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Ferramenta Fiat para crescer:
reestilizar o Palio, reposicionar produtos

Palio 2001

A marca de Betim tem agora uma linha ampla de
modelos 1.000 e um novo Palio com grandes qualidades

por Roberto Nasser

Roberto NasserA Fiat começa a comercializar a nova família Palio. Inicialmente só este automóvel. Ao final de outubro, a versão Weekend. E um mês após, o novo Siena. Revistos em estilo por Giorgio Giugiaro, criador do Uno, eleito o Designer do Século, e reacertados em mecânica e conforto, como a adição do motor 1.000 de oito e 16 válvulas com tecnologia Fire, a embreagem com comando hidráulico, mudança nos sistemas de direção, suspensão, e um bom isolamento termoacústico.

Pode parecer curioso que esta reestilização surja apenas quatro anos após o seu lançamento, quando o ciclo de produtos no Brasil é bem mais amplo, e que o Palio é tanto ou mais atualizado que seus principais concorrentes. Mas explica-se porque o Palio é um carro mundial, ferramenta de ataque da Fiat a mercados em desenvolvimento. Sua maior produção é no Brasil, de onde saem componentes para montá-lo na Turquia, Índia, Vietnã, Rússia, África do Sul, dentre outros mercados.

Palio Weekend 2001
Assim, apesar do Brasil ser seu maior mercado e base de produção, a renovação da linha é passo fundamental a que a Fiat se mantenha competitiva nos mercados mundiais. Como empresa que descobriu há anos que o futuro está em mercados emergentes, é do sucesso nestes que aposta em seus lucros. Sob esta ótica, o lançamento desta revisão do produto brasileiro objetiva os mercados externos de maior competitividade, e nele o Brasil entra como conseqüência, sendo atingido pela produção desenvolvida para os mercados de exportação. (Isto nem sempre ocorre. Há casos na literatura automobilística brasileira de se construírem veículos melhores que os nacionais, exclusivamente para exportações.)

CONSEQÜÊNCIAS

Esta situação traz desdobramentos interessantes ao mercado nacional. Começa, por exemplo, com a realização do lançamento mundial comandado pela Fiat Automóveis e realizado no Brasil. O segundo desdobrar permitiu à montadora de Betim reposicionar sua linha, situando o Uno Mille como o mais barato do mercado; criar a versão Young sobre o Palio, em excelente posição de competitividade entre formulação, estilo, equipamentos e preços.

Na linha nova as novidades são resultados de processos. A motorização Fire, por exemplo, tecnologicamente avançada, tem produção mais racional e custos menores, assim como o sistema de acelerador eletrônico (drive-by-wire), onde um sensor no acelerador comanda um micromotor elétrico no sistema de injeção -- a menor custo que as articulações mecânicas.

Outro, é utilizar o nome de Giorgio Giugiaro como uma griffe que agrega valor aos produtos. De repente, Giugiaro, lembrado por ter feito o Maserati 3200 GT, os Bugattis, carros referenciais de estilo, estende sua ação ao carro vendido dentro da antiga noção de popular, os dotados de motor 1.000.

O que a Fiat pretende é ampliar suas vendas, abrindo um leque. A postura é aumentar sua participação no mercado. Quer subir dos atuais 26%, com reposicionamento dos produtos e boa adequação entre conforto e preços.
Bora. Não parece, mas é.

Ampliar o leque de opções para fazer o cliente ficar na marca. É esta a definição filosófica da Volkswagen para a sua decisão de importar do México uma cota anual de 1.000 unidades do Bora. O automóvel, um sedã de três volumes, quatro portas, equipado com motor 2.000 de 116 cv, terá como missão situar-se em habilidades, aplicação, formatação e preço acima do Golf e abaixo do Passat -- que a empresa trará da Alemanha, em versão revista e melhorada, a partir de março próximo.

É resultado do trabalho da Volkswagen neste desenvolvimento da plataforma do Golf, um de seus sucessos mundiais, e produzido no Brasil, onde dispõe de boa parte das peças para reposição. Serviço bem feito, não sugere uma carroceria de dois volumes ao qual foi aposto um porta-malas, como a maioria destas versões. Bora
Apresenta mudanças como grade, capô, pára-choques, pára-lamas, grupo ótico diferentes do Golf, o que lhe dá personalidade própria.

Quanto à escolha do nome, dúvida suscitada durante as providências de finalização do negócio, deu-se por característica de latinidade. É que o outro batismo, Jetta, empregado para as exportações aos EUA -- em princípio, um nome gerado por computador que nada significa --, nos países de língua espanhola significa "cara feia".

Miguel Carlos Barone, vice-presidente de marketing e vendas da VW do Brasil, explica que a quantidade aparentemente pequena justifica-se pela capacidade da fábrica mexicana de Puebla, que opera a gás pleno, em números crescentes, exportando 80% de sua produção, e que também servirá como pesquisa ao vivo de mercado. A avaliação e o posicionamento mercadológico parecem lógicos.

A Volkswagen tem como alvo os Chevrolet Vectra e Astra sedã; Renault Mégane, Honda Civic e Toyota Corolla, com um leque de preços que deve abrir em R$ 35 mil para a versão mais simplificada, chegar a R$ 42 mil para o pacote decorativo e de facilidades chamado Confortline, e fechá-lo em R$ 45 mil com esta versão de topo empregando transmissão automática de quatro marchas.

