Best Cars Web Site

Um vai-e-vem que amplia mercados

Volkswagen Bora

Acordo comercial Brasil-México traz possibilidade
de novos modelos a preço competitivo

por Roberto Nasser

Roberto NasserBrasil e México anunciaram que estão assinadas, no setor automotivo, as linhas básicas do acordo comercial que vinham desenvolvendo. Uma reunião em Brasília, em maio, e outra na Cidade do México, em junho, devem trazer as definições finais do processo.

O que se pretende, politicamente, é criar um braço de atividade comercial com países, o que facilitaria tratados futuros ou acordos entre blocos econômicos, como o Mercosul, do sul americano e o Nafta, do norte.

Há pontos a serem acertados, como a mecânica de trocas entre veículos x veículos e peças x veículos, assim como de empresas que não operam nos dois países, como é o caso da Fiat. Outro item polêmico é o conteúdo nacional, flexível conceito que pode inviabilizar o negócio. Briga de cachorro grande. E assuntos internos: como as montadoras preencherão as cotas de 40 mil unidades em 2000 e 50 mil em 2001, quem fica com quantos veículos ou quantos por cento, e qual será o critério de candidaturas.

Em andamento

É negócio que envolve diretamente as montadoras que operam nos dois países, como as três maiores norte-americanas, a Volkswagen, Renault/Nissan, BMW e a Honda.

O ponto de maior relevo para o acordo efetivado entre Brasil e México não é a troca de automóveis, dentro de números realistas tanto em volume quanto em alíquota de importação. Está no aspecto institucional, a abertura de um novo destino comercial, com um adensamento de exportações e participação no comércio mundial, passo a um futuro entendimento com o Mercosul. E inclui também o aspecto industrial, com a produção de novos produtos ou versões, provocada pela disponibilidade de componentes.

Como ainda não existe uma definição das regras, desconhece-se como serão cunhadas estas moedas de troca.

Chrysler PT Cruiser, um dos modelos mexicanos que podem vir pelo acordo. No alto o VW Bora, versão de três volumes do Golf Chrysler PT Cruiser
As especulações

A Volkswagen, por exemplo, deve cancelar -- ou pelo menos adiar por dois anos, validade do acordo inicial -- a produção do Bora, versão de três volumes do Golf (saiba mais). A Renault assunta a linha Nissan no Brasil, com a importação de componentes para montá-los aqui, e a criação da versão com tração nas quatro rodas para a Scénic.

A GM deve apostar nas exportações de seu picape Corsa, de baixa demanda local, trocando-o por componentes e lataria para S10 e Corsa. A DaimlerChrysler tem como certa a exportação do Classe A e a importação do PT Cruiser (
saiba mais).

A Honda analisa a avença, sem sinalização sobre troca de produtos; a Ford intenta aumentar exportações do Ka, Fiesta e Courier, estudando importar o picape F150, menor e mais leve que o F250; e a BMW considera a importação dos 323i. Estas formulações não têm definição final.

Silverado Silverado: picape pesado retorna em versões Chevrolet e GMC, com capacidades de carga distintas
Silverado de volta

Parafraseando o Roberto Carlos, "esta é uma das muitas histórias da indústria automobilística brasileira...".

É a volta do picape Silverado da GM. Lançado e produzido na Argentina, sua produção foi suspensa no ano passado em função da desvalorização do Real e da queda de participação no mercado nacional. A GM arranjou espaço para a linha de montagem na fábrica de São José dos Campos, SP, trouxe ferramental da Argentina, e começou um novo ciclo.

Basicamente não existem mudanças, exceto a correção de bobagem cometida, quando realizou reforços estruturais no veículo, para aumentar a capacidade de carga, tornando-o ruim de condução, além de exigir carteira de habilitação C.

Nesta Operação Fênix o picape grande virá em duas versões: Silverado Chevrolet -- como era na primeira série, com capacidade de carga pouco superior a 1.000 kg -- e Silverado GMC, com PBT (Peso Bruto Total) de 3,5 toneladas. Chegam ao mercado em maio.

