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Do fio dental e do mercado

Números de vendas são conduzidos pelo interesse de
quem os exibe, para permitir rótulos de "mais" e "maior"

por Roberto Nasser

Roberto NasserA Fiat Automóveis encerrou o exercício de 2003 com o licenciamento de 341.025 unidades de automóveis e comerciais leves. É a líder do mercado.

A Volkswagen produziu no ano passado maior volume dentre as fábricas estabelecidas no país. É a líder do mercado.

A Ford licenciou 27.200 exemplares do seu bem-lançado EcoSport. É a líder do mercado dos comerciais leves.

A dúvida do Quem é Quem no negócio de veículos é proporcional à verdade que os números deveriam encerrar, porém seguindo o interesse de quem os exibe. Em vez de absolutos, são conduzidos, tornando-se relativos, de modo a permitir rótulos superlativos como o “mais” e o “maior”.

Tais carimbos estão atrelados ao conceito que as marcas vêem oportuno para enfatizar sua performance. A Fiat, especialista em carros pequenos, centra o maior segmento, de automóveis e comerciais leves. A GM, que com ela disputou e vendeu mais em alguns meses, perdeu ao final.

A Ford, com o EcoSport classificado como utilitário leve, e somando a comercialização de seus picapes, superou a Fiat, então líder de mercado, com Strada e Doblò. É a quarta em vendas gerais, mas a maior vendedora de comerciais leves. A VW, maior exportadora de veículos brasileiros, liderou na produção total, mas foi terceira em vendas domésticas.

O critério considerado pela Anfavea, a associação das fábricas, segue os números aferidos pelo Governo Federal, que contabiliza, através do Departamento Nacional de Trânsito, os licenciamentos que provam a comercialização do veículo ao comprador final. É o critério das Vendas a Varejo. Caminhões, chassis para ônibus, tratores, não se incluem.

Antes, adotava-se o de Vendas no Atacado, abandonado por não espelhar a verdade, pois indicava as vendas de fabricante aos concessionários. Este critério foi via contábil muito trilhada em relatórios internos de fábricas que, para impressionar chefes e acionistas estrangeiros, dava como vendidos carros despachados em quantidade industrial aos concessionários — que não os queriam, não sabiam como vendê-los ou pagá-los.

Mas o buscado era a demonstração industrial do fazer e comercial, do vender. Como em contabilidade, estatística e biquíni exibe-se o panorama geral, omitindo pontos específicos, dá-se como feito o dever de casa quando a empresa produz, passa pel