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Você, seu carro e as águas

Aquaplanagem, calço hidráulico: as dicas para evitar
os perigos que chegam junto das chuvas de verão

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserNeste país abençoado por Deus e bonito por natureza, a chuva é o pior inimigo dos ocupantes de veículos. Não sofremos o flagelo da neve e do gelo; nossas chuvas, entretanto, não passam vergonha diante outros países.

Nossa vergonha é pela falta de educação do lixo das ruas; pelas más administrações, que não cuidam das galerias de escoamento; pela má qualidade dos fiscais públicos que aprovam ruas e estradas de qualquer jeito, onduladas, sem escoamento; e pela ignorância que permite a devastação de massa verde, quebrando a harmonia ecológica e provocando grandes estiagens contrapostas por grandes chuvas. Resultado, ruas e estradas alagadas. Conseqüência, mortes, feridos, gente sofrendo sem teto, atribuindo a desgraça a castigo divino, quando na realidade, tem nome e endereço próximos.

Se você quiser resolver isto, ajude alguma ONG especializada, cobre dos seus eleitos uma postura crítica, e só eleja gente com currículo limpo e compromissos ecológicos. Participe, porque é você quem paga a conta.

Na chuva
Enquanto aguarda as eleições para prefeito, cuide imediatamente dos perigos que podem afetá-lo. Por exemplo, na cidade, escolha trechos que não costumam alagar. E se for viajar, saiba com antecipação o que ocorre no caminho e destino.

O monte de dinheiro que se paga em taxas, impostos e gravames deveria retornar em serviços públicos impecáveis. Mas o que se vê em matéria de estrada é exatamente o oposto. Buracos, áreas alagadas, acostamento e sinalização ineficientes. Fosse você o responsável por isto, por certo os governos municipais, estaduais e federal estariam movendo cobrança com multa, juros, correção. Como o responsável é ele, nem é com ele. Lembre-se disto nas próximas eleições.

Veja o sítio do DNIT — é a nova sigla do mal referido DNER. É mais ou menos atualizado sobre as estradas. De buracos não falam, para não reconhecer a própria ineficiência. Mas relacionam ocorrências cuja culpa pode ser jogada para os outros — Deus, por exemplo —, esboroamentos das encostas, pedaços de ponte levados pela cheia dos rios, coisas assim.

Se você não dispõe de dados e acredita possa viajar sem maiores problemas, programe-se para a aventura do asfalto.

Água
O problema automobilístico com a água é simples de entender: ela forma uma película sob os pneus, reduzindo ou impedindo a sua aderência. Sem contato, não há dirigibilidade. E sem dirigibilidade, acabou.

Assim, preocupe-se no como conviver e superar este obstáculo líquido.

Comece observando como outros carros estão enfrentando a camada d’água. A única maneira de passar com êxito é em baixa velocidade, dando tempo aos pneus para remover a água.

A falta de vazão é que provoca a falta de aderência e de dirigibilidade.

Água em película provoca a aquaplanagem — o planar descontrolado sobre a água. Água em excesso é um obstáculo sólido, que estraga o carro. Qual seja o volume, o segredo para cruzá-lo com êxito é entender as limitações de seu veículo para este convívio. Sem ter uma quilha, ele não fende a água, como as lanchas e Moisés, mas ao contrário, se choca contra a massa líquida. Com perda de dirigibilidade e danos mecânicos.

Se surpreendido por aquaplanagem, firme o volante e aponte para o lugar de seu último registro mental. Solte o acelerador, embreagem e freio. Espere o carro voltar ao controle para achar a marcha adequada.

Se você conseguir identificar este acidente aquático com antecipação, olhe e analise. Avalie a altura da água. Se chegar até a parte metálica da roda, exige cuidados do tipo parar, tentar passar sem mais ninguém no pedaço, para que as marolas de um não causem problemas ao outro. Lembre-se que a água é inimiga do motor. Fora, pode desorganizar a ignição, e aí o carro morre — e te deixa, perigosa e desconfortavelmente, numa área arriscada. Dentro, acaba com as férias.

Por isto, cuidado básico: a tomada do filtro de ar e a ponta do cano de descarga devem estar mais altos que a água e suas marolas. Se o motor admitir água, seja pelo sistema de combustível, seja aspirado pela descarga, ele sofrerá o que se chama pomposamente de calço hidráulico. Uma quebra séria e cara, conseqüência física que o motor é feito para comprimir ar. Água, não, pois ela é incompressível, e se entrar no motor, quebra-o, com imediata imobilização e, por si só, mais caro que as férias de verão.

Se é inevitável
Para evitar, conviva e respeite a massa líquida. Identificada a água parada na estrada, primeira marcha engrenada, rotação na metade do motor — umas 2.500 rpm —, meia embreagem. Nada de mudar marcha, nem de alterar a rotação. O pé na embreagem é para isto: aconteça o que acontecer na travessia, não solte o pé do acelerador nem deixe cair a rotação. Se o terminal do escapamento estiver submerso, a queda de rotação aspirará o líquido, que chegará ao motor pela contramão, quebrando- o. Na travessia não manobre; não pise no freio; não alivie o acelerador.

Cruzado o alagamento, veja se não há ninguém atrás, mantenha o carro nesta rotação em primeira marcha, e com o pé esquerdo pise o freio, freando e soltando, provocando atrito no sistema, secando-o. Confira frear por igual nas quatro rodas, sem puxar ou travar, antes de prosseguir viagem.

Assim, de princípio, descarte viagens noturnas por estradas conservadas (?!) pelo Ministério dos Transportes ou pelos governos estaduais. A baixa visibilidade não permitirá perceber, com distância, se existe água depositada nos desníveis da estrada, sob viadutos etc., transformando sua viagem num deslocamento tenso. Se for necessário o risco, fique de olho nas referências da estrada, para que o mato, as árvores, as placas de sinalização possam servir de referência de profundidade. Continua

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Data de publicação: 27/1/04