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23/10/99

Reposicionando o Gato

Jaguar S-Type

por José Roberto Nasser

Roberto NasserA Jaguar começou a vender em outubro o modelo S-Type, primeiro degrau de seu leque de produtos. Será a versão 3-litros com motor V6 de 240 cv. Posteriormente, um 4-litros V8, 289 cv. Quer fazê-lo concorrente da série 5 da BMW e dos Mercedes E, maiores e listados até setembro como concorrentes da série XJ, que se mantém na relação dos produtos disponíveis, assim como os belíssimos esportivos XK8.

O S-Type merece atenções. Ele é o símbolo da mudança da Jaguar. De fábrica com produção reduzida, o novo produto já alavancou vendas superiores a 50 mil unidades/ano, e de repente o felino que ilustra seu capô quer mais.

O automóvel é caro: R$ 168.300, curiosa conta -- US$ 99 mil na cotação de R$ 1,70. Mas apesar do valor e da pretensão mercadológica, nos cálculos de Stephen Gitter, presidente da Jaguar Cars, as vendas marca triplicarão em 2.000. Das 100 unidades/ano habitualmente praticadas, quer 300. E destas, 210 do S-Type.

Para fazê-lo, uma dinamização das instalações -- hoje em conjunto com a Citröen, representado pelo mesmo grupo --, promoção da marca, pouco lembrada, e a conformação do automóvel. O S-Type lembra a carroceria dos MK I e II, da década de 60, e apesar da leitura retrô, tem equipamentos e eletrônica nos níveis mais altos. Esta conjugação de peso da marca, das belas linhas, tecnologia, pretende motivar vinte compradores ainda neste ano, e 210 no próximo.

Sobre anéis, dedos e pickups Nissan no Brasil

A montadora Nissan, segunda maior do Japão, apresentou seu projeto de reformulação, dito Nissan Revival. Inclui demissão de 21 mil empregados até 2003; fechamento de cinco fábricas dentro e fora do Japão; redução de salários de executivos; deslocamento da mão de obra dos escritórios para as linhas de montagem.

Nissan FrontierDuro? Muito mais do que se pensa. Não é simples processo de enxugamento e tentativa de salvação de uma empresa afogada em US$ 12,2 bilhões de prejuízos. É processo muito mais abrangente, uma quebra de cultura, de pressupostos que a economia japonesa não conhecia. O milagre japonês foi dimensionado para crescimento constante; no Japão os empregos usualmente são pela vida inteira; não se conhece a demissão, a redução de salário, o deslocamento do escritório para a linha de montagem.

Industrialmente, conseqüências diretas: primeira, no sistema econômico do Japão, empresas grandes fazem entremear acionário com outras, em especial suas fornecedoras, e isto deverá ser mudado -- a Nissan deixará os negócios não-rentáveis e não ligados à produção de automóveis e comerciais leves; auto-peças serão adquiridos de fornecedores mundiais com preço, prazo e qualidade, sem a exclusividade aos fornecedores japoneses. Deve ocorrer a padronização de componentes com outras marcas, forma de baixar custos; e haverá comunicação de plataformas, ou seja, base comum para veículos Renault e Nissan. Para o Brasil, resultado de médio prazo: fabricação de pickups Nissan nas instalações paranaenses da Renault, de onde saem a Scénic e o Clio II.

Por trás destas alterações corajosas está o brasileiro Carlos Ghosn, ex-vice-presidente da Renault, enviado ao Japão para viabilizar a Nissan. Conhecido pelo indicativo de cortador de custos, Ghosn adotou a fórmula que aplicara antes para viabilizar a Renault.

O Silverado, no ar

Silverado

Para usar a sabedoria da simplicidade popular, o pickup Silverado hoje está pendurado na broxa. Ou seja, literalmente no ar. A defasagem de propostas com seu concorrente frontal, o Ford F250, e a diferença cambial entre o real e o peso argentino reduziram sua competitividade, retirando-lhe a escada. E a General Motors da Argentina encerrou sua produção em Córdoba, onde alugava área industrial da Renault. Levou embora a parede.

A situação do utilitário está num limbo. A GM de lá não se decidiu sobre destino do projeto, que pode ser a transferência da linha de montagem para Rosário, onde produz Corsa sedã e fará o Suzuki Vitara; mudança para uma das unidades industriais em São Paulo; ou simplesmente encerrar a produção e este capítulo. Mas, por enquanto, é uma situação insólita e a empresa não reconhece ter encerrado a vida do projeto, talvez conseqüência de sua liderança por faturamento, e da série de iniciativas industriais que assume no momento permita prescindir de um produto num segmento que liderou por largo tempo.

Por enquanto, o Silverado está no ar.

Roda-a-roda
MUSEU - A Daimler-Chrysler inaugurou em Auburn Hills, Michigan, USA, o Walter Chrysler Museum, onde conta, ilustra e expõe modelos que fazem a história da marca. Há com certeza o dedo cultural da Mercedes, marca que melhor cultua e aproveita resultados institucionais da história, veículos e seu passado.

OLHOS PUXADOS - A General Motors convidou Noboyuko Ibei, presidente da Sony, para membro de seu Conselho. O que tem a ver um executivo de som e eletrônica com indústria automobilística? Visão de mercado e orientalidades.

RUMO - Ivan Fonseca e Silva, ex-presidente da Ford Brasil e agora vice-presidente para operações de América Latina, dá sinais de seus novos projetos: deixou as instalações industriais de São Bernardo pela cidade. E anda de Volvo. Deve coordenar o processo de operação conjunta das marcas Ford -- Lincoln, Mercury, Aston Martin, Volvo e, futuramente no Brasil, Jaguar.

SHOWS - Shows, mostras, salões para mostrar veículos e periféricos estão em alta em todo o mundo. Aqui, o Brasil Motor Show foi cancelado, interrompendo tradição estabelecida na década. Fora do país, recordes de interesse de imprensa e público. Em Frankfurt, há um mês, à abertura, haviam inacreditáveis 9.600 jornalistas ditos especializados pré-inscritos. Tóquio, neste mês, provoca muito interesse, e tanto Genebra quanto Paris, em 2.000, sinalizam dificuldades para hospedagem. Há um arrepiar no tema. Novidades tecnológicas, fusões, novos tipos de veículos. Não é o fim do mundo, mas é a indústria mais angustiada com a competitividade.

ORGANIZAR - Consertos, reparos, mudanças, correções, pinturas, tudo enfim que diga respeito ao fluxo de trânsito -- pistas de rolamento, sinais, viadutos, pontes -- deveriam ser feitos à noite ou no finais de semana. De repente, em nome de melhorar o trânsito, a obra de correção causa tumulto por si só.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br