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Um Escort 1.600 contra os 1.000

Escort GL 1.6 SW

Sem despojamento excessivo, a Ford cria uma
boa opção de entrada no segmento médio

por Roberto Nasser

Roberto NasserA Ford quer sensibilizar o mercado comprador: criou versão 1,6-litro para concorrer com alguns carros de 1 litro. Hoje 70% dos compradores vão de 1.000, mas não se sabe se por opção ou falta de. O veículo, Escort GL 1.6, será disponível como sedã cinco-portas e perua, tendo maior porte, conforto e habitabilidade internos, dirigibilidade e porta-malas de um médio, com preço igual ou até menor que o de alguns 1.000.

Fez pacote especial, sem aparência espartana. A decoração mais simples tem único opcional, o ar-condicionado. Evita a sensação da retirada de componentes. Direção hidráulica, relógio, porta-malas aberto eletricamente, banco traseiro bipartido, vidros verdes e um tratamento típico Ford contra ruídos e vibrações são de série.

Com estilo ainda agradável, espaçoso a passageiros e carga, os GL 1.6 vêm com motorização Zetec Rocam de última geração, que reduz atritos para ganhar disposição. Produz 95 cv, levando-o de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos.

O Escort é um bom produto, e o motor Zetec um bom engenho. A razão da mudança não está na redução de cilindrada, de 1,8 para 1,6, mas no fato que o motor Rocam é produzido em Taubaté, SP, e pago em reais. O 1,8 é importado, em dólares. A diferença baixa o preço.

Também, que poucos usuários utilizam todas as capacidades do 1,8 16-válvulas. A grande maioria aplica o automóvel, em quilometragem quase absoluta, sem explorar o adicional oferecido relativamente ao 1,6. Daí a opção, favorecida pela tecnologia Rocam. Evidentemente, o 1,6 anda menos que o 1,8, mas em situações, como o trânsito, sai-se melhor. E tem brio.

Zé da Silva, observador de costumes que deambula em torno da indústria automobilística no Brasil, acha que a Ford, finalmente, toma o caminho certo. Até agora fazia carros de preço mais alto, para ser vendidos com propaganda que só rico entende. Agora, baixou o objetivo. Quer o 1,6 com a melhor relação custo x benefício, buscando o cliente pobre para os carros deste segmento. Aguarda os anúncios.

Leia avaliação do Escort GL 1.6

Chevrofiat? Fiatlet?

Anunciada a troca de ações entre a General Motors Corporation e a Fiat Auto, qual é o significado disto na operação das empresas em terras distantes das matrizes, no varejo do mercado brasileiro?

Mille
O engenheiro Gianni Coda, superintendente da Fiat Automóveis, uma das empresas que passa a ter um processo de co-gestão, explica que pouco muda. As empresas continuarão competitivas entre si. Coda diz com todas as letras que terá um Mille preparado para enfrentar no preço a novidade que a sócia GM fará proximamente na fábrica de Gravataí, RS (projeto Arara-Azul); e que junto com a GM do Brasil formarão duas empresas: uma produzirá motores e transmissões; outra fará gestão de compras.

Na prática, um encontro de capacidades tecnológicas e industriais. Um bom motor Fiat, como o Fire 1,25 16 válvulas, pode tracionar o Corsa. Da mesma maneira, o 2,2 da GM pode aterrissar no cofre do Marea. Coisas assim. Veículo comum, com a mesma plataforma, que é uma imposição para reduzir custos, é coisa para uns quatro anos à frente, projeta Coda.

Renovação? Tá preto

O governo federal mandou ao ferro velho a proposta de renovação da frota. Ao que parece, razões aritméticas. Tomou as projeções do aumento de produção e vendas que tal proposta poderia significar, e ao verificar que o crescimento do mercado por si só significaria um volume igual, deu-se por satisfeito, desistindo da idéia.

Pelo visto temos, oficialmente, um teto máximo para a produção de automóveis.

A proposta bateu em ministérios e mesas, merecendo remendos, propostas e palpites. Após 29 meses de apreciações diversas, sempre sob a óptica da queda de arrecadação, foi arquivada.

Perdem todos. Intentava retirar da rua os carros mais de 15 anos, reduzindo acidentes, poluição, consumo, aumentando a velocidade de circulação nas vias.

Anuncia-se, perigosa e inexplicavelmente, que pode ser implantado -- desde que seja para os carros a álcool. Preferência temerária. Até o Maurício de Nassau -- que foi expulso porque ousou cobrar a conta de usineiros -- sabe que negócios com álcool são bons -- para os usineiros. E só.

