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Por que a Ferrari não foi da Ford

Ford GT 40

por Roberto Nasser

O eng. Paolo Cantarela, diretor superintendente da Fiat SpA, negou em Belo Horizonte negociações concretas entre a Fiat Auto e a Ford Motor Company. Enquanto se divaga sobre o tema, e a obrigação do executivo em negar negócio ainda não formalizado, embora em curso, é de boa memória lembrar tentativa assemelhada entre a Ford e a Ferrari.

ESTÓRIA

Há 35 anos Henry Ford II, número um da empresa com seu nome, e segunda montadora do mundo, queria um braço esportivo de sucesso para identificá-la com veículos de tecnologia e performance. À época, na companhia, dizia-se que "carro que vence no domingo, vende nas segundas". Ford decidiu-se comprar a Ferrari, empresa independente, produtora de carros esportivos, equipe vencedora, de idoso acionista maior.

Leo Bik, diretor da Ford Europa conduziu negociação frontal, rápida e objetiva, em 23 dias seguidos, acompanhados pelo mundo. Na reunião final, com cláusulas teórica e juridicamente acertadas para as assinaturas contratuais, surpreendentemente tudo acabou.

O comunicado formal dizia que o eng. Enzo Ferrari, seu controlador, mesmo permanecendo à sua frente, sentir-se-ia tolhido, e por isto desistira. Não combinava com a magnitude do negócio e dos envolvidos. Mas o assunto ficou por mal explicado. Até agora.

HISTÓRIA

Agora Franco Gozzi, à época secretário do Comendatore, contou o ocorrido:

"Na reunião final, com os acertos transformados em documentos, estava tudo acertado. Mas na leitura dos papéis, o Comendador pegou a caneta -- um sinal que achara alguma coisa que precisava correção. A redação dos advogados da Ford trazia duas expressões que fizeram o velho Ferrari sair do sério. Falava em submissão e na necessidade de obter aprovação da Ford para despesas em competições que ultrapassassem certo teto. O Comendador Ferrari leu o texto, sublinhou tais palavras com sua caneta de tinta violeta. Não assinou. E encheu a sala com uma torrente que se imaginava serem palavrões -- eram, mas em dialeto que nem os advogados da Ford nem seus tradutores entenderam -- ficando em dúvida sobre o que estava ocorrendo.

Ato contínuo, chamou Gozzi, o secretário, para comer qualquer coisa, saindo.
Bik, da Ford Europa, advogados, tradutores, imaginando ser um desabafo emocional, temporário e previsível pela emoção que envolvia o negócio -- afinal a Ferrari era um dos ícones da esportividade automobilística italiana -- esperaram o retorno -- que não houve. O Comendador deixou que a ausência falasse por si."<