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Eclipse 2000: até o ronco agrada

Conforto aprimorado e suave motor V6 no lugar do
arisco turbo dão nova personalidade ao esportivo

por Roberto Nasser

Roberto NasserDirigi o Mitsubishi Eclipse 2000 em seu lançamento. Já havia visto o carro, bem reformulado, e contra ele impunha historicamente a mesma distância cautelosa que mantenho dos Jeeps Cherokee: são os carros preferidos por jogadores de futebol, cujo universo de conhecimento é descompromissado com design e tecnologia. Havia dirigido alguns Eclipse de anos diferentes, e sua capacidade de perder tração e dirigibilidade nas marchas baixas, quando solicitados com vontade, lembravam-me a docilidade e a previsibilidade das vacas bravas.

Como tenho a liberdade de só fazer o que pode ser atrativo aos leitores, lá fui. Alterei o conceito.

O automóvel é outro. Do antigo tem o nome e a noção de estética. Foi alongado, ganhou mais espaço interno, teve trocado o agitado motor de quatro cilindros dois-litros turbo por suave, porém positivo, V6 três-litros 24V aspirado. Houve redução de potência e de disposição esportiva, compensados por um ganho de dirigibilidade, e controle e de segurança bastante sensíveis. Imagino que em pista molhada e curvas com raios apertados, o novo Eclipse irá melhor que o antigo.

O partido de construção tenta traduzir visualmente a esportividade com conforto. Se você quiser dirigi-lo com calma, engate o Drive na transmissão
automática e vá. O isolamento acústico é da melhor qualidade, os bancos confortáveis, os comandos à mão, a direção macia e precisa. O som é Premium, superior.

Entretanto, se você sentar ao volante com o chicote na mão, os 203 cavalos reagem e o resto do conjunto mecânico também. Como se diz em Catalão, GO, onde a mesma Mitsubishi faz picapes, você prega o pau, e o carro trisca. Quer dizer, se você quiser andar rápido, ele acompanha. Abra um pouco o vidro, para ouvir a sinfonia sensual do motor, inaudível com o carro fechado...

O motor, como todo V, é suave e macio, especialmente calibrado para oferecer torque quase linear, e com isto as respostas para o câmbio de quatro marchas são imediatas. Aos que gostam de dirigir com brio, a transmissão oferece a possibilidade de condução através do modo Sportronic. A aderência das rodas dianteiras é assegurada pelo controle de tração.

Pessoalmente não creio que o comprador do Eclipse 2000 tenha este perfil. Ele sugere o mesmo tipo que já gostou do Santa Matilde e aprecia o Peugeot 406 Coupé. Linhas esportivas, sem sacrifício ao uso.

Comentei com Eduardo Souza Ramos, representante da marca no país, que me parece um carro para bem-sucedidos garotões de 50 anos. Ele concorda. Acho que a idade começa a se infiltrar pelas falhas dos cabelos...

A Mitsubishi faz promocional desconto de US$ 10 mil para o automóvel. Assim, por R$ 109.900, qualquer bem sucedido garotão de 50 anos pode conduzi-lo, de maneira suave ou acicatando a cavalhada.

1.000 turbo: Gol, depois Ka

Os carros com motor de 1.000 cm3 de cilindrada são os mais vendidos no mercado, comercializando até 70% do segmento de veículos leves. A motorização passou por grande evolução nestes anos, e a engenharia brasileira é a que consegue produzir motores com a maior potência para esta cilindrada em todo o mundo.

A cavalaria gerada por estes engenhos vem aumentando sensivelmente. De 48 cv no Fiat Mille, ao seu lançamento, estes pequenos motores vêm ganhando potência e implementos técnicos: 16 válvulas, comandos roletados. O Ford Rocam, do Ka e do Fiesta, produz 65 cv; os 16V de Gol e Corsa chegam a 69,4 e 68 cv.

A Volkswagen resolveu esquentar o mercado com um 1.000 16 válvulas turbo. Projeta-se que o automóvel produza mais que 100 cv de potência e seja um 1.000 que ande igual a um 1.600 -- talvez custando o mesmo, mas válido o charme emblemático da palavra turbo. Lança-o no fim de maio.