Classe Alfa

Veja só um caso para quem não tem motorista. Você chega ao Aeroporto de Congonhas, enclave paulistano, dirigindo um Mercedes, BMW, Audi, Cherokee -- estes símbolos de status em quatro rodas --, procura vaga no estacionamento, pega sua bagagem e enfrenta o sol ou a chuva até o terminal de passageiros. Na volta, repete o processo, paga o estacionamento e sai.

Tivesse você um Alfa Romeo -- qualquer um, diz-se -- seria diferente: você entraria num estacionamento privativo; entregaria a chave do carro; um motorista levá-lo-ia, num cintilante e negro Alfa 166, ao embarque. Seu carro seria lavado gratuitamente, depois coberto com uma refulgente capa vermelha com um enorme brasão Alfa, e ficaria abrigado até sua volta -- se você quisesse mandá-lo a uma revisão ou serviço num concessionário, um reboque plataforma faria o transporte. De volta, do aeroporto você ligaria; o chofer do 166 iria buscá-lo; conduzindo-o até ao seu carro. Quanto? Nada!

Robson Romagnolli, número 1 da Alfa no Brasil, bolou o sistema. Quer valorizar quem tem carro da marca, individualizando-o, tratando-o bem -- e fazendo inveja nos demais. No caso do carro que vai para a oficina, cliente descobrirá que peças e mão-de-obra baixaram 30%.

O diferencial é bom, prestigioso, mas restrito. Deveria ser estendido aos proprietários de veículos de valor aproximado aos dos Alfa 166 e 156. São clientes potenciais da marca que intenta, finalmente, implantar-se no país.

Roda-a-roda
MAREA 2.4 - "Furo" desta Coluna, o Marea com motor de 2.400 cm3 tem produção confirmada pela Fiat. O produto não foi atrapalhado pela recente troca de ações com a GM, e sua presença corrige raciocínios no mesmo texto: tem 160 cv e não 180 como dito; não substituirá a versão Turbo, e virá sem transmissão automática.
FIESTA - A Ford Brasil esforça-se para vender o Fiesta 1,6 à Venezuela. Quer mandá-lo em peças, para montagem local. O carro tem bom nome de festa, é adaptado aos rigores do mercado, mas enfrenta barreiras conceituais. País rico em petróleo, gosta de banheirões. Hoje o futuro é diretamente proporcional às pontes comerciais com o exterior.
LEI - O Ministério da Fazenda baixou o Convênio 29/2000 isentando do ICMS veículos até 1.600 cm3 adquiridos ou destinados ao uso exclusivo por paraplégico ou deficiente físico impedido de utilizar veículo normal. Exige laudo detalhado sobre impossibilidades e adequações, para acabar com interpretações folclóricas que permitiram a paraplégico ter isenta frota de caminhões, mas sem adaptações -- e destinados a motoristas sadios.
LEI 2 - O Denatran foi à Justiça para anular cancelamentos de multas aprovados por Assembléias e Vereadores. O Código de Trânsito é nacional e não pode ficar ao sabor da vontade das excelências estaduais em ano eleitoral. Vamos organizar. Lei é lei, incrível pareça.
NEGÓCIOS - Continua a febre de vendas e fusões. A BMW vendeu a Rover e os direitos de fabricação do antigo Morris Mini, um verdadeiro cult, a uma empresa inglesa. Para a Ford vendeu a divisão Land Rover. Manteve o direito de fazer o novo Mini.
NEGÓCIOS 2 - E a Mitsubishi separou caminhões de automóveis, e desta área vendeu 34% das ações à DaimlerChrysler. Bom para ambas. A DC amplia seu poder no mercado asiático e recebe incontestável tecnologia. E a Mitsubishi um sócio competente para gestão.
NEGÓCIOS 3 - Conseqüências imediatas para o Brasil, nenhuma. Enquanto toma pé, a Ford manterá a montagem dos Land Rover na Karmann-Ghia a alguns quilômetros de sua fábrica em São Bernardo, SP. A montagem dos picapes Mitsubishi no Brasil é uma atividade privada, negócio muito pequeno no universo de acertos e sinergias buscados.
ANTIGOS - O Veteran Car Club de Brasília, que realiza o III Encontro Brasileiro de Veículos Antigos entre os dias 20 e 23 próximos, surpreendeu-se com o interesse. Por isto mudou o local. Agora é o Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
ATRAÇÕES - O Encontro se caracteriza pelo acervo brasiliense de veículos nacionais, o melhor do país. Nesta direção, a atração maior é a presença do Democrata, futuroso nacional de lançamento abortado. Referência desta cidade, o Rolls-Royce presidencial. Projeções iniciais de 250 automóveis.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br