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O salão da história, das novidades e
das impossibilidades, em Paris

O evento francês é referência de lançamentos, mas
poucos a ser consumidos por nós, brasileiros

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

Salões do Automóvel são muitos. Detroit, Genebra, Turim, Miami, Frankfurt, Tóquio, São Paulo, Buenos Aires, Brasília... Mondial d'Automobile, como os franceses chamam, só um, o de Paris. Simples entender. A história do automóvel iniciou-se na França, de imbatida quantidade de marcas e fábricas. Foi lá o primeiro Salão -- no distante 1898, de incríveis 140 mil visitantes, maior prova de interesse e mercado às nascentes e prosaicas máquinas que pretendiam substituir cavalos em divertimentos.

Por isto Paris é referência de novidades e lançamentos, onde as marcas francesas afloram criativas e atrativas. É bonito, moças com latinidade, mais simpáticas que as germânicas de Frankfurt. É mais condensado que o alemão, sem exigir os mínimos 60 km de caminhada, durante quatro dias, para ver o todo lá exibido. Paris é ameno e o meio-ambiente é tão inexplicável quanto mundialmente aceito como atrativo e agradável.

Como mostra do bicho-automóvel, a suprir quase todo seu universo consumidor, exigindo novidades em linhas, formas e aplicativos, há de tudo para todos.

Pobre pobreza

Mas a nós, brasileiros, pouco há a ser consumido nesta miríade veicular. Simples entender. Primeiro, pela queda de renda e de poder aquisitivo, resultado do projeto de má gestão do país. Segundo, a malvada cota de impostos incidente sobre tudo no Brasil, conseqüência das más gestões federal, estadual e municipal, se soma à proteção negativa ao desenvolvimento interno, com 35% da elevada barreira de importação. E além de todas as taxas portuárias, considere-se que, com um dólar, ou um euro, em hipotéticos e contidos 3 reais, o resultado final alcança poucos consumidores, inviabilizando importação e manutenção -- acima de 1 x 3, nem pensar.

Assim, o imaginado factível, como os utilitários esporte criados em conjunto pela Volkswagen e pela Porsche, respectivamente Touareg (foto acima) e Cayenne, se tornam impossíveis. O Touareg, como o Volvo XC 90, com as mesmas pretensões, custará aos europeus uns 30 mil euros. A soma de despesas alfandegárias, imposto de importação e internos, multiplicada pela relação de 1 x 3, será próxima a R$ 200 mil. Ou seja, na Europa, carro para os muitos da classe media alta. No Brasil, aos poucos milionários. Cayenne, a 45.000 euros...

Retrato desta barreira é o Renault Mégane II, substituto da linha produzida na Argentina e aqui vendida. Com o mercado mercossulino em retração e euro/dólar nas alturas, mesmo na relação de 1 x 3, as limitadas vendas adiam investimento e projeto -- para a VW, o restrito mercado inviabilizou fazer a próxima geração do Golf no Paraná, como a Coluna antecipou nacionalmente.

Como resume o Sérgio Habib, presidente da Citroën nacional e dos mais argutos interlocutores do setor: "Dólar a 3 x 1 não inviabiliza importações. Inviabiliza a indústria automobilística no Brasil", mesmo raciocínio de Rogélio Golfarb, diretor de assuntos corporativos da Ford Brasil, presente ao evento. Continua

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Data de publicação deste artigo: 8/10/02