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A derrapagem da Firestone

Fábrica de pneus demora em substituir os 6,5 milhões
defeituosos; a Ford é mais ágil nos EUA e no Brasil

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserO mundo do automóvel assiste, entre assustado e temeroso, ao desdobrar do caso dos 6,5 milhões de pneus ATX, ATX II e Wilderness AT, todos na medida P235/75 R 15, fabricados pela Firestone nos EUA. No país de origem defeitos nestes pneus mataram, comprovadamente, mais de 60 pessoas, mas no Brasil não há estatísticas a respeito. A Firestone não produz tais modelos no país, mas veículos importados, como os Ford Explorer, podem tê-los.

A Ford agiu mais rápido que a Firestone, tanto nos EUA quanto no Brasil -- aliás a Firestone agiu com temerária lentidão para reconhecer os defeitos e assumir providências de reposição, assim mesmo realizando trocas com pneus da marca. A montadora de automóveis aderiu ao recall, uma chamada para o recolhimento e troca de peças defeituosas, e o fez em maior amplidão que o fabricante de pneus, dizendo-se preocupada com a segurança e a confiança do consumidor.

Por isto convidava os usuários de Explorer a verificar as inscrições nos pneus, e em caso positivo, a comparecer em qualquer concessionário Ford, Lincoln, Mercury, Mazda ou ainda em lojas de prestação de serviços para trocar os pneus. Mais ainda, parou as duas fábricas que fazem Explorer para disponibilizar o estoque de pneus na substituição dos defeituosos ou arriscados.

Lá e cá

No Brasil a chamada é menor. A Ford não tem registro de clientes reclamando de pneus de Explorers, uma frota de 4.000 unidades, sugerindo que os proprietários com pneus enquadrados na série defeituosa procurem as revendas Firestone. Explica Célio Galvão, gerente de imprensa da montadora, que seria impossível montar uma operação nos distribuidores Ford, pela falta de pneus para reposição.

O pneu ATX, um dos modelos em substituição. No alto, o Ford Explorer, que pode utilizar um dos Firestones com problemas

No Brasil a Firestone distribuiu uma nota à imprensa informando o recall para a troca de pneus da série mencionada por outros -- mas da sua marca.

Nos EUA sua ação foi mais abrangente. Anúncio de página inteira, publicado nos maiores jornais norte-americanos, chama os consumidores, promete fazer a troca, mas se o cliente quiser pneus de outra marca, paga US$ 100 por unidade, valor que inclui serviço e balanceamento. Sobre a diferença de tratamento entre o consumidor norte-americano e o brasileiro, e por que não há esta liberdade de escolha no Brasil, não obtive informação do Sr. J. B. Gusmão, gerente de relações corporativas da Firestone, indicado como a única fonte autorizada, em seguidas reuniões, não retornando a ligação telefônica.

E agora?

Não se conhecem números de pneus substituídos, e segundo informações da Ford, indicadas como sendo de fonte Firestone, esta indústria está trazendo pneus por avião para atender à súbita demanda de estoque -- uma fonte da Firestone desconhece esta logística de emergência.

Existirão alguns desdobramentos na questão, que cria uma abrasão com o montador do produto final: 1) a Ford deve deixar de utilizar pneus Firestone como equipamento original; 2) nos EUA a Ford saiu-se bem do episódio agindo rápida e consistentemente, o que não ocorreu com a Firestone; 3) a preferência pelos pneus Firestone deve ser abalada; 4) em plano geral há a possibilidade de um projeto de lei que altere a Lei de Defesa do Consumidor, centrando no montador do produto final a responsabilidade de dar, através de sua rede de revendedores, assistência a todos os componentes do bem, sem divisões como hoje há, em que pneus, componentes elétricos, bombas injetoras são tratados nas lojas que distribuem componentes.

Na coluna Atualidad Automotriz, publicada na Venezuela, tomei conhecimento do problema há três semanas, e nesta o articulista José Jacobi levanta dúvida importante sob o ponto de vista do distribuidor Firestone: como a produtora de pneus indenizará o comerciante tanto pela troca dos pneus defeituosos, quanto pelos outros, zero-quilômetro, em estoque pago. Quem ressarcirá tais gastos?

