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Grand Vitara: Suzuki diz
sim; GM, não

Grand Vitara

Produção em parceria na Argentina abre caminho
para um Chevrolet Tracker, mas a GM nega

por Roberto Nasser

Roberto NasserOs novos planos da Suzuki para o Brasil foram anunciados pela marca no país na convenção que reuniu sua pequena rede de revendedores, dentro do cerimonial de pompa e circunstância nipônicas: falou-se pouco; exortou-se a rede a sacrifícios pela sedimentação da marca; e anunciou-se que a Suzuki centrará esforços num único produto: os utilitários Grand Vitara, importados e argentinos.

Kiyoshige Ishii, o número 1 da Suzuki no Mercosul, enviado pela matriz para impulsionar a marca, deu as coordenadas de mercado: vai dedicar-se exclusivamente aos jipes. A pequena rede de concessionários aguardava notícias como a decisão de montar o modelo Samurai no país, ou importá-lo em preço atrativo para formar mercado, mas isto não ocorrerá.

Do Grand Vitara a Suzuki pretende importar 1.200 unidades anuais da Argentina, onde será produzido em 6.000 unidades/ano pela fábrica da General Motors Argentina, sua sócia na empreita. Para aumentar a presença, importará adicionais 2.400 unidades/ano do Japão ou do Canadá, onde o Grand Vitara é produzido, quantidade bastante à manutenção no mercado, da marca e seus comerciantes.

E deu informação interessante: a cota da Suzuki na produção da GM Argentina é reduzida porque do total anual a General Motors do Brasil deverá importar inicialmente cerca de 4.000 unidades/ano deste produto, que no Brasil será chamado de Chevrolet Tracker -- como no mercado norte-americano e canadense.

EIS A QUESTÃO

O Ishii-san, que assumirá formalmente o mando da Suzuki no Brasil e administrador dos interesses da marca no Mercosul, anunciou os planos da General Motors, sua sócia na empreita industrial. Mas, consultada, a GM no Brasil nega que vá importar e distribuir o pequeno e simpático jipe. Afirma desconhecer tal projeto comercial, dizendo que a sócia da Suzuki é a GM Argentina, na qual a filial brasileira não tem participação acionária. E que a importação e distribuição não está em seus planos.

Quem está certo neste desencontro entre sócios? Aguarde-se.

Troca-troca Brasil e México

As tratativas para um acordo comercial entre Brasil e México devem ser negócio maior na troca de componentes que de veículos. O acordo, fórmula de rápida implementação, direciona-se basicamente aos setores de petroquímica, siderurgia, têxteis, brinquedos e veículos. São de viabilização mais rápida.

Brasil e México têm semelhanças e desconfianças de parte a parte: produção parecida, dívida externa grande. Os mexicanos receiam negócios porque os PT Cruiser
brasileiros não teriam vivência de comércio exterior, nem respeito às regras. O Brasil, medo que no meio da regulamentação possa ser votado um baixo índice de nacionalização, permitindo sejam importados carros "maquiados" -- processo equivalente ao da Zona Franca, com baixíssima nacionalização. Com tal solução, mandaria ao mercado brasileiro, como mexicanos, carros quase totalmente norte-americanos.

Tenho a impressão de que o acordo será positivo implementador de negócios, dentro da linha de complementariedade de componentes. Para algumas montadoras podem surgir negócios rápidos.

A Renault, por exemplo, acelerará exportações de motores paranaenses de 1 e 1,6 litro e a importação de componentes de tração nas quatro rodas, para o picape Nissan -- marca agora controlada pela Renault -- e a Scénic RX4 mexicanos, para serem empregados em versões brasileiras.

A mesma linha de veículos pela troca de componentes, permitirá à Chrysler facilidade para dobrar sua linha de produtos, montando o picape Dodge Ram, irmão mais forte dos Dakota que faz aqui, ou importando o PT Cruiser, que inicia a produzir. Talvez o PT Cruiser permita um acordo industrial, pois a Beetle
demanda do mercado norte-americano é 50 mil unidades/ano a mais que a capacidade da fábrica mexicana. Bobeou, vira opção para preencher a ociosidade da fábrica da Mercedes em Juiz de Fora, MG.

No rol, a Volkswagen pode trocar motores feitos em São Carlos, SP, e automóveis Gol pelos New Beetle, ou eventualmente até pelo velho Fusca -- o México é a última base industrial a produzi-lo. E GM, Ford, BMW e Honda, negócios com trocas de veículos e peças.

Há um movimento para que as trocas não se resumam a negócios entre montadoras instaladas nos dois países, não se excluindo do acerto a possibilidade de exportações por empresas sem operações em base comum. Em resumo, é uma fórmula que interessa às duas partes, tipo balé perigoso. Aos mexicanos, membros do Nafta, tratado comercial com Canadá e EUA, o acerto com países passa por cima do Mercosul. Ao Brasil, pela mesma razão. E a fórmula de acordo transitório, de aplicação mais rápida que um tratado, será adotada por razões políticas -- o governo mexicano está no final e quer marcar resultados.

