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O desafio de mudar tudo sem mudar muito

A Fiat remodela o Uno no ano em que
ele completa duas décadas de mercado

por Roberto Nasser - Foto: divulgação

Roberto NasserÉ um dos casos mais interessantes da indústria: mudar um produto que convive com sua quarta evolução. Ou seja, demonstrar que o bisavô Mille está forte e rijo, e peculiar em não concorrer com seus neto e bisneto — os Palios novo e novo-de-novo.

A Fiat Automóveis peitou o desafio, introduzindo mudanças, como é o caso do estilo, ou evolução, como o interior e a direção assistida. Ato de coragem, corrigir em casa o projeto de Giorgetto Giugiaro, para implementar imagem e atrações no produto quase imutado em 20 anos de mercado, dois milhões de unidades vendidas, quarto colocado em vendas, para mantê-lo como rentável elemento de lucros.

Na frente, impõe-se a grade elevada, inspirada no estilística e aplicativamente inclassificável Doblò. Para ajustá-la, novo capô, pára-lamas e pára-choques. A pretensão não é apenas criar atrativos para instigar o consumidor, mas tratá-lo diferentemente dos sucessores Palio, de preços escalonados a partir do Mille, mais barato dos nacionais.

O pacote inclui trato estilístico completo, mudanças nas lanternas, tampa e emblema traseiros, no interior. Conta com o motor Fire 1,0, de oito válvulas e 55 cv. Outra diferença está na direção. Os esforços para esterçamento se reduzem se o consumidor optar pela assistida que, à entrada da maioridade, foi finalmente permitida ao Mille. No pacote de ações, a Fiat estendeu as novidades ao furgão Fiorino.

O carro traz a reboque o slogan: “O carro do coração do brasileiro“. É o rótulo que a Fiat persegue e assumiu, preenchido o lugar do Fusca: primeiro degrau do mercado; ferramenta econômica, resistente e confiável.

As novidades incluem o Uno numa galeria de poucos veículos que conseguiram ultrapassar 20 anos de ativa permanência no mercado. Vendeu 96.528 unidades no exercício passado, sendo o 5º. mais procurado, frente a concorrentes modernos como o Ford Fiesta e o Renault Clio. E não tem posição passiva, como VW Santana e do GM Vectra, condenados, sem investimentos para a introdução de atrativos, de baixíssima demanda, à espera que as vendas se reduzam para sair de produção.


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