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2002, segundo a Volkswagen

Mercado, diesel, Argentina, o Phaeton: o presidente
da marca comenta as tendências para este ano

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

O ano de 2001 mostrou resultado inovador na indústria automobilística: a Volkswagen perdeu uma liderança de 39 anos para a Fiat (a marca afirma serem 42, mas até 1963 a Willys-Overland, depois assumida pela Ford, era a maior vendedora), caso não se considerem as vendas do Audi A3. Dado característico deste insólito exercício, o mês de setembro foi, para a VW, o de menores vendas nos últimos 10 anos, sinal reflexo do tremor do mercado com os atos de terrorismo nos EUA. A empresa fez uma entrevista sobre o tema, que adicionada a uma conversa com o engenheiro Herbert Demel, presidente, é assim resumida:

Produção automobilística - Crescerá entre 3 e 5% em 2002, em continuado prejuízo. As perdas globais das fábricas serão, em média, de US$ 2 bilhões.

Exportações - Vão se expandir, mas o governo brasileiro deve agir com rapidez, especialmente nas definições oficiais com o México. A iniciativa privada já fez sua parte. O México deverá ser o maior comprador brasileiro; a Venezuela é um nascente parceiro; mas os negócios com a Argentina serão restritos e menores que em 2001. Quer crescer 10% em exportações.

Argentina - Terá um ano difícil, especialmente porque todos os contratos que regem a vida civil, aluguéis, financiamentos, são feitos em dólar. Isto, ao contrário do Brasil, deverá provocar inflação, uma grande desvalorização do peso; e queda do poder aquisitivo. O mercado de veículos, que chegou a 500 mil unidades há dois anos, fechou 2001 com aproximadas 190 mil e em 2002 deverá vender metade disso.

Desistência - As previsões que realizou em setembro passado sobre o fechamento de quatro fábricas no Mercosul, tendo em vista os investimentos, capacidade instalada, e o mercado que é metade do planejado, devem começar por duas na Argentina.

Ficam - A Kombi e o Santana continuam em produção. Antigos, superados ou criticados, são líderes em preços. O Vectra é mais moderno que o Santana, porém vende menos.

Impostos - O governo não unificará os impostos em ano eleitoral. Mas deve iniciar um projeto de aproximação das faixas tributárias. Pode-se fazer um ponto médio e subir a partir dos 10% (dos modelos até 1.000 cm3) e descer dos 25% (dos acima de 1.000).

Carro 1.000 - O crescimento das exportações esbarra no carro com 1.000 cm3 de cilindrada, tamanho de motor que não é padrão para o resto do mundo. O ideal seriam motores de 1,6 litro, de aceitação universal.

Diesel - O Brasil pode abrir o mercado para carros a diesel, sem haver um salto no consumo. O país atualmente não fabrica motores adequados; e se fizesse, as vendas cresceriam muito lentamente.

2002 - A Fiat deve insistir em sua política de carros chiques. A Volkswagen vai se concentrar nos modelos de menor preço.

Polo - Não informa a data de lançamento. A fábrica é nova (as antigas instalações da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP foram remodeladas); o produto é novo. Há necessidade de uma produção pequena, que começa em fevereiro, e cresça, para construir 50 mil unidades em 2002.

Preço - Na faixa entre o Gol mais caros e o Golf mais barato. Ou seja, entre R$ 22 mil para a versão mais simples com motor 1,6, e R$ 35 mil para as melhor equipadas e motor 2,0. O Gol Turbo ficará no mercado.

Phaeton - A Volkswagