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Detroit: desenhando sonhos,
buscando a realidade

Requinte e muita potência marcam os modelos do
maior salão americano, um sinalizador de tendências

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

Leia nossa carta ao Presidente da República

Ponto de encontro do amanhã e do futuro, o NAIAS, salão de automóveis realizado em Detroit, EUA, desafia o período internacional dedicado a férias e a inclemência meteorológica. Independentemente de operar no nascer do ano e sob a neve e os ventos gélidos, impõe seu relevo como retrato do maior mercado do mundo e onde estão as fábricas com produção mais volumosa e de maior influência.

O Salão de Detroit verbaliza produtos, soluções e tendências. Por isto, em que pese o reduzido percentual de produtos mostrados e que podem chegar às vendas do mercado doméstico brasileiro, as tendências é que sinalizam maior influência.

Num resumo, a sinalização para o comprador americano é de design cada vez mais limpo; motores com maior capacidade e potência; promessa de tecnologia de redução de emissões através do uso de células de combustível e hidrogênio, processo que tem como base a velha e intocável gasolina.



Idéia clara que se deve ter a respeito do mercado americano é considerar suas vendas como aproximadamente 10 vezes maiores que no brasileiro. Em 2002, ano que contrapôs os eflúvios dos atos terroristas do 11 de setembro de 2001 a promoções de juros zero em financiamentos que chegaram a 60 meses, foram vendidos 17,1 milhões, volume que se pretende bisar em 2003.

O mercado americano tem a peculiaridade de mostrar como veículo mais vendido um picape, o F150 da Ford. E como segundo segmento mais procurado, o de utilitários esporte, os SUVs, liderado pelo Ford Explorer. Por isto, as marcas que o freqüentam aplicam-se a desenvolvimentos nestes tipos de veículos e em seu desdobramento. Neste ano, além dos novos motores Hemi para os picapes Dodge Ram -- para o que a Chrysler construiu fábrica nova e exclusiva --, a Ford reformulou sua linha F150, absorvendo a diferença de custos de US$ 700 como forma de manter-se líder do mercado.

A General Motors apresentou uma nova família de picapes, a Colorado, e um conceito, o Cheyenne, marcado pela característica de possuir duas portas para acesso à caçamba, solução com chances de ser aplicada pela concorrência. Neste caminho de ampliar as facilidades de uso dos picapes, que os americanos empregam como automóvel, o F150 permite a passagem da cabine à caçamba através de uma porta. 

Sinais de fumaça

Se no ano passado o limite que mesclava realidade com sonho eram motores que atingiam 500 cv de força como demonstração da sensível porém inútil capacidade de reagir e acelerar rápido, neste ano o limite se popularizou e se ampliou.

A Ford, que é a linha básica e de carros mais baratos desta marca, exibiu o 427. Um sedã grande, de linhas limpas, proporções harmônicas, interior amplo, bem cuidado porém sem rebuscamentos desnecessários, amplos arcos de rodas, preenchidos por rodas em aro 18 pol, cujos pneus não deixavam grande espaço vago. Grandes discos de freios à mostra, numa demonstração clara de valorização da parte mecânica.

Do motor vem a denominação do automóvel. "427" é o deslocamento em polegadas cúbicas dos motores míticos que a companhia empregava em seus carros de corrida nos anos '60 e '70, uma referência para a clientela americana. Com este deslocamento de 7.000 cm3, 500 cv de potência, num motor V10, cercado de cuidados decorativos sob o capô. O 427 é o melhor retrato da opção que a Ford adotou para recuperar vendas e mercado: design externo com proporções esportivas; referências em ícones do passado; motorização apresentada com respeito.

É o que explica a coragem da apresentação do novo Mustang um ano antes de levá-lo às lojas. Continua

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Data de publicação: 14/1/03