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Democrata, atração nos antigos

Um pouco da trajetória do projeto da indústria
Presidente, restaurado a partir do nada em 20 dias

por Roberto Nasser

Roberto NasserA apresentação do automóvel Democrata, a ocorrer durante o III Encontro Brasileiro de Veículos Antigos (saiba mais), que se realiza no Centro de Convenções Ulysses Guimarães como parte do 40°. aniversário de Brasília, é evento insólito.

O automóvel, projetado no meio dos anos '60 para ser vanguardista em tecnologia, utilizando motor traseiro com bloco em alumínio, V6, 2,4 litros e 120 cv, contendo no cárter do motor a transmissão e o diferencial, teve seu lançamento abortado por intervenção do Banco Central na Indústria Brasileira de Automóveis Presidente, montadora que vinha produzindo unidades para formar estoque.

A IBAP discutiu 20 anos e, ao final, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que a intervenção era indevida. Mas aí o projeto de fazer um automóvel com capital formado pela venda de ações ao público já era inviável.

Organizando um livro sobre a indústria automobilística brasileira, o jornalista Roberto Nasser, curador da Fundação Memória do Transporte, descobriu duas unidades do automóvel nas ruínas do que fora a fábrica. Consumiu um mês para chegar ao antigo empreendedor, Nelson Fernandes, que se mudara de cidade e de ramo de negócio, provocando-o a escrever, no livro, o capítulo referente à IBAP, e a restaurar, salvando de fim certo e breve, um dos Democratas.

Fernandes sensibilizou os irmãos Finardi, José Carlos e José Luiz, donos do centro automotivo com o mesmo nome em São Bernardo do Campo, SP -- eles mesmos cotistas da IBAP --, a restaurar um dos exemplares, trabalho impressionante de transformação de um escombro em automóvel em apenas 20 dias.

O resultado destas iniciativas está exposto no III Encontro. É a apresentação, após 32 anos, do automóvel que não foi lançado.

O boom dos usados

As vendas de veículos usados cresceram aproximados 50% nos três primeiros meses do ano. A Assovesp, Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado de São Paulo, tem números precisos para a sua área de abrangência: 46%. O percentual, com pequenas variações, pode ser entendido válido para o mercado doméstico brasileiro. De acordo com a mesma entidade, março foi o décimo-sétimo mês de crescimento de vendas para os usados -- há divergências sobre o entusiasmo -- e somente em março sua valorização média foi 2,1 %. Nos populares 2,85%.

George Assad Chahade, presidente da Assovesp, entende que o carro usado é um bom negócio e compatível com o bolso do consumidor, mas há óptica adicional: a valorização do usado é puxada pela dificuldade na venda dos novos. Valorizar o usado como entrada do novo é o primeiro passo para o negócio.

Brasil, por Louis Schweitzer

Novo Mégane - clique para ler avaliaçãoFormado em Administração Pública, Louis Schweitzer foi Secretário de Orçamento no governo francês, que o mandou para a Renault, então estatal. Conduziu a privatização da companhia, foi mantido em sua direção, e comandou a reformulação que a tirou do prejuízo e a transformou em uma das poucas montadoras com futuro claro e promissor, com a abertura de novos mercados -- como a presença sólida no Mercosul, na Europa Oriental, no Japão, a caminho da América do Norte. No Brasil, deu entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil. Fonte e trechos merecem citação.

FUTURO - Achou as pessoas de Brasília (do Governo) muito mais serenas do que em 1998, quando esteve em rápida visita.

TERCEIRIZAÇÃO - Um fornecedor fará parte dos estampos, mas a estrutura das carrocerias será produzida e montada pela Renault.

MERCOSUL - Teve alívio ao constatar a vontade política dos governos argentino e brasileiro em preservar o Mercosul, não cedendo a desacordos imediatos. O Acordo parece bom.

MERCADO - A Renault é a maior das montadoras pequenas. Quer ser a menor das grandes...

