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O céu e o inferno dos SUVs

Nos EUA, pastores evangélicos lançam campanha
a favor de carros econômicos: "O que Jesus dirigiria?"

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

Utilitário esporte (sport utility vehicle, SUV) é aquele veículo que mescla automóvel com jipe, que nasceu na Lada, foi viabilizado pela Toyota, e hoje integra o portfolio de quase todas as marcas mundiais. É sucesso de vendas chamado de Lada Niva; Toyota RAV4; Honda CR-V; Suzuki Jimny; Vitara; Ford Escape, Explorer, Expedition; Chrysler Cherokee; Mercedes Classe M; BMW X5; GM Blazer, Jimmy, Tahoe; Mitsubishi Pajero; Porsche Cayenne; Volkswagen Touareg; e muitos mais, incluindo os luxuosos norte-americanos como Lincoln e Cadillac, dos quais nunca se imaginou este tipo de licença poético-industrial.

São o segundo grupo de veículos mais vendidos no mercado norte-americano, maior e farol do mundo. É o céu em vendas.

Deus perdoe seus fabricantes, mas há controvérsias sobre esta fórmula que promete a possibilidade de ir a lugares inatingíveis em carro comum; e de fazê-lo com conforto de ar-condicionado, transmissão automática; suspensão civilizada; e, se não for em tais empreitas, impor respeito em amenas idas aos shopping centers, templos dedicados ao consumo. 

Arriscando este mercado em nível celestial, autoridades da área de segurança veicular dos EUA questionam a desigualdade de danos e riscos em colisões entre automóveis e utilitários. Os primeiros sofrem muito mais. Agora há contestações por outro grupo, representando poderes que, embora oficiosos, são de maior extensão. Pastores evangélicos norte-americanos unidos iniciaram campanha pelos meios de comunicação.

O tema é "Qual carro Jesus dirigiria?". É contestação aos utilitários esporte, em especial os feitos em seu país, com motores V8, grandes em cilindrada, consumo e emissões. Perdulários de finitos bens naturais e poluidores do mundo.

Os pastores, para dar exemplo, dirigem Toyota Prius, com motor a gasolina e elétrico, fazem 28 km com um litro e poluem pouco. E, pressão prática, entregaram memorial a William Clay Ford Jr, presidente da Ford, maior produtor destes veículos nos EUA. Dos industriais do automóvel, é o único a manter a herança familiar da fundação; é ecólogo de carteirinha; lidera programa mundial de preservação ecológica, e dirige a marca que vende a maior quantidade destes veículos.

A ação surpreende, em especial num país onde os recursos naturais são desperdiçados em números tão majestosos quanto inquantificados, e com o atual governo, inteiramente descompromissado com o futuro e as futuras gerações. Surpreende mais, pela possibilidade de resultados, como uma exigência que nasce do mercado para os fabricantes, quando usualmente tais mudanças ocorrem de cima para baixo, por ação governamental ou pela construção de veículos com formas e habilidades que antecipam e instigam vontades dos consumidores.

Há, a ser considerada, a extrema radicularização da fé evangélica na sociedade norte-americana, e pelo fato de ser a primeira vez que Cristo é referenciado seriamente na questão automóvel.

A indústria deve estar se persignando e fazendo promessas aos líderes celestes de todas as religiões e facções, para evitar o passamento deste tipo de veículo. 

Arquivo Roberto Nasser, cuidado

"Curioso com o espaço deste noticiário na imprensa mundial, fui olhar meu arquivo sobre o tema automóvel, religião, fé, correlatos. A informação mais recente relacionando Cristo ao tema, datilografada em máquina de escrever manual Remington, remete a quase 40 anos, especialmente ao meado de 1964. Época do lançamento do Ford Mustang (foto).

Impactante sucesso em vendas e resultados financeiros -- um velho, contido e em fim de linha Ford Falcon, vestido por uma carroceria autorizada por Lee Iacocca --, recordista em seduzir clientes e estimular seu consumo.

Continua

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Data de publicação deste artigo: 17/12/02