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Salão imponente, mercado otimista

Num ano de muitos sustos, todos os espaços foram
vendidos e muitas novidades sinalizam as esperanças

por Roberto Nasser - Fotos: Fabrício Samahá (Salão) e divulgação
Roberto Nasser

A XXII edição do Salão do Automóvel, que funcionou no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista, até o dia 20 último, é com certeza a mostra mais demonstrativa do poder mobilizador do automóvel. Num ano em que o mercado passou por sustos e que a produção global tem como objetivo repetir, sem evolução, o 1,8 milhão de veículos produzidos, vendeu todos os espaços disponíveis dos 50.000 m2 de área, surpreendendo até a Alcântara Machado, iniciadora e organizadora.

Uma constatação do encerrar do novo ciclo de implantação da indústria automobilística no Brasil, que mostrou nos últimos 7 anos 21 novas fábricas, num parque de 50 instalações industriais, detidas por três dezenas de fabricantes -- um recorde mundial. 

Resumo sintético é um retrato: a tentativa de grande número de empresas em buscar nichos, onde possam colocar seus produtos num mercado que não se expande ou sequer cresce vegetativamente com a população. O Brasil vai-se transformando na reserva técnica de produção de automóveis bons, confiáveis, aptos a resistir aos maus tratos de mercados emergentes.

Mas serão sempre -- quer dizer, espera-se que não para sempre -- carros pequenos. O encolher de nossa capacidade aquisitiva nos pune, encolhendo os Omegas, os Alfas Romeo, os Landaus em Gols, Palios, Polos, Picassos, Scénics... Um grande mercado de carros pequenos. Otimista com o futuro e com olhos voltados ao mercado de exportação. Quem não tem mercado interno, caça o externo...

Daqui, pra lá

Além das atividades de exportação praticadas por quase todas as marcas, representando usualmente uma fatia relativamente aos números comercializados no mercado doméstico, o regime de salve-se-quem-puder, estabelecido para as empresas nacionais, com uma capacidade industrial instalada e com teórica ociosidade de 60%, há um redirecionamento de viabilização e sobrevivência.

As empresas pensam em aproveitar a ociosidade industrial, a boa mão-de-obra, as autopeças compradas em desvalorizados reais, construindo produtos para exportação. Há variáveis neste sentido. Há quem, como a Fiat, desenvolveu um produto, o Palio, vende-o no Brasil e daqui faz base geradora de exportações: vende carros prontos, desmontados ou peças para o exterior. E há o exemplo da Mercedes-Benz, que monta os Classe C em Juiz de Fora, MG, e os exporta, sem vender sequer uma unidade domesticamente.

A Renault anunciou o desenvolvimento de nova família com este perfil: carro resistente às