E rede de revendas Ford em São Paulo, a Souza Ramos, entra na mesma trilha, com uma variante. Desenvolveu um kit para o Ka 1.000, busca a chancela desta marca e vai distribuí-lo através de suas lojas e outras revendas Ford tecnicamente preparadas, autorizadas à colocação deste implemento que custa R$ 3.000. A Souza Ramos recomenda a complementação com um pacote de decoração, que inclui pára-choques dianteiro e traseiro e defletores. O kit decorativo pode ser colocado em qualquer revenda Ford e custa R$ 800.

Pós-venda

Cees Hermanns, holandês e na Peugeot desde pequeno, número 1 da marca no Brasil, fez declaração que se enquadra na filosofia norte-americana citada na nota anterior. Foi no Cabo de Santo Agostinho, PE, onde há um hotel novo e total esquecimento da importância histórica do lugar.

Hermanns anfitrionava concessionários Peugeot, vendendo a convicção de que a marca quer ser a quinta no país até 2003, tendo como base a fidelização dos clientes, a permanência na marca à hora da troca de veículo. E afirmou que a Peugeot tem um dos maiores índices do País, que não dá atenção a isto. Segundo o executivo, na Europa mais de 70% do lucro das revendas vem do pós-venda. Nos USA, 50%. No Brasil as lojas, depois que vendem o carro, esquecem o cliente.

O encontro serviu para a apresentação prévia do sedã 607, o topo da linha -- e que será apresentado ao público em outubro, no Salão do Automóvel.

Roda-a-roda
QUALIDADE I - A Fiat aumentou, a partir de 14 de abril, o período de garantia dos Marea: dois anos sem limite de quilometragem e o apoio do Confiat, o serviço de assistência 24 horas. No embalo, a garantia do sistema de embreagem Citymatic também foi ampliado para dois anos. A Fiat quer marcar a qualidade do Marea como argumento de vendas.
QUALIDADE II - O sistema modular para a construção de caminhões pesados desenvolvido pela Scania ganhou o Prêmio de Engenharia de Projetos da Secretaria de Desenvolvimento Técnico da Suécia. A metodologia permite a construção de unidades específicas para cada cliente na mesma linha de montagem, a partir da intercambiabilidade de componentes.
NOVIDADE - A GM iniciou a produção piloto do Arara Azul, nome de código para o menor de seus produtos. O preço inicial anunciado, R$ 9 mil, para ser o menor carro e preço no Brasil, não será cumprido. Projeta-se R$ 12 mil. Se a GM vai conseguir ou não fazer o carro mais barato do país -- a Fiat diz que é impossível vendê-lo por menos que o Mille -- é questão a ser aclarada em agosto, quando o automóvel chegar ao mercado. Mas no processo a GM leva uma láurea, a do segredo: a imprensa não conseguiu ver o carro em testes, ou saber seu nome oficial. Aparentemente os testes externos foram feitos sob carrocerias alteradas do Corsa. E nem no âmbito do governo há papéis com a nova designação.
JÁ - A Mercedes-Benz definiu a apresentação de uma nova versão do Classe A. Será a 190, com 1.900 cm3 e projetados 125 cv. É produto de topo na linha, incrementando em desempenho, decoração -- e preço. A apresentação será em junho.
MAIS UMA - Dia 29 de maio, a Renault-Nissan anunciará formalmente os novos planos da ex-japonesa e agora agrupada a Renault. Será realizado pelo presidente da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, acreditando-se seja o de uma família de utilitários, começando por um picape. A Renault decidiu-se por participar também do segmento de utilitários no Brasil, investindo em fábrica própria.
ROUBOS & FURTOS - O Contran baixou resoluções estabelecendo que os negócios de ferro-velho, desmanches e que-tais só podem operar com registro no Detran, com fornecimento de listagem com os veículos desfeitos. Proibiu também que chassis de ônibus sejam empregados como caminhões. É tentativa de dificultar o furto de veículos, hoje um dos melhores empreendimentos do país.
PESQUISA - Agência norte-americana de pesquisas realizou levantamento para saber quais tipos de atividade desenvolvida pelos motoristas foram causadores de acidentes. Deu mãe apartando briga de meninos no banco traseiro, fumante apagando cigarro, operação de laptop, telefone celular, conversa com o passageiro.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br