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Novidades na Alemanha,
poucos reflexos aqui

O IAA, ou Salão de Frankfurt, comprova que
o Brasil está se distanciando do mundo

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

O IAA, que em linguagem não-teutônica indica o Salão Internacional do Automóvel em Frankfurt, Alemanha, abriu sua edição número 60. Alterna, anualmente, com o de Paris, centenário, a polaridade dos lançamentos para mercados ocidentais. Pelo espaço que oferece, mostra veículos-conceitos — cada vez mais próximos da factibilidade; lançamentos; autopeças; acessórios; serviços; exposições de veículos antigos; miniaturas. Fácil entender com 15 quilômetros de percurso...

Num resumo pretensioso o IAA pode ser dividido em três fatias: nichos para compradores poderosos; novos caminhos de carroceria e uso; ampliação do leque de produtos para algumas marcas. Pelos preços, pelas inexplicavelmente elevadas taxas de importação vigentes no Brasil e pela cotação real x euro, poucas unidades serão importadas, pois a presença dos importados no mercado brasileiro vem-se diluindo.

Para nós, no IAA a constatação que o Brasil está se distanciando da realidade do mundo. O grande pulo de atualização dado há uma década, quando começamos a fazer produtos praticamente da mesma geração produzidos em seus países de origem, já se perdeu. Hoje só temos alguns produtos atualizados como forma de investimento secundário em carros já existentes e que daqui podem ser exportados.

Nossa situação imbatível de fazer carros baratos e resistentes, que abre oportunidades a mercados rústicos como o brasileiro, não foi potencializada: não houve presença de nacionais exportados ou exportáveis, como o ex-Projeto 249, quase Tupi e futuro Fox, da Volkswagen. A exceção foi o Polo sedã, buscando compradores mundiais.

O tucanato que geriu o país tantos anos não considerou a indústria automobilística como alavanca de expansão econômica. O governo dos trabalhadores ainda não exibiu a fórmula do crescimento.

Em mão inversa, a grande expectativa dos brasileiros presentes à mostra, que seria a apresentação do utilitário esporte baseado no Forfour — trocadilho de Para Quatro —, desenvolvido sobre o Smart e que será feito em Juiz de Fora, MG, na fábrica da Mercedes-Benz, frustrou-se: a versão para o Brasil não foi exposta.

O governador mineiro Aécio Neves esteve presente à mostra. Escolheu mal a data, quando a grande delegação de jornalistas brasileiros já havia encerrado seu ciclo de visitas e entrevistas. Fazer o que para seu estado, ninguém sabe, pois a DaimlerChrysler já definiu fazer o novo carro em Juiz de Fora.

Na parte prática do mercado, as novas formas, os carros mais altos, e o uso intensivo da motorização diesel, agora direcionada à performance, como no Mercedes Vision CLS e no Jaguar R-D6, mostram como andamos na contra-mão da história com nossa matriz energética.

O andar de cima

As empresas estão cada vez mais convictas que fazer carros de sonho, de alta performance, tecnologia, caros sonhos de consumo, asperge névoa muito positiva sobre os produtos mais baratos. Assim, dedicaram-se a veículos de quase sonho.

Mercedes SLR McLaren - Puxa a fila, meritoriamente. Esportivo conceitualmente projetado pela Mercedes e com adesão posterior desta equipe de Fórmula 1, que já construiu seu carro de sonho. Portas que se abrem para cima, como nas lendárias Asas-de-Gaivota, dos anos ’50, ícone inapagável, construção impregnada de fibra de carbono, leve material aeroespacial presente nos carros esportivos e freios a disco que não utilizam aço, mas cerâmica reforçada com fibras, capazes de parar e de durar muito.

O motor, V8, tem 5,5 litros, é turbo alimentado, e potência energeticamente modesta, meros 626 cv, com uma ignorância de torque abaixo do Mobral: 79,5 m.kgf — se você achava cavalar o motor do Dodge Dart, é mais ou menos o dobro. Não é um carro de corrida para andar nas ruas, como o são os Ferraris — só quem já dirigiu variados carros desta marca reconhece que o Comendador era muito melhor em marketing do que em engenharia —, mas um foguete confortável.

Audi Le Mans - Segundo na fila para mostrar que os conceitos de ultra performance são osmóticos aos carros de produção em massa, o Le Mans Quattro — a designação latina significa tração permanente nas quatro rodas — é feito em alumínio; o nome tem o apelo da seqüência de vitórias da grande prova francesa de resistência. Tendência mundial, a tampa traseira, vítrea, exibe o motor V 10, 5,0 litros, biturbo, em contidos e amarrados 610 cv, capazes da imobilidade aos 100/h em 3,7s. Não está em produção, mas estará como símbolo de pico da marca.

 

Os sinais

Alfa 8C Competizione – O novo designer da Audi, Walter De Silva, ex-Alfa Romeo, impregnou e espírito da marca italiana revivendo conceitos dos carros da marca de tanta história e tanto talento em desenho. O 8C é um esportivo pequeno, mas com motor entre eixos com 4,0 litros, 400 cv. Veja-o como uma pré-apresentação do que a Alfa terá como topo de linha para o mercado norte-americano, para onde se prepara a um retorno em três anos.

Ford Visos – Um sinal para os futuros esportivos da marca — Ford, Mercury e Mazda. V6, 3,0, biturbo, 350 cv.

VW Concept R – Um balão meteorológico para saber se o mercado mundial absorve um esportivo pequeno, feito sobre a plataforma do novo Golf, com motor doméstico V6, 2,5 litros, com preço em lugar de performance. Continua

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Data de publicação: 23/9/03