NISSAN - Haverá, possivelmente, um produto Nissan no Brasil porque o presidente da Nissan, Carlos Ghosn, brasileiro, ficaria triste se nada acontecesse no Brasil...

POPULAR - O carro popular de US$ 5 mil que a Renault desenvolve na Romênia, com o nome de Dacia, ficará pronto em 2003. Não sabe se há mercado para ele.

ÁLCOOL - O álcool é um produto fiscal, existe só porque é beneficiado por vantagens fiscais do governo. Normalmente não deveria existir.

INTERNET - As vendas por computador serão algo complementar, mas finaliza um programa no qual o cliente poderá criar o veículo e em duas semanas poder ir buscá-lo no concessionário.

ECONOMIA - É falsa a idéia que a nova economia substituirá a velha economia. A nova economia é água que molha e entra na terra revigorando a velha economia. Quem não se irrigar, morre.

Roda-a-roda
RÁPIDO - A compra de 34% das ações da Mitsubishi pela DaimlerChrysler terá conseqüências rápidas. A primeira é o encerrar do negócio entre a Mitsubishi e a Pininfarina, autora do projeto do Pajero iO, que produziria o carro na Itália. O segundo é a DaimlerChrysler se meter, imediatamente, no negócio de carros pequenos, usando plataforma Mitsubishi.
MAIS RÁPIDO - A venda da Rover, na hoje primaveril Inglaterra, tem resultados outonais no Brasil: a BMW, vendedora, adiou sine die o início das operações da Tritec Motors, na qual é sócia da DaimlerChysler em Campo Largo, PR, para fazer motores pequenos destinados ao Chrysler Neon e ao novo Mini, adiado para meados de 2001. Globalização tem disso.
ASSIMÉTRICO - A Michelin vem colocando no mercado desde fevereiro seu mais novo produto, o pneus assimétrico XH AS, considerado evolução mais segura e mais resistente que seu antecessor XT AS, primeiro pneu construído especialmente para o Brasil. A empresa assegura melhor dirigibililidade, redução na aquaplanagem e resistência -- garantida, por termo próprio, até 50 mil quilômetros.
MUDANÇA - Como fica a Inspeção de Segurança Veicular com a mudança do ministro da Justiça? Considerado um dos bons negócios para ser feito neste governo, a definição de suas características, especialmente as definições administrativas e territoriais já provocou a mudança de três diretores do Denatran, subordinado ao MJ.
AUDI 4 - A Audi-Senna esclarece que nos seus estudos para novos produtos no Brasil não pensa no A4, cuja produção tem-se tornado tema principal entre jornalistas especializados.
AUTOMATICAMENTE - A Toyota surpreende-se com a demanda pelo Corolla com transmissão automática. Quando lançado, 50% era das vendas. Ano e meio depois, 64%. Conforto, boa operacionalidade, e baixa manutenção quebraram o tabu.
DESIGN - Se você cursa Desenho Industrial, está na quarta série e tem pretensões de apresentar-se à indústria automobilística, a Volkswagen abriu seu concurso anual de design. Em 2.000 o tema é picape de uma tonelada. Os três melhores projetos, escolhidos por um júri de profissionais ligados ao automóvel, ganharão estágio remunerado de um ano no Centro de Design VW. Inscrições e informações; Volkswagen do Brasil, "Pick Up 1t", Design & Package - CPI 1297 - Via Anchieta km 23,5, São Bernardo do Campo, SP, 09823-990. Ou www.volkswagen.com.br.
HISTÓRIA - Quarenta anos atrás, com poucos meses de atuação no país que engatinhava na atividade de fazer automóveis, a Simca deu o primeiro exemplo de adequação ao mercado. Em vez do Chambord preto, como as 1.999 unidades já produzidas, a unidade 2.000 era pintada em verde e creme -- homenagem às cores nacionais e à inauguração de Brasília, dali a cinco dias. Atrevimento nas cores e suas combinações seria uma das referências da Simca no Brasil.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br