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Alfa, estado de arte

A marca italiana encontra-se num momento
em que toda a linha possui charme e personalidade

por Roberto Nasser

Roberto NasserA expressão está desgastada pelo fato de ter sido utilizada em coisas não justificáveis. Mas não é o caso. A Alfa Romeo, beirando os 90 anos, está vivendo um daqueles momentos onde se aproveita o condicionamento, adota-se receita de competência, um pouco de arte, entusiasmo, uma pitada de sorte, e o resultado é formidável.

Toda a sua linha de produtos, o 145; o 146 -- não vendido no Brasil, mas um sedã 2 e ½ volumes; o sedã de quatro portas 156, que quintuplicou as vendas da marca no segmento; o mais recente chegado no Brasil, o 166; a versão perua do 156, o Sportwagon; e o agora apresentado 147 destacam a marca. Poderia dizer, é um momento de invulgar coerência de linhas, produtos e formulações. Todos são visualmente charmosos, harmônicos entre área externa e interna, charme em formulação, equilíbrio em arquitetura mecânica. O design italiano tem na marca o seu melhor efeito-demonstração.

A Mercedes detém hoje o pico da tecnologia de segurança aplicada aos seus produtos. A Audi é identificada como agregadora de tecnologia de desempenho. A BMW como charme visual e confiável mecânica alemã. A Jaguar, a melhor demonstração de mudança total de uma marca, aproveitando a carroceria antiga em formulação, mas que desde 1971 referencia um dos sedãs mais bonitos do mundo. Mas nenhuma marca de expressão consegue ter todos os produtos com charme visual, um traço personalístico de família, bom projeto de uso, bom rendimento mecânico. Neste momento a Alfa consegue. É um momento mágico -- e rentável. O estado de arte.

O novo 147

Mostrado no Salão de Turim -- um pequeno salão regional, mais ancorado em design do que em produto, mas que neste ano atraiu jornalistas de quase todo o mundo --, o Alfa 147 será o sucessor do 145, também exposto e mantido em produção.

Mantém o charme visual da marca, que se atrela a ícones visuais do seu marcante passado. Virá equipado com o aparato eletrônico de segurança, começará a ser produzido em outubro e deverá chegar ao Brasil em março do próximo ano. Preço? Um pouco acima do Audi A3.

Saiba mais sobre o Alfa 147

Saiba mais sobre o Salão de Turim

De globalização -- e oportunidades

A formação de blocos econômicos, integrando países e quebrando as barreiras tributárias, pode trazer bons resultados a quem os procura.

Um jornalista inglês quis comprar um Alfa 156 na Inglaterra a 22 mil libras esterlinas. Pesquisando descobriu que se importasse de um concessionário na Dinamarca, o preço cairia a 12.380 libras. A explicação é que no mercado dinamarquês a taxa de importação é altíssima, e assim, para fazer vendas, o preço básico dos fabricantes é menor. Como o carro é reexportado, não paga o imposto de importação para o primeiro país; como é membro da Comunidade Européia, pode ser reexportado sem pagar imposto interpaíses, restando apenas o VAT, o imposto interno inglês.

Assim o Alfa encomendado na Dinamarca, com especificação especial, de volante do lado direito, custou 60% do preço inglês.

O Mercosul é um bloco econômico, como o é a CEE, mas aqui o negócio é embrionário e tentativo. Por isto não se pode comprar um automóvel num país membro, Argentina, Uruguai ou Paraguai, e trazer para cá -- só as empresas listadas por protocolo têm cotas e negócios com carros novos. Carro usado, então, é um contra-senso -- simplesmente não pode. Nem comprar num dos países aliados e rodar aqui. Um dia, quiçá, chegaremos a um equilíbrio que permita comércio integral...

De paixão -- e de grana...

Para o Dr. Lalau, o foragido juiz do TRT paulistano, acusado de participar do saque ao dinheiro público durante a construção inacabada da sede do tribunal; que gosta de automóveis e tem boa poupança: a Blackhawk Collection terá faustosa exposição de automóveis antigos colecionáveis no Campo de Golfe Peter Hay, junto à minúscula Pebble Beach, na charmosa e cara Carmel, Califórnia.

