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Japonês ao gosto brasileiro

Nona geração do Corolla, que vem atender a público
distinto do que o compra lá fora, merece melhorias

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

A Toyota fez bom lançamento e está colhendo bons resultados de venda com o novo Corolla. É a nona geração do automóvel e está inteiramente atualizada em relação à versão mundial mais moderna, com um aumento na distância entre eixos, criando um espaço interno agradável.

Em termos decorativos tem as exigências do comprador brasileiro: cores prata e preto, as da moda; estofamento em couro; os trios elétricos -- de rico, direção hidráulica, ar-condicionado e transmissão automática; de pobre, vidros, travas e retrovisores elétricos; e interior tentativamente cuidado; CD para seis discos, com abastecimento pelo painel. Externamente é caracterizado pelos grandes grupos óticos.

A parte mecânica tem o padrão japonês: muita tecnologia, perceptível imediatamente, e grande qualidade construtiva, constatável a longo prazo. A versão experimentada pela Coluna, SE-G 1,8, é o topo de linha, com o motor totalmente em alumínio, 136 cv, dotado de um sistema, o VVT-i, que modifica a abertura das válvulas de acordo com as condições de uso. Daí consegue desempenho como se fora um 2,0, consumindo como um sovina 1,8.

Para as versões de entrada, há um motor 1,6 de 110 cv de potência. A transmissão é automática, de três marchas mais overdrive, sem recursos como programação de uso esportivo ou antipatinamento. Em segurança, freios com sistema antitravamento (ABS) de última geração, com auxiliar EBD, um distribuidor eletrônico de frenagem. 

Cenário

Nos Estados Unidos o Corolla é o automóvel de velhinhas ou estudantes. É hígido, racional, confiável. Indestrutível pois suporta estes extremados tipos de motorista, usualmente descompromissados com manutenção. Cumpre sua proposta de ser avesso a oficinas, a quebras, a panes. Sua proposta não inclui arroubos de criatividade, estilo ou desempenho. É médio e correto em tudo.

Seu público no Brasil é superior ao de outros países. Como os carros brasileiros são penalizados por uma carga tributária muito elevada, o Corolla destina-se a compradores com melhor poder aquisitivo, e conseqüentemente com maiores vivência, cultura, exigências. No Brasil concorre com o Honda Civic. Ambos têm a mesma proposta, direcionamento, público e qualidade, com características, potência e preços assemelhados.

E então? 

Não é apenas um sucessor, um desdobramento do modelo antigo. Mais que os implementos de projeto, estética ou de mecânica, traz embutido um grande objetivo: crescer muito no Brasil e daqui se transformar na base abastecedora dos mercados do Mercosul, Pacto Andino, Caribe. Esta é a maior conquista da Toyota e de seu gestor, com experiência brasileira, Hiroyuki Okabe (acima). Os investimentos, obras de ampliação, praticamente aumentaram a capacidade de produção em 350%, para 57 mil unidades/ano. Não é um japonezinho no mercado, mas um concorrente com pretensões, a merecer respeito.

O produto é correto em suas pretensões. Transmite segurança, oferece bom rendimento, conforto na condução, boa capacidade de acomodar cinco passageiros e bagagem. Consumo ávaro. Não tem pretensões emocionais de um projeto italiano, apostando num equilíbrio. Pode-se dizer que a transmissão poderia ter quatro marchas mais o overdrive, assim como o monitoramento eletrônico seriam desejáveis, mas a Toyota dirá que, ao público ao que se destinam, está bem dimensionada.

Terá sucesso porque adiciona aos conceitos de veículo agradável e confiável, o de interesse estético e de maior conforto interno. Mas pode melhorar. O isolamento acústico é deficiente, sem isolar os ocupantes dos barulhos externos. Faltam regulagens para os bancos, cujo assento é curto, oferecendo pouco apoio. Para os mesmos consumidores com vivência maior que os de outros países, a regulagem do banco do motorista é falha, sendo difícil encontrar uma posição de conforto, talvez porque a coluna de direção não colabore. 

Finalmente, é imperdoável a falta de revestimento na tampa do porta-malas, com a estrutura que expõe suas vísceras. Com certeza faltou ao Corolla um analista que não falasse japonês para sugerir que o pacote enviado de fora pudesse sofrer adequações aos gostos e exigências dos compradores daqui. Continua

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Data de publicação deste artigo: 27/8/02