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Astra GSi. Esportivo?

A GM vai buscar no baú da saudade a fórmula de um
esportivo com quatro portas e mecânica familiar

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

Uma nova versão do GM Astra está no mercado. Chama-se GSi, como fugaz, embora bem elaborada série do Corsa com implementos de performance superior ao restante da linha. É apresentado como esportivo, porém não é, por manter a motorização comum a outros produtos da marca, o 2,0-litros com 16 válvulas e 136 cv de potência.

Preço, anunciado como R$ 43.800, mas nestes dias de mercado medroso, dependerá da capacidade argumentativa de cada um. Se você quer um sedã com uns charminhos diferenciativos, é uma opção. Mas se gosta de rendimento superior, não será o caso. Há grande distância entre a imagem que dele oferecem e o que o carrinho faz. E desconfie de carros com asas na traseira. Não sendo de grande performance, como no caso, será apenas aditivo de decoração.

Volta

Carro quatro portas com motorização idêntica à da versão familiar, caracterizado como esportivo apenas por decoração e nos anúncios, é fórmula que a GM foi buscar no baú da saudade. Receita com mais de 30 anos quando, então, chamou "SS" um comum Opala de quatro portas, com rodas de ferro com desenho diferente; faixas nas laterais e no capô; cores impactantes -- vermelho tijolo, azul francês, branco, prata.

Quem achava que "SS" significava alguma coisa como Super Sport, enganou-se. Queria dizer que o carro vinha com bancos dianteiros individuais, Separated Seats. O motor era o mesmo manso e pacífico de 4.100 cm3, com a novidade da transmissão com quatro marchas à frente, acionamento no assoalho, e o volante de raios metálicos.

A fórmula simplificava a da Chrysler em 1968, no Esplanada versão GTX (acima), sedã quatro-portas: mecânica idêntica, exceto pela caixa de quatro marchas, bancos individuais, adereços na pintura, volante esportivo da Walrod. Fora, rodas mais largas, cromadas, e pneus radiais.

Antes, na época em que o país possuía apenas cinco marcas de velhos automóveis -- Willys, Volks, Vemag, Simca e FNM --, estas fórmulas eram mais refinadas. Em 1962 a Simca fizera a versão Rallye (abaixo), bem caracterizada por capô com tomadas de ar, dupla carburação, duplo escape, e 11% mais potente que a versão normal.

Logo após a Fábrica Nacional de Motores homenageou o então presidente João Goulart com versão implementada do sedã JK 2.000, chamando-a Jango: capô alisado, grade rebaixada, rodas cromadas, vidro traseiro verde, bancos separados, alavanca de marchas no chão, e motor rendendo 115 cv, 20 mais que o original. Veio a Revolução, e cassou os Jangos, carro e homenageado. O automóvel reapareceu, em 1966, renomeado TIMB, e era o de melhor performance e maior preço no mercado.

A fórmula decorativa poderia ser uma opção naquela época sem opções. Hoje, 40 anos após, com todas as facilidades, chamar sedã quatro-portas de esportivo apenas pela decoração enfeitada, é forçar a amizade e o Código do Consumidor. Continua

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Data de publicação deste artigo: 5/11/02