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Um Mercedes de olhos puxados?

Fábrica da Mercedes em Juiz de Fora, MG

por José Roberto Nasser

Roberto NasserA DaimlerChrysler, holding que une as marcas Mercedes-Benz e Chrysler, construiu em Juiz de Fora, MG, sua primeira fábrica de automóveis Mercedes fora da Alemanha. Planta moderna, enxuta, à altura das pretensões com o Classe A, primeiro degrau na escada de produtos Mercedes. A fábrica tem capacidade para 70 mil unidades/ano, rodando em três turnos, mas no ano passado utilizou pouco mais de um décimo de suas possibilidades.

Mas as vendas do Classe A foram muito menores que as programadas e a D/C busca aproveitar o dimensionamento industrial, e os investimentos no empreendimento hoje deficitário.

Chrysler JavaA Mercedes tem algumas opções. Vão de produzir o informalmente chamado Classe B, intermediário entre o A e o C. Seria o Java (saiba mais), mostrado como Chrysler, primeiro produto pós-fusão. Igualmente rápida é a do conceito Vision SLA, roadster montado sobre a plataforma do A com motor 1,9 mostrado no Salão de Detroit (saiba mais). A fábrica alemã do Classe A, em Rallstat, está tomada, e seu espelho, a de Juiz de Fora, ociosa. As opções serão viáveis apenas se o maior volume da produção se destinar às exportações.

Uma solução seria transferir ao Brasil a responsabilidade de produzir e distribuir o Smart ao terceiro mundo, países em desenvolvimento. O Smart é um pequeno carro (saiba mais), construído pela MCC, sociedade que juntava a Mercedes aos relógios Swatch, ano passado assumida pela D/C. O automóvel, inicialmente problemático em vendas, começou a criar um caminho mercadológico por formas inusuais de comercialização, como ser atrelado como bônus em reservas de hotéis, leasings com carência, financiamentos a universitários para pagamento em longo prazo.

A possibilidade de ser o Chrysler Neon é pouco provável, pois o preço final atropelaria o próprio Classe A. Ben Van Schaik, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, botou lenha na fogueira. Anunciou que o próximo produto pode ser um projeto comprado no Japão, mantendo a marca japonesa.. Nem Mercedes, nem Chrysler.

Vision SLAA informação é instigante. Fazer um carro com terceira marca, com a Mercedes funcionando como útero de aluguel, sem dar seu sobrenome, desmerecerá o produto. Criar uma rede de distribuição paralela, não Mercedes e não Chrysler, negocialmente problemático. Reunir o novo japonês nas concessionárias que vendem Mercedes, conceitualmente complicado.

E a questão maior é aparentemente a individualização de marca japonesa com vivência no segmento até 1.000 cm3 de cilindrada, ditos larga e hoje inadequadamente populares, maior segmento do mercado nacional. As empresas automobilísticas japonesas saíram do inferno zodiacal, depois da pior crise do pós-guerra, e hoje se mostram ou sadias; ou têm participação de empresas norte-americanas ou européias; ou não têm produtos neste segmento. E nada impede que o japonês seja coreano, ou que a teoria seja mera cortina de fumaça.

Descobrir o próximo produto da Mercedes em Juiz de Fora será um dos assuntos do papo especializado neste ano.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br