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Chegou o Fox, incômodo para
mercado interno e exterior

A materialização do Tupi é a tentativa da VW em fazer um
carro nacional para instigar compradores mundo afora

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

Nem parece um Volkswagen feito no Brasil, este Fox que a empresa lançou e inicia comercializar. Criativo em formas e uso; novidades como porta-objetos sob o banco do motorista; banco traseiro corrediço; teto alto permitindo espaço de bem receber os passageiros do banco de trás.

Construtivamente é um Polo ao qual a eletrônica foi substituída por unidades independentes, de construção mais barata. E ao final permitirá se torne a grande ferramenta mundial para a VW do Brasil concorrer tanto em mercados avançados, onde será o carro de entrada, quanto em mercados em desenvolvimento ou pobres, onde o tripé formulação atrativa, resistência construtiva e preço serão os atrativos.

Não parece um Volkswagen feito aqui porque a história da marca no país é de uso de gerações ultrapassadas dos produtos externos. E quando ousou, com a família Zé-do-Caixão, Variant, TL, Karmann-Ghia TC e SP2, foi mantendo a plataforma e ossatura mecânica antiga e descartada em outros países que o faziam. Kombi dispensa comentários, mas garante um lugar num museu. Passat foi cópia mal adequada; Variant II, um misto para tampar buraco até a chegada da Parati; a família BX — Gol e derivados — utilizava um esquema mecânico antigo e barato, com o motor longitudinal. E Santana, fracasso alemão que ressurgiu aqui e, superado, se mantém por preço.

O Polo foi a única novidade atualizada, mas de interferências nacionais restritas à adequação ao país e à mão nacional no concerto que gerou a versão sedã.

O Fox, materialização do Projeto Tupi, é a tentativa da VW, depois de muitas idas e voltas iniciadas nos anos 80, em fazer um carro com características nacionais, capaz de instigar compradores mundo afora.

Tamanho do Polo, mais alto, com soluções inteligentes, surge em versão duas portas, e opções: 1,0 litro, Totalflex, 8 válvulas e a maior potência da configuração: 71 cv a gasolina e 72 cv queimando álcool. Acima, motor 1,6, 101 cv a gasolina e 2 cv a mais a álcool. Preços? 1,0 a R$ 20.990 — em julho a Coluna informara R$ 1 mil a menos.

Na briga

“Comprador só é fiel ao seu talão de cheques“

Mercado pobre, de população perdendo poder aquisitivo; país sem projeto para a indústria automobilística — e nem a administração federal nem as fábricas, por sua associação, parecem preocupados com isto; produção maior que capacidade de absorção; o Fox é mais um a cindir o mercado. Contará com o fator novidade, com a formulação atrativa, com o preço.

Preocupada, a Fiat correu para mostrar os resultados dos investimentos que fez com seu Centro de Desenvolvimento, espécie de carta de alforria tecnológica em relação à matriz. E dele saíram modificações para o Palio, agora em terceira versão. Nos pequenos quer se candidatar em manter a boa performance de vendas. A Volkswagen, por sua vez, tem planos maiores: se vender o que projeta, reassumirá a liderança do mercado, enorme sapo que a empresa engoliu para a Fiat.

Não ficará aí; já anuncia as próximas versões: Fox Pepper, de decoração para lembrar o GTI, rodas 17 pol e suspensão rebaixada 4 cm. Na outra, a Crossfox, a altura subiu 4,6 cm. É uma espécie do conceito Adventure, tão bem explorado pela Fiat, sob a óptica VW. Lançamento em 2004. E, para o mercado externo, o Fox é trunfo mundial, capaz de ser colocado nas mãos do comprador a US$ 6 mil — hoje as marcas sérias não conseguem fazer isto. A Renault promete, como Dacia, marca romena de segundo nível, e daqui a dois anos. Continua

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Data de publicação: 21/10/03