Não é questão fácil, não é barata, nada será como antes. Mas espelha uma lição para a indústria, comércio e serviços: custa muito menos agir rapidamente e corrigir os defeitos, que fingir desconhece-los.

A GM e a Internet

A GM espera ter acertado com sua rede de concessionárias até meados de setembro, quando iniciará a comercialização do Celta, seu subcompacto feito em sua nova operação industrial em Gravataí, RS.

A GM quer realizar vendas pela Internet, apostando nesta fórmula para o futuro, mas sua rede de revendedores -- assim como o dos distribuidores de todas as marcas -- vêem esta fórmula com reserva e receio. Uma das parcelas na conta para reduzir o preço final do Celta é o menor custo comercial para o veículo.

A competição entre as montadoras leva à otimização de processos industriais e comerciais. O mercado é de preços.

Roda-a-roda
PREÇO - Quanto custará o Celta? Não serão os R$ 8.900 prometidos anos atrás pela GM, preço considerado de prática impossível aos custos de hoje. Mas não pode superar os R$ 12.000 para não enfrentar os outros 1.000 com maior opção de equipamentos, motores e número de portas.
AMIGOS - Sócios, sócios, negócios à parte. Garante-se dentro da Fiat que esta é a ótica da empresa relativamente ao Celta e ao mercado. Não fará do Mille Smart concorrente para o novo carro, pois manterá preço inferior. O Palio foi escolhido para peitar a novidade do sócio. O atual modelo terá preço frontal. E somente o novo, que surgirá no final do ano, tracionado pelo novo motor Fire 1.000, ficará acima na escala de preços.
SLOGAN - Parece que a montadora mineira adaptou o slogan que a GM utiliza -- "Pickup, este território é Chevrolet" -- para "1.0 é com a Fiat".
NOVO - A Honda deve aproveitar a convenção de fim de ano com seus revendedores para anunciar o próximo produto da marca. Não será, ainda o CR-V, simpático jipinho que hoje importa e vende. Crê-se, curiosamente, num produto para concorrer na faixa dos 1.000 cm3.
DESCE - Os jipes Jimny que na Suzuki substituíram os modelos Samurai estão de chegada marcada. Em setembro começarão a ser vendidos, preço calculado em torno de R$ 30 mil. A Suzuki diz que estudos podem reduzir a cotação final. Faria melhor negócio se trouxesse, importando ou fazendo, o velho Samurai. O mercado é mais Samurai que Cherokee.
APOIO - Leitor Vanderlei Gaido, via e-mail, concorda com a opinião da Coluna há algumas edições: falta no mercado nacional um pequeno jipe, simples, barato, econômico. O mercado dos 4x4 não pode ser apenas de Cherokees e outros em torno e acima de R$ 100 mil.
RECOMEÇO - A Ford utiliza o Mondeo versões GLX 2.0 e Ghia 2.5 V6 para aumentar sua oferta de produtos. Num bom conjunto estético e mecânico, o GLX tem motor Zetec de 2.000 cm3 e 130 cv, câmbio manual ou automático, custando US$ 26 mil. A opção Ghia utiliza o motor V6 também Zetec, 2,5 litros e 170 cv, com transmissão automática. Custa mais do que a lógica: US$ 42 mil.
COMPETÊNCIA - Comemorando venda de 1.080 carros em julho, a Audi apresenta novo modelo, o A6 com motor 4.2. O preço proporcional ao veículo e características -- uns R$ 170 mil. Para a Audi, crise anda longe. Nos primeiros sete meses deste ano vendeu quase três vezes mais que em 1999, mérito do A3 feito em Curitiba, PR.
AJUDA - A Toyota resolveu dar uma mão aos deficientes interessados na compra de seu Corolla com transmissão automática: absorverá o ICMS do veículo. Tal ato, somado à isenção de IPI concedida pelo governo federal, permite que a versão XEi automática custe R$ 22.671, posto fábrica, contra R$ 38.113 do carro sem descontos.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br