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Recomeço, apuro e preços

Alfa Romeo tenta uma nova partida, a terceira,
buscando o segmento dos que não perguntam preço

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

Uma das características do bem transado Bal Harbour Mall, um elegante centro de compras no entorno de Miami, EUA, é que todas as lojas são de grife, cercadas por boa arquitetura, decoração, paisagismo. Outra, é que nenhuma das vitrines exibe preço. Ou seja, se você gosta e pode, compra. Se perguntar quanto custa, é porque não está à altura do elaborado templo de consumo. No ar, intensamente perfumado pelos eflúvios de elegantes, deslumbradas peruas, trêfegos rapazinhos, patrocinadores e patrocinados de uns e outros, preço é irrelevante. Uma característica, e não um componente para a aquisição.

Há uma certa ligação entre o Bal Harbour e a Alfa Romeo -- que não disputa o mercado americano. De agora em diante, neste terceiro recomeçar como importadora, seus produtos vendidos no Brasil não mais serão os que instigam por desenho, desempenho, prazer de direção -- como o são todos da atual geração. Serão os do topo de linha, com os melhores equipamentos para a dinâmica e confortos. E por isto, preços elevados, diferenciativos.

Nova linha

A linha que a representará no país terá o novo 147, menor e modelo de entrada, hatch bem formulado, com desenho marcante, inspirado no Alfa Villa D'Este, legendário cupê pós-Segunda Guerra; no festejado sedã 156, agora motorizado por um V6, 2.500 cm3 e 190 cv; no fluido station SportWagon, com a mesma configuração mecânica; e pelo sóbrio 166.

Carro do Ano, multipremiado, o147 existe na Itália em três e cinco portas. Aqui, só nesta versão. Sobre a plataforma do 156 levemente reduzida entre eixos, oferece conforto interno de carro maior e a dinâmica típica da marca. Motor 2.0 com quatro válvulas e duas velas em cada um dos quatro cilindros, 148 cv declarados, coletores de admissão que se encolhem e esticam de acordo com a demanda e condições; eixos contra-rotantes; injeção com comando eletrônico.

O câmbio é mecânico, com cinco marchas e um sistema auxiliar de comando, o Selespeed. Com ele você apenas engrena a primeira ou a ré. No mais, muda marchas por duas pequenas asas sob o volante. Na direita, ordem ascendente. À esquerda, reduzindo. Como nos Ferrari e Maserati. Se o seu negócio não é cambiar, engrene a primeira e aperte o botão City, mecanismo que transforma o câmbio em automático.

No aspecto segurança, cresceu muito em relação ao 145. Acima de tudo porta o sistema VDC, que enlaça os outros e corrige comportamentos perigosos, derrapagens, perda de aderência. Porta seis bolsas infláveis, frontais, laterais e para cabeça. Direção esportivamente precisa. Equipado tecnologicamente, o item conforto se equivale: dos bancos que abraçam o motorista; som Bose -- de primeiro nível -- direcionado a cada um dos passageiros, límpido.

E mais

O ícone 156 e o SportWagon progrediram em status. Deixam os quatro cilindros e passam-se a um V6 com 2,5 litros, ambos com transmissão Q-System, o implemento do sistema de estabilidade VDC e os mimos eletrônicos do 147. Ao contrário deste, se o motorista gostar de trocar marchas, a transmissão hidráulica porta esta opção. Diferentemente do 166, que apresenta a possibilidade com movimento longitudinal lateral, nos 156 há um "H" e uma pequena alavanca, de curso pequeno, justo -- um conjunto eletrônico, sem ligações mecânicas com a caixa de marchas. O câmbio oferece opções: relações esportivas no botão Sport; antideslizamento com o Ice. Interior revisto e melhorado, computador de bordo servido em 7 línguas, português inclusive.

O sedã 166, considerado melhor relação entre custo e benefício, premiado em design, sofreu pequenas mudanças e mantém-se no topo da relação de uso e preços.

Meta

Bom, bonito e barato não existe. Ou, se há, coisas de baixo preço são desprezadas pelo mercado. Daí a Alfa Romeo decidir-se freqüentar o andar de cima, dos compradores que não perguntam preço. Acha-se capaz de vender, neste ano, 500 unidades, expandindo em 50% as vendas de 2001. E quer o milhar em 2003. Segundo dizem Lélio Ramos, diretor de vendas e marketing da Fiat, e Nivaldo Notolli, diretor Alfa Romeo, não é operação para dar lucro, mas para sedimentar imagem de veículos distinguidos, selecionados.

Cuore alfista

"Sou declaradamente Alfista. Tenho, ininterruptamente, algum Alfa desde 1970, a partir de um FNM 2000, ex-reserva do presidente do Supremo. Para quem era Solicitador Acadêmico, um pré-advogado, o uso precedente e o preto formal, ressaltando o estofamento em couro cinza, preenchiam todas as medidas da prosopopéia.

Tive e tenho boas emoções da marca. Reações emocionais de paixão -- longas viagens em GTV, corridas, ou no 2300 TI álcool, e seus 180 cv, pastilhas de freio em titânio, que vinha de uso secreto pelo ex-presidente Figueiredo, ou do atual 166 -- e desprezo com as dificuldades de manutenção surgidas desde 1978, quando o Cascão fechou a revenda em Brasília.

Relevo coisas como a mudança de tração para a dianteira, a redução do rumor dos gases passando pelo cabeçote, a queda na precisão no engate das marchas pelo uso do motor transversal -- vendi o 156 por isto. O 147 é um belo pacote alfista. Creio mesmo, exceto o GTV cupê, único da atual linha que não dirigi, exalta todo o mito, aviva sensações de comando e domínio, gera admiração e reverência na cumplicidade de comportamento.

Como em relações intensas, encrespo-me com o imprevisto, como este nivelar o preço pelo alto; de reduzir concessionários, que arrepia usuários para assistência técnica, pelo valor e liquidez na revenda. Generoso, dou um tempo para observar os resultados desta política - que torço para ser exitosa e não apenas mais uma trapalhada." (RN)


Continua

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Data de publicação deste artigo: 2/7/02