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Dólar derruba importados

Somada ao imposto de 35%, moeda leva presidente
da Abeiva a querer "esquecer o segundo semestre"

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

A soma de dólar a R$ 3,60 com imposto de importação em 35% causou um estrago nas contas dos importadores e compactou o mercado ao pior nível desde a abertura das importações, em 1990. André Carioba, presidente da BMW e da Abeiva, a associação dos importadores, é pragmático. Segundo ele "é melhor esquecer o segundo semestre".

As importações são realizadas pelos fabricantes e pelas empresas importadoras sem operação industrial no país. Os números são muitos distantes: as primeiras importam algo como 95% e os importadores apenas 5%. Em relação à frota, significa 0,33%.

Em comparação aos 10 primeiros meses de 2001, a redução nas vendas dos importados representou 36,7%. A situação para os importadores é negativa por dois fatores -- o dólar alto é barreira por si só e, em adicional, outra barreira dos custos de importação, de 35%. Somadas, significam um dólar em torno de R$ 5, mais os custos de transporte, armazenagem, e impostos locais.

O setor dos importados diferencia-se dos nacionais pela dificuldade e demora nos resultados da manobras. Enquanto um fabricante nacional, à vista das situações do mercado, reduz ou acelera a produção imediatamente, um importador brasileiro -- usualmente vendedor de pequeno volume, e tratado como um bom concessionário -- tem que agir com cinco ou seis meses de antecedência, para concatenar aumento ou redução nas encomendas, com o processo de produção de veículos com características adequadas ao mercado; transporte até o porto de saída; armazenagem; transporte marítimo; armazenagem e liberação em portos brasileiros; revisão final, transporte e distribuição aos concessionários no Brasil. A diferença em tempo entre crises e soluções é barreira tão sensível quanto inamovível.

Questão

A Abeiva pediu a seus oito associados uma relação dos níveis de emprego tanto nas empresas quanto na rede comercial e assistencial. Querem utilizar estes números, e o da frota de mais de milhão de veículos importados, para argumentar com o governo Lula sobre a importância do setor. A Abeiva perdeu a oportunidade de negociar com o governo neoliberal, e terá que enfrentar uma barreira conceitual, que é a visão sindical do ser mais importante dar emprego ao metalúrgico brasileiro que ao estrangeiro.

Ocasião

Bons negócios podem ser feitos com importados 0-km. Seja pelo fato de terem sido trazidos com dólar próximo à realidade; seja pelo fim do ano-modelo; ou o fim do ano gregoriano e a próxima chegada de novos modelos. Por isto ou pela necessidade do importador ou concessionário em se livrar do estoque e fazer caixa positivo para encerrar o exercício, há boas oportunidades, com sensíveis descontos ou dólares em valor histórico.

Fiat. Na Itália, mal. Aqui, muito bem.

"GM vai comprar a Fiat". "O avocato Gianni Agnelli, o Augusto Caesar da Fiat, vai deixar os negócios". "Matriz da Fiat deu prejuízo". "Fiat vende ações e companhias para fazer caixa". "Governo italiano socorre a Fiat mas exige cortes e controles". "Fiat demitirá 8 mil funcionários". "Agnelli está doente". "Luca de Montezemollo, número 1 da Ferrari e braço direito de Agnelli, pode deixar a companhia". "GM assumirá controle da Fiat".

São manchetes recentes dos jornais em todo o mundo. Em todas, a Fiat parece a bola da vez, com as piores previsões e vaticínios sobre seu futuro.

Pelo noticiário seria razoável que as conseqüências dos problemas da matriz se abatessem sobre a filial brasileira do ramo de automóveis, passando a idéia de imobilidade ou falta de futuro à operação d'além mar, baixando o ânimo interno e de concessionários, fazendo cair vendas, participação de mercado, faturamento, lucros -- um círculo vicioso.

Mas a Fiat Automóveis no Brasil age como se não visse ou ouvisse. Foi a única fábrica a dar lucro no ano passado; aumentou vendas; lidera o mercado com seis produtos -- picape Strada, Ducato, Palio Weekend, Marea Weekend, Doblò. Com a apresentação dos picapes Strada com motorização 1,25 Fire e 1,8, no dia 22, completará oito lançamentos de produtos ou versões neste ano. Continua

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Data de publicação deste artigo: 19/11/02