controla, além de cadeias de lojas que dão assistência a veículos, para trocar, sem discutir, os pneus Firestone, por outros de outras marcas; avisou que não mais compraria pneus da marca, encerrando uma relação de décadas. A Firestone demorou a reagir e foi tímida ao estender a mão aos usuários.

Moral da história: a Ford saiu bem do evento -- perdeu 16% de seu lucro trimestral por conta da suspensão temporária da produção dos Explorer, mas manteve a credibilidade da clientela. A Firestone vê cair vendas -- mês passado, nos EUA, supermercados
ofereciam quatro pneus da marca por US$ 99, menos que pneus coreanos de qualidade discutível --, despencar suas ações e seu conselho diretor acaba de fazer cair seu presidente.

No Brasil a GM fez um recall para a família Corsa e o Tigra, importado que utiliza a base mecânica do Corsa. Troca do mecanismo de fixação dos cintos de segurança dianteiros, cujo uso pode causar fissuras no metal e seu rompimento em caso de solicitação extrema, o que pode matar. Mas só o fez porque uma jornalista -- Marly Olmos, do jornal Valor Econômico -- publicou a notícia. A GM, que não estava preparada, teve que agitar-se às pressas e até a entrevista de imprensa para o anúncio foi adiada. Com o deflagrar do processo, descobriu-se que a empresa conhecia o problema há meses e não cuidou de corrigi-lo, o que causou ira do Procon paulista.

A Fiat está anunciando um recall para colocar um espaçador na ancoragem do cinto, para aumentar sua ação. Saiu na frente do problema levantado por uma publicação, que realizou crash tests -- testes de impacto -- com carros nacionais 1.000 e neles os cintos do Palio EX abriram.

A marca não tem indicações de lesões ou mortes causadas pelo sistema, e o método utilizado pela revista não segue as normas européia ou brasileira, mas ainda assim adiantou-se, anunciando a revisão do sistema e a colocação do espaçador na família Palio 1.000 produzida de 1998 para cá, além do picape Strada de qualquer motorização, exceto a linha 2001.

As duas empresas são acionariamente embricadas, mas pensam e agem de maneira diferente.

O público

A Gazeta Mercantil, através de seu portal, fez uma pesquisa a respeito e concluiu que ao público a demora em agir prejudica a imagem dos fabricantes. No caso, aproximadamente 60% dos consultados acharam que o aviso tardio compromete a imagem das marcas. Aproximadamente 30% têm visão mais ampla, achando que falta segurança aos carros nacionais; 4% dos consultados entendem que é comum aparecer problemas nos carros e que isto ocorre em todo o mundo; outros 4% acham que a convocação pode ser tardia, mas se for realizada não afeta a imagem das montadoras. Restantes 2% não se manifestaram.

Causa

Há vertentes várias com relação aos itens que podem causar problemas nos automóveis nacionais. Teoriza-se que o fato de o Brasil ter-se globalizado, reduzindo sua engenharia por receber projetos prontos, adequados aos países de origem, de primeiro mundo, pode surpreender-se com problemas advindos das solicitações extremadas num país de terceiro mundo.

Outras, que a pressa em busca da produtividade, que reduz o tempo de projeto, testes e produção de um novo veículo, não permite testes muito extensos, e que problemas podem surgir com o uso intensivo, depois do lançamento. Outra ainda que os veículos são produzidos para durar cada vez menos, com ciclo de vida menor, forma de induzir um giro mais rápido para sua substituição.

Caminho

Talvez a solução para estes casos seja a implantação de um organismo oficial e o estabelecimento de um padrão de exigências para testar e aferir características, padrão construtivo, resistência ao uso árduo -- como é o nas condições nacionais -- durabilidade, segurança ou, até, se os veículos cumprem todas as exigências legais.

Qualquer seja o desdobramento, a impressão que me resta é que o consumidor vai lentamente reagindo e buscando seus interesses e direitos. É exatamente esta ação do comprador e seu julgamento sobre os fabricantes, que ajudará a consolidar qualidade construtiva.

