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O bom troca-troca Mercosul-Europa

Os dois blocos econômicos estudam a
possibilidade de acordo para trocar veículos

por Roberto Nasser

Roberto NasserO futuro para a indústria automobilística brasileira passa, forçosamente, pelas exportações. O mercado doméstico tem-se reduzido por conta da contração do poder aquisitivo. Dos míticos 2 milhões de veículos já produzidos em 2000 — quando a projeção era de 2,5 milhões — cairemos neste exercício a ridículos 1,8 milhão. A famosa 8ª. economia do mundo já é a 12ª. e o automóvel, antes representante de 13% do PIB nacional, caiu para pouco mais de 9%. Para voltar ao que já foi, a indústria do automóvel deve recuperar 50%!

Mas a ampla e moderna capacidade industrial instalada, a competência construtiva, e bons preços levam nossos carros, caminhões e ônibus a singrar mares, aportando e exibindo desejado emblema: o de resistência a maus tratos, e do acesso a bolsos pequenos. Ou seja, os carros brasileiros são bons e baratos, uma competência insuperável mundialmente.

Um novo negócio, tratado por uma das executivas que contrapõe pouca exposição pessoal, à grande competência de articular, está em vias de entrar em caminho de efetivação: é um acordo comercial entre blocos econômicos. No caso, entre países do Mercosul e os da União Européia. O emblema corporativo do Mercosul é fundamental para dar os ares de bloco econômico regional, mas não se esperem grandes performances do Uruguai e do Paraguai. Apenas Brasil e Argentina implementarão o negócio.

A condução destas tratativas é de Elizabeth Carvalhaes, diretora da Volkswagen brasileira, e a superficialidade do acerto conduzido sob o rótulo institucional das entidades de classe — no Brasil, a Anfavea e a Abeiva, associações respectivas de fabricantes e importadores — mostra a capacidade de trocar carros para lá e para cá. O volume inicial é de 60 mil veículos ao ano. Tratamento equalizado, os integrantes dos dois blocos retirarão os impostos de importação: 6,5% na União Européia. No Brasil este gravame é de 35%. Atualmente os europeus exportam para cá 12 mil veículos/ano.

Panacéia

A filosofia de um acordo ainda sem cláusulas contratuais, deve seguir o caminho aberto comercialmente em avença assemelhada com o México: cotas para empresas que possuem operações em ambos os blocos.

Independentemente da referencial possibilidade de vender carros brasileiros — 60.000 unidades representam 12% no universo de 500 mil veículos de exportação projetada neste ano —, dois pontos são relevantes: para as marcas instaladas nos dois blocos, a possibilidade de complementar sua linha de produtos nacionais, ampliando-a com produtos estrangeiros. Outro aspecto, que interessa sobremaneira, será o reerguimento do conceito de farol no mercado de automóveis novos. Significa voltar a ter nos produtos importados um referencial de qualidade, tecnologia, serviços ao consumidor e preços.

Lembra-se o leitor, há uma década, com o início do convívio com estes veículos, os nacionais foram provocados a melhorar, se atualizar, ganharam tecnologia e serviços como garantia maior e socorro a clientes passaram a integrar as vendas. Foi o período pós-carroças. Depois, coincidindo com o governo FHC, mantida a barreira de importações, estas minguaram, resumiram-se aos carros de elevado preço não produzidos aqui, e a falta de concorrência deu no que temos hoje: quase todos os nossos produtos são superados em linhas, motorização, tecnologia e segurança, mantendo-se em harmonia interna, sem a necessidade de atualização, que é um entrave às exportações.

Curiosa nestas negociações é que o setor para os importadores sem operação industrial, e que viviam à mingua, com reduções constantes em seus volumes de venda, ofuscados que foram desde que as fábricas resolveram se transformar em importadoras, serão beneficiados. Segundo informa a assessoria da Abeiva, esta associação tem participado do desenvolvimento dos acertos com a Anfavea e com a ACEA, associação que reúne as marcas européias, e terá uma cota.

De qualquer forma, não é negócio pronto. Esta metodologia de aproximação difere das negociações com o México, que foram conduzidas pelas entidades de classe de ambos os lados. No caso, faz parte da agenda do governo brasileiro, em cuja pauta desconhece-se o peso específico do tema automóvel, acessório relativamente às barreiras agrícolas. Além do mais, as definições sobre o sinal verde para a continuidade dos estudos da proposta surgirão na reunião do Conselho Europeu, em 2 de dezembro. Se concedido o mandado para iniciar estudos, Ok. Se não...

Na melhor das hipóteses é negócio para 2005, e a importação dos europeus far-se-á com crescimento pequeno, pois a idéia é que a desgravação — a eliminação do imposto de importação se faça em quedas anuais.

Novo Palio. Entre o Palio e o Stilo

De como transformar um carro compacto num veículo de classe superior?

A Fiat imaginou criar um degrau intermediário em seus produtos. Ascendente como progressão do Pálio, descendente relativamente ao Stilo. Para fazê-lo, definiu um conceito a que Giorgetto Giugiaro, o festejado designer italiano, criador do Uno e da revisão estilística do Palio, deu formas. Mexeu na frente, aplicando um grupo óptico imponente, que avança pelo pára-choque, e mudando pára-lamas, capô e pára-choques. No caminho para a traseira alterou as maçanetas, e na tampa posterior criou um degrau logo abaixo do vidro, numa intencional identificação com o Stilo, o imponente médio da Fiat.

Dentro, a idéia foi incrementar o produto. Das cores mais claras para oferecer noção de espaço, ao tratamento, materiais, e detalhes de conforto, como um porta-óculos no lado do motorista, ao lado do quebra-sol. Para ser bem identificado, deve ser chamado Palio Novo de Novo. Continua

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Foto: divulgação - Data de publicação: 18/11/03