André Consult

Depois de 48 anos de General Motors, onde se aposentou como vice-presidente, André Beer, 69, surpreende: não foi cuidar do gado, imóveis ou concessionárias de veículos que lastreiam seu patrimônio. Resolveu vender experiência, visão e capacidade de articulação através de uma empresa chamada André Beer Consult & Associados.

Oferece assessoria e consultoria estratégica empresariais em amplo leque. Da óbvia área empresarial à curiosidade da área de medicina, onde André Beer Junior, médico pluri laureado, elaborará laudos de defesa para casos em que médicos hospitais e seguradoras sejam processados por seus clientes.

Outros associados de Beer, especializados em diversas áreas, são Mário Hirose, ex-GM e ex-presidente da Case Tratores; Antonio Carlos Bueno, ex-Seplan, executivo do INCOR; José Antonio Benedetti, ex-GM e coordenador da certificação ISO; José Laforga, ex-diretor do Banco do Brasil.

Roda-a-roda
FUSÕES - Está ativíssima a Renault. Comprou a divisão automotiva da Samsung, montada recentemente e cheia de dívidas. E fez troca de ações de seu braço caminhoneiro, a Renault/Mack, por 15% de ações da Volvo. A fusão atuante em quase todo o mundo, incluindo Brasil e USA, significa criar a segunda maior fábrica de caminhões. Há dez anos este negócio não deu certo, por protesto dos pequenos acionistas da Volvo.
DO RAMO - A Ford criou o Clube do Picapeiro e instituiu o 16 de abril como o Dia do Picapeiro. Para assinalar da data fez exposição de picapes antigos e novos, test drive com estes, e passeio reunindo 170 destes veículos, entre Alphaville e Aldeia da Serra, nas beiradas da capital paulista.
NOVIDADE - A Mitsubishi apresenta seu novo modelo Eclipse, preferido de nove entre 10 jogadores de futebol -- o décimo compra Grand Cherokee. Novidade maior, o automóvel cresceu, tem mais espaço interno, e trocou o motor dois-litros turbo por um V6 3-litros. Quer desempenho com conforto.
FROTA - Diz-se que o Governo Federal concorda em fazer a renovação de frota desde que os carros novos sejam a álcool. Vamos lá. O combustível é ruim para o país, mas a renovação é boa. A medida é boa apenas para os usineiros e para advogados, que serão chamados a questionar a igualdade de direitos de quem não gosta e não quer assunto com o álcool.
MAIS UM - Parece, temos outro brasileiro a caminho da Fórmula 1. Luciano Burti, piloto de testes da Jaguar, foi mais rápido que o titular Eddie Irvine nos testes em Barcelona. Piloto de testes, em linguagem de fazenda, é o rufião. Prepara o campo para o titular, que vem e executa o produto.
CAR CARE - A expressão quer traduzir a preocupação dos motoristas com os cuidados na aparência de seus veículos. É um segmento em expansão no país, no qual a empresa paulistana AutoShine quer participar, lançando um Lava Auto e um Eliminador de Odores.
ALFA - Tens Alfa antigo? Então prepare-se para festivo evento durante o Encontro de Águas de Lindóia, um dos bons acontecimentos com veículos antigos. Com patrocínio Alfa Romeo, haverá concurso, test drive dos carros novos, slalon com o Alfa 155 de competição e premiação aos mais originais.
GREVE - Num país de dimensões continentais, com a matriz de transportes com foco em caminhões, se caminhoneiro faz greve, está contra a população. Foi isto e a falta de articulação na classe que esvaziou o movimento, que mais parecia um balão de ensaio para medir a competência -- ou não -- deste subitamente famoso e desconhecido Nélio Botelho.
IMPOSTO - Em matéria de marketing político o governo é campeão. Quer criar um imposto sobre o combustível -- e, claro, alimentar a inflação. O governo não consegue fiscalizar o combustível, não consegue fiscalizar as distribuidoras que falsificam a gasolina e ainda quer falar em aumento de imposto num produto cujo preço já é injustificavelmente tão alto?

Colunas - Página principal - e-mail

Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br