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Duas ou três coisas
sobre o Polo

Chega dia 19 o novo VW, que marca renovação
em produto, fabricação e clima na fábrica

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

A Volkswagen definiu a data de apresentação do Polo: 19 de abril. Mais que um automóvel que chamará atenção pelas características de construção e pelas boas sensações de condução, representa o segundo grande passo da marca no sentido de renovar-se em produto, sistema de construção e clima na fábrica. O primeiro foi o Golf. Não será concorrente ou substituto ao Gol, operando sobre as versões mais caras desta família e dos Golfs mais baratos, entre R$ 25 mil e R$ 35 mil.

É um veículo totalmente novo, com ótimos resultados de engenharia. Dotado de motor 1,6 de 101 cv de potência, com freios a discos na dianteira, ou 2,0 de 116 cv e discos nas quatro rodas, ambos possuem uma transmissão levemente reduzida, o que permite resultados de aceleração superiores aos concorrentes da mesma cilindrada. As sensações de uso são muito boas. Direção precisa, suspensão viril, freios honestos. Transmite a impressão de um veículo de categoria superior, e sua construção tem requintes inabituais aos Volkswagen, como duas borrachas para vedar portas e tratamento cuidadoso em seus vãos.

O lançamento, feito com muito atraso -- as administrações anteriores da Volkswagen exauriram o modelo de fábrica e de produtos antigos, sem investir na reformulação física, industrial, manufatura e produto -, representa um passo adicional e perceptível na política mundial que a empresa adota: de fazer carros com boa engenharia e bom tratamento construtivo, cobrando a mais por este diferencial de qualidade. 

Os investimentos e as grandes mudanças físicas operadas na fábrica de conceitos antigos terão reflexos internos e externos, pela criação e vendas domésticas e para o exterior de uma versão apenas construída no Brasil, o sedã de três volumes. 

Trata-se de um movimento de intrincado jogo industrial/comercial/mercadológico. Uma decisão da Volkswagen para adensar o leque de exportações da fábrica brasileira, criando um produto que possa entrar na pauta de exportações, nesta quadra econômica em que se descobriu que a dependência exclusiva do mercado interno pode ser perigosa. Produzirá uma moeda de troca com mercados externos, especialmente a Europa. As versões de cinco portas, inicialmente produzidas, e posteriormente a de três portas serão vendidas para a América Latina.

Versões de três volumes de carros pequenos têm pouca demanda mundial, não justificando presença como versão em todas as fábricas onde se produz o Polo. Daí a decisão de centralizar em apenas um local e daí fazer as exportações. O Brasil ganha nesta equação. Tem fábrica moderna feita dentro das instalações em São Bernardo do Campo, SP, onde a Volkswagen começou há 49 anos, e custos menores que os europeus.

No caso das exportações para o México, o assunto tem mais a ver: a próxima geração do Golf e do Audi A3 deverá ser produzida na fábrica de Toluca, no México, e o Brasil exportará o Polo três-volumes como moeda de troca. Continua

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Data de publicação deste artigo: 9/4/02