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S10 melhora com motor MWM

Troca de propulsor diesel eleva potência de 95 para
132 cv. É a arma da GM para ganhar mercado

por Roberto Nasser

A General Motors apresenta a utilização do motor MWM Sprint como unidade de tração dos seus picapes médios S10. Quebra uma tradição de quase 20 anos. A GM utilizava nos D10 um velho motor Perkins, que depois evoluiu em marca para Maxion. Para o S10 aplicou outro Maxion, que havia sido desenvolvido para a Rover. Era o 2,5-litros, espécie de panacéia mecânica quase nacional, pois utilizado multimarca: GM S10, Ford Ranger, Land Rover e até Mercedes, que o decora como se fosse de sua fabricação. Agora o S10 sai da lista.

O novo MWM é um dos projetos de diesel mais atualizados em todo o mundo -- embora curiosamente, pela arquitetura negocial da MWM, só exista no Brasil. Faz parte da série Sprint, da qual o de seis cilindros equipa os picapes Ford F250 e GM Silverado.

O quatro-cilindros da MWM é um motor de ciclo rápido, ou seja, de rotações elevadas, assemelhadas a um a gasolina. Por isto tem potência elevada, em rotações idem, sendo mais adequado a puxar o veículo em boas médias horárias em estradas asfaltadas do que para arrancar toco em pasto agreste. Desloca 2.800 cm3 de cilindrada, e dotado de três válvulas por cilindro, turbocompressor e intercooler -- um resfriador da temperatura do ar de admissão. Produz 132 cv de potência, que lhe dão, diz a GM, ótimo comportamento, como recuperar em quinta marcha dos 80 aos 120 km/hora em apenas 12 segundos -- tempo para automóvel.

Mexendo no time ganhador

Por que a GM investiria na mudança de motor do S10, quando seu picape de tamanho médio é o mais vendido do segmento, e ao momento em que faz mudança de marca de motor, que é sempre desgastante para a imagem do produto, especialmente entre frotistas?

Resposta simples: a GM é líder no segmento médio. Nos outros -- os leves, derivados dos automóveis, onde atua com o que é desenvolvido sobre o Corsa, e os pesados --, está atrás. E passa por uma questão crucial. Não adianta inventar muito sobre o picape Corsa, cujo projeto é de aplicação nitidamente urbana -- é muito mais um Corsa que utilitário. Por isto, em vendas é o último lugar no mercado.

No outro extremo, o do Silverado, perdeu a liderança mantida durante muitos anos. Em '98 a Ford assumiu sua característica mundial de líder neste segmento e ultrapassou-a. Em '99, viu-se às voltas com três dificuldades:

* a mudança do dólar fez o mercado desabar para os veículos com preço referenciados na moeda norte-americana;

* o Silverado enfrentava problemas operacionais com o aumento de capacidade de carga que lhe impuseram, dando-lhe reações, desconforto e restrições legais (velocidade em algumas estradas, habilitação categoria C, circulação proibida em certos horários em centros urbanos) de caminhão pequeno; e

* a chegada do Ford F250 ao mercado, com novas formas e provocação ao cliente típico desta faixa.

Daí, suspendeu a produção na Argentina e deverá reiniciá-la no Brasil com tentativas atrações. Fraca nas extremidades, a GM resolveu concentrar-se no centro buscando ampliar vantagens. Desempenho é argumento. O S10 com motor MWM tem 132 cv. O Ford Ranger, concorrente mais próximo, tem 17 eqüinos menos no motor Maxion: 115.

O mercado da especialidade é dos melhores para a indústria, com promessas de ampliação em volume e participação de novos concorrentes. Mostrou queda em '99 relativamente a '98, mas a tendência para 2.000 é reaquecer.

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Correspondência para o autor: rnasser@mymail.com.br