Menos segurança, mais equipamentos

Informação do eng. Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat Automóveis, durante a apresentação do Brava 1.8 HGT (leia avaliação), questionado sobre a opcionalidade dos freios antitravamento ABS e das bolsas infláveis duplas e laterais, disponíveis Brava HGTpara o carro: "Apenas 1% dos compradores dos carros 1.000 e 3% dos veículos de maior preço exigem e dão valor aos itens de segurança".

A informação não vale apenas para os carros Fiat, mas justifica a posição da Volkswagen, que mandou desenvolver uma ferramenta para extrair o airbag em frente ao lugar do passageiro do Golf, projetado com o sistema duplo e que recebe o painel completo de fornecedor externo.

Mas o consumidor brasileiro, ao contrário dos europeus e norte-americanos, mercados sinalizadores de modas, tendências e exigências, prefere receber um toca-CD ou um jogo de rodas de liga leve em lugar do sistema que impede o travamento das rodas em frenagens, garantindo paradas em menores distâncias e sem risco de derrapagens, ou da bolsa de ar que evita ou minimiza o choque do corpo contra o painel e pára-brisa.

Prá frente, prá cima

Num resumo simples, é este o retrato do mercado para veículos usados e novos, marcado pelo crescimento de vendas. Sem o pavor dos anos anteriores -- crise russa, medo pela economia tocada por fugazes capitais especulativos e a falta de masculinidade na condução da desvalorização do Real -- o comprador se sente mais seguro para assumir compromissos.

O encadeamento da economia permitiu a superação da crise, do pânico, e a tranqüilidade interna reduziu os juros dos financiamentos e leasings. Para os novos, promoções de vendas e maiores prazos de pagamento entre montadoras e sua rede de concessionárias.

No mercado de usados, mudança do enfoque para o negócio, com redução da rede de comercialização e aprimoramento profissional. Há mobilização em torno de entidades do ramo; os estoques estão em rede nacional, reduzindo a imobilização de capital, maior atenção com o consumidor, e a juros atrativos, em níveis próximos aos oferecidos nos concessionários autorizados.

Como diz o Zé da Silva, observador de costumes, "O governo não precisa ajudar, basta não atrapalhar".

Antigos, a vez de Brasília

Quem gosta de automóveis antigos -- só quem não gosta é mulher de colecionador -- pode agendar: de 20 a 23 de abril, Semana Santa, a Capital Federal sediará o III Encontro de Veículos Antigos de Brasília. Trata-se do evento principal do calendário nacional do antigomobilismo e integra as festividades do aniversário de Brasília.

Buscando repetir o êxito anterior, a programação não é estática e direcionada aos colecionadores, mas ao público que gosta de automóvel e sua história. Intenta exposição de conversíveis, de miniaturas, venda de peças e acessórios, visita ao atelier de restauração do clube apoiado pela Petrobras.

Atração de relevo é a possibilidade de apresentação da única unidade restaurada do Democrata, revolucionário automóvel brasileiro, que seria produzido através de poupança popular, mas de projeto suspenso por intervenção do governo --tardiamente provada indevida.

A exposição e suas atrações periféricas estarão nas áreas de estacionamento do Hotel Nacional, base do evento.

Roda-a-roda
PERDÃO I - A Kia Motors convidou delegação oficial baiana a visita às suas instalações na Coréia. É um processo de sensiblização para que o Governo da Bahia seja simpático à idéia de um perdão das dívidas da Asia Motors -- que aproveitou-se de incentivos fiscais, trouxe Towners e Topics sem pagar impostos, e não construiu a fábrica prometida, sendo multada pelo governo federal.
PERDÃO II - Durante a permanência da comitiva baiana liderada pelo secretário Benito Gama, a Kia fez publicar declaração no maior jornal da Coréia, avisando que, se o governo brasileiro não perdoasse a dívida, não investiria no Brasil.
PERDÃO III - Os coreanos sabem que o governo brasileiro não quer papo. E que entendimentos para a instalação de uma nova fábrica só começarão com o pagamento do incentivo concedido e com a multa. Ouviram isto no Ministério do Desenvolvimento em Brasília.
PERDÃO IV - O secretário de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, Benito Gama, quer alternativa para atrair a Kia a Camaçari. Não deve se afligir. Condições como as do mercado brasileiro não existem iguais. E depois, a proposta dos coreanos é da pior qualidade. Querem um perdão de US$ 210 milhões, e em troca oferecem investir US$ 150 milhões. Perdão, Prejuízo e Incentivo, juntos, é dose que nem PFL baiano agüenta. Se o governo federal apoiar um negócio destes, é para o empresariado depositar impostos em juízo.
GASOLINA - Inexplicável o aumento da gasolina sob o aspecto da relatividade de preços entre o custo no exterior, o que produzimos e o que exportamos. Pretende-se unicamente seguir o parâmetro acertado com o FMI em comprar a gasolina por um preço e vendê-la muito caro para formar caixa. Seria admissível se a administração fosse correta.
OPÇÃO - A Chrysler vai importar versões a diesel para o Cherokee, na versão Sport. Se houver demanda, estenderá o negócio ao Grand Cherokee Laredo. A demanda é da rede de concessionários, que mensura haver interesse por estes veículos. O Cherokee com carroceria antiga, dita Sport, teria motor 2,5-litros Detroit Diesel. O Laredo, um 3,1-litros.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br