As importações do Bora se enquadram no acordo comercial fechado com o México, para um negócio de troca de 40 mil unidades neste ano e 50 mil em 2001, com um imposto de importação fixado em 8%. O acordo dinamizará o comércio de dois países com capacidades automobilísticas e renda per capita assemelhadas, mas em contraposição desestimula economicamente a produção nacional do Bora, inicialmente prevista para a fábrica de São José dos Pinhais, PR, onde a VW do Brasil faz o Golf, e tornada esforço ocioso pela importante negociação entre Brasil e México. O automóvel estará à venda em dezembro.

Problema com os Firestone continua

Embora com poucos reflexos no Brasil, o recall dos pneus Firestone, feitos por esta fabricante e pela própria Ford, que os utiliza em seus utilitários Explorer, está sendo visto mundialmente como capaz de cindir a ligação quase centenária entre as duas empresas.

Nos EUA e em mercados onde a Ford tem grande penetração, como a Venezuela, contam-se aproximadamente 100 mortes causadas pelos defeitos nos pneus Wilderness e problemas
envolvendo este relacionamento. Na Venezuela a relação está tão deteriorada que os revendedores Firestone e Bridgestone fizeram um comunicado acusando a Ford de infâmia por ter assumido o problema.

Os revendedores destes pneus acham que a Ford os expôs e que todos os usuários de pneus Firestone acreditarão que todos os pneus da marca são defeituosos. O sindicado dos trabalhadores da Ford Venezuela fez nota onde os metalúrgicos afirmam conhecer o Explorer que produzem, que confiam na Ford e neles mesmos.

No Brasil, diz a Ford ter atendido pequeno número de Explorers ainda com os pneus nas séries compreendidas no recall, encaminhando, realizando ou agendando a substituição. Mas o jornal Estado de Minas relatou o caso de um mineiro, usuário de picape F250, que teve um pneu explodido, com as mesmas características do defeito notado nas séries dos Wilderness -- o que pode significar que o defeito não é localizado numa das unidades da Firestone norte-americana, mas pode estar presente até na fábrica nacional.

Enquanto a situação não se tornar clara ou houver uma definição por algum órgão público sobre a qualidade e segurança dos Firestone, ao que parece, uma das conseqüências adicionais deste problema pode ser a definição da Ford em cortá-la como sua fornecedora.

Nossa culpa

Matéria finita, da qual o mundo depende, o petróleo sobe de cotação e desnuda a política energética brasileira -- ou sua falta. Dependemos de 300 mil barris diários em importações; o preço externo é o que baliza o preço interno -- apesar de produzirmos 70% do nosso consumo. Transporte coletivo elétrico, não temos. Nosso plano alternativo, o Proálcool, é uma vergonha cíclica.

Receio as medidas ditadas pelo desconhecimento -- aumento desmesurado do combustível como inibidor de consumo; supertaxação do IPVA como redutor de vendas de objetos consumidores de petróleo, pedágios com preços sem controle, estacionamentos urbanos a preços estratosféricos, proibição de corridas, punição a quem possuir um veículo. Inflação, recessão.

Já vimos este filme do despreparo na década de '70 e pagamos o preço da nossa incompetência até hoje.

Roda-a-roda
DNA - A Fiat contratou o festejado Giorgio Giugiaro para melhorar as linhas do Palio, Weekend e Siena. Resultado bom, numa apresentação onde os desenhos falaram com eloqüência. Faltou, entretanto, apor uma plaqueta nos automóveis, indicando a paternidade das mudanças, uma espécie de atestado de DNA para agregar valor aos novos produtos.
MAIS UMA - O Brasil ganhará mais uma fábrica de veículos em 10 de novembro. É a Iveco, o braço de veículos industriais da Fiat, que inaugura fábrica no município de Sete Lagoas, 70 km ao norte de Belo Horizonte. A nova montadora produzirá basicamente dois veículos: o Ducato e o Daily, van e furgão, transformáveis em microônibus e em veículo de carga, com motorização diesel, que será produzida pela Teksid, a siderúrgica da Fiat.
Saiba mais sobre o novo Corsa europeuNOVO CORSA - Apesar de ter lançamento programado somente para o final do ano próximo, o novo Corsa -- a linha com maiores dimensões que substituirá a atual -- já está em testes no Brasil. Uma unidade, sem emblemas externos, mas com as características lanternas traseiras nas colunas C e o emblema Chevrolet no volante, passou por Brasília há 15 dias. Viagem de testes.

Saiba mais sobre o novo Corsa europeu

NOVIDADE - As vendas de veículos pela Internet prometem dar panos para as capas. O Confaz, conselho que reúne os secretários de fazenda estaduais, aprovou a regulamentação do negócio. Mas o governo mineiro, que votou contra, vai à Justiça contra o sistema de rateio.
IDEM - Com, sem ou apesar do governo mineiro, a Fiat Automóveis iniciou a comercialização por Internet, com as bênçãos da associação da marca. O site é www.querocomprar.com.br. A questão, parece, será um novelo jurídico. Hoje GM e Fiat estão no espaço fazendo vendas. A Ford contra-atacou perguntando: por que demorar a receber um carro via Internet se o distribuidor Ford pode entregá-lo na hora?
IBIDEM - A DaimlerChrysler entrou no negócio. Para você imaginar o tamanho do portifólio destas duas empresas, basta considerar que entre marcas, produtos, versões, cores e equipamentos, dá para fazer 8 mil veículos diferentes. As opções continuam em formas de financiamento, prazo e local de entrega. Cliente faz o pedido e em 24 horas o revendedor mais perto de seu local de trabalho faz contato para fechar o negócio.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br