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Perua, não: Audi
A4 Avant Multitronic

Arquitetura bem formulada, belo desenho,
motores potentes e uma transmissão inovadora

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

Quem tiver meios, pretensões e dúvidas à aquisição de uma camionete (sabe o leitor que, pela nossa legislação, os utilitários derivados de automóveis se chamam camioneta; e que de picapes são denominados caminhonete, daí a fórmula de se identificar os primeiros como perua para evitar confusões?) e superada esta dúvida filológica, não deve passar pela porta de uma concessionária Audi. Se dirigir o novo A4 Avant e seu câmbio Multitronic, será difícil resistir. 

A arquitetura mecânica é muito bem formulada, com a plataforma do A4 e a rolagem, confortável e segura. A estética é atrativa, elegante, discreta, abandonando o conceito chocante da primeira geração e seu teto modelo cobertor curto. A motorização foi bem escolhida: motor 1,8, duplo comando, cinco válvulas por cilindro, sobrealimentado por um turbo, que entra sem choques, produzindo até 150 cv. Acima deste, o 2,4 de seis cilindros em V, até 170 cv. Topo, motorização 3,0 e um máximo de 220 cv, tropa que leva a camionete da imobilidade aos 100 km/hora em 7,1 s, tempo de automóvel sério.

O aspecto conforto é bem enfatizado, pela ergonomia, espaço interno e em especial pelo sistema de ar condicionado, com sensor solar capaz de auto ajustar-se para áreas de sol e sombra. Os freios trazem uma espécie de servo do servo. Quer dizer o seguinte: numa freada de emergência o sistema entende que é necessário mais pressão e por si só providencia isto. E seu preço é compatível. Mais barato que os Mercedes, concorrentes de Volvo.

Mas a transmissão é, sem trocadilho, seu grande diferencial. É uma caixa que combina relações de trator de esteira com carro de Formula 1. E jogou ao lixo engrenagens, trambuladores, alavancas, como também todas aquelas inumeráveis complicações das transmissões hidráulicas, ditas automáticas. Emprega o sistema de polias de diâmetro variável, como dois cones ligados por uma corrente larga, resistente e flexível. Para rememorar, as relações de câmbio de um automóvel variam a grosso modo, de uma relação 4:1 até 0,7:1. E as marchas, para definir aceleração, capacidade de subir e acelerar, são escolhidas, quarto, cinco ou seis dentro desta gradação.

A nova transmissão sai mais ou menos em 6:1 e a última multiplicação é 0,6:1. Desta forma, apenas para constar a alavanca é tratada como se for a de transmissão automática. Você coloca em D, e as relações vão-se alterando continuamente, sem identificação de passagem. Contínuas, lembram conduzir um carro elétrico no qual, sem marchas você só acelera. Para quem gosta, há marchas virtuais. Quer dizer, pontos predeterminados para a correia mudar entre as polias, sugerindo conjuntos de engrenagens ou de corpos de válvulas, como nos câmbios manuais ou automáticos a que estamos acostumados. Mas é para neo-bobos. A vantagem está em deixar em Drive e dirigir esquecendo-se da transmissão.

O A4 Avant Multitronic vem completo. A Audi-Senna, responsável pela comercialização, consegue convencer a matriz alemã a fazer veículos de baixa gama, como são os A4 no restante do mundo, dando-lhes tratamento e equipamentos das versões de maior luxo. Daí, veículos completos, com ar, direção, teto solar, estofamento em couro, bom som e a transmissão Multitronic.
As pretensões da Audi são modestas em relação ao sedã, que vende 90 unidades/mês. Do Avant querem comercializar 11 a 12, acreditando que 40% sejam na versão Turbo; 30 a 35% com 2,4; e os restantes o topo de linha com o engenho de 3,0 litros.

Preços: 1,8 Turbo, R$ 121.000; 2,4, R$ 132.800; 3,0, R$ 152.400. Continua

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Data de publicação deste artigo: 23/4/02