A Nissan e suas oficinas virtuais

Goianos fossem, os concessionários que representavam a Nissan teriam definido a ação da Renault como tendo "abandonado os companheiros na chapada" -- ou na mão, ou a pé, ou com uma mão na frente e outra atrás, ou sem pai nem mãe.

Pouco importa a definição regional ou temporal, mas a questão é a seguinte: a representante brasileira da japonesa Nissan, a trading Marubeni, montou uma empresa, a Nisbra, para representar a marca por aqui, tocando o negócio,
montando rede de concessionárias, e com a característica de quem não era do ramo -- ou não entendia o mercado nacional -- submeteu-a a sofrimentos em altos e baixos, sempre prometendo dias melhores.

Mal de finanças, a Nissan passou seu controle acionário à Renault, que iniciou saneamento anunciando no Brasil construir fábrica no Paraná e lançar cinco produtos (entre eles o novo Frontier, na foto), simbiose com os Renault, em revitalização total.

Se os concessionários tinham esperanças de melhor condução e maior rentabilidade, usaram-nas para saudar a nova direção, porque os fatos mostraram que elas acabariam em breve. A Nisbra avisou encerrar atividades em 31 de outubro, e se foi, sem indenizar os concessionários subitamente afastados do negócio.

E a Renault participou que nada tinha a ver com a rede anterior. E que se os concessionários Nissan quisessem a bandeira, que se inscrevessem, junto a não-concessionários, e que o fato de terem sido oficinas Nissan nada agregaria em valor relativamente a outros interessados. Apenas três, dentre os 19 que integravam a rede, se habilitaram.

A Renault, quer dizer, a nova Nissan sob direção Renault, tentou aproveitar o representante de Campo Grande e a KTM, de São Paulo, e surpreendeu-se com a negativa de ambos. A tendência aos demais é buscar o caminho da Justiça, num processo que vai dar o que fazer, pois a Marubeni, controladora da Nisbra, é poderosa empresa, de volumosos investimentos em empreendimentos nacionais. E ao contrário da Nisbra, tem ativos bloqueáveis em uma discussão.

A Nissan está formando sua nova rede nomeando concessionários entre os Renault. Os usuários, proprietários e consumidores não foram perguntados. E descobrem não ter onde buscar assistência ou garantia. A rede antiga não é mais. E a nova, não é ainda. Proprietário de Nissan vive num limbo. Tem assistência virtual.

Para quem chega ao Brasil com grandes planos, novidades, fábricas, rápido crescimento, e já ocupa a quinta posição entre as montadoras nacionais, fingir nada ter com o assunto pode ser confortável, mas não é correto. Não é um arranhão, é um lanho na imagem.

Roda-a-roda
RECALL - Em meio a este clima de recall do Corsa, uma informação interessante. Nos EUA um futuroso Chrysler, o Prowler, apresentou fissuras nos elementos de alumínio da suspensão. A empresa fez um recall e a Alcan, que era a fornecedora dos componentes, inovou: mandou trocar os carros que apresentassem defeito por outros, zero-quilômetro.
PRA FORA - Depois de alimentar as britânicas linhas de produção da Land Rover com o motor diesel HS 2.5, que produz no Rio Grande do Sul, a Maxion fechou acordo operacional com a Unipart, responsável pela distribuição de peças da marca na Europa, para onde remeterá componentes de reposição. A Maxion é o maior produtor independente de motores diesel no Mercosul.
UNIÃO - Fiat e Iveco, seu braço de veículos industriais, uniram-se e montaram fábrica em Sete Lagoas, MG. Começa fazendo Ducato e Daily em versões picape grande / caminhão pequeno, van e microônibus. Pode fornecer também à Peugeot, sua sócia européia nestes veículos em versão mais leve -- por enquanto o negócio franco-italiano ainda não está acertado. Paolo Cantarela, CEO da Fiat convida para a inauguração da empresa, dia 10 e anuncia outra parceria: o presidente Fernando Henrique e o governador Itamar Franco estarão presentes -- o que não ocorre há tempos.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br