Um dos automóveis oferecidos à venda é um Isotta Fraschini 1930 Commodore Cabriolet, carroceria Castagna. Sonho para poucos. A venda promovida pela Blackhawk integra o programa do melhor fim-de-semana antigomobilístico do mundo, de 16 a 20 de agosto, e o Isotta será apenas um das referências. Ano passado, só em Duesenbergs, o topo da indústria norte-americana, haviam 13. Interessado? www.blackhawkcollection.com.

Importar veículos de coleção com mais de 30 anos de fabricação é possível, informa a Fundação Memória do Transporte, consultora para a compatibilidade de valores de compra e de mercado, que entende, porém, não haver compatibilidade entre lalaus e veículos antigos.


Coisas do mercado

Mês passado as vendas de automóveis zero-quilômetro mantiveram expansão para a categoria dos 1.000 cm3 de cilindrada, assinalando 69,2% de participação. E na listagem dentre os 22 veículos com motor de 1 litro, o Uno Mille foi o mais vendido, assinalando vendas em torno de 10 mil unidades.

Evidentemente que este pulo se deve à criação da versão Smart, melhor equipada e com um pacote paralelo de atrativos -- licenciamento, tanque cheio, extensão de garantia, seguro -- que somam equivalentes R$ 1.600. Mas igualmente claro que o mercado se empobrece, apostando nos carros de menor preço.

Foi isto que fez a Ford exumar o Fiesta de três portas, trazendo-o de volta ao mercado como o carro de menor preço da marca: R$ 13.800 promocionais até o final de junho.

Roda-a-roda
AUMENTO - Vem aí mais um aumento nos combustíveis. Não há justificativa intrínseca ao produto, mas apenas a necessidade de fazer caixa para cumprir os ajustes com o FMI. Neste ano eleitoral seria interessante associar o desvario governamental, que não consegue justificar o aumento ou sequer fiscalizar a qualidade do combustível que sobretaxa, aos candidatos do PSDB e dos partidos que apóiam o governo federal. O Governo só é sensível quando a turma dele protesta. Apoiou o desvario ? Vote no concorrente.
EMPRÉSTIMO - O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social vai aumentar os empréstimos que realiza à Volkswagen. Não se divulgou o valor do negócio, destinado à reformulação da área industrial de São Bernardo do Campo, SP, a velha e superada fábrica da Via Anchieta, mas o primeiro, para a instalação da fábrica de São José dos Pinhais, PR, para fazer o Golf e o Audi A3, foi de US$ 294 milhões.
POSTURA - Para pensar: o mercado brasileiro consegue conviver com a franqueza ou gosta de ser enganado até o último momento? Roberto Testore, o número 1 da Fiat italiana, anunciou que a marca voltará ao mercado norte-americano em 2003 através do novo Alfa Spider. Ou seja, cantou o fim do modelo atual. No Brasil a postura de comunicação dos executivos das fábricas é diferente. Para tentar ser elegante, pode-se dizer que são de franqueza extremamente contida. Dificilmente um dirigente concorda com uma pergunta sobre o fim de um produto. Giovanni Razelli, então superintendente da Fiat Automóveis, falou que o Tempra sairia de linha -- sem precisar data -- e o mercado passou a repelir o automóvel, que á época tinha a melhor relação de custo x benefício, além de ser italianamente imbatível em sua relação de comprimento x área interna e aproveitamento de espaço. Qual é a nossa? Não sabemos conviver com o previsível fim? Gostamos de meias-verdades? De mentiras integrais?
BRASILIDADES - Motorista da Fiat me conduziu do Museu da Alfa, em Arese, perto de Milão, a Turim. Andando muito rápido e com grande competência num Lancia K 2.000 Turbo -- o motor opcional do Marea no Brasil. Da conversa não entendeu duas coisas: por que não se permitem automóveis a diesel no Brasil (ele não sabe a inexplicável conta que taxa todo o petróleo, menos o diesel, muito mais a gasolina, e a falta de uma política energética); e como se consegue tanta potência dos motores 1.000 (conseguimos quase 70 cv sem turbo; lá, arranham-se os 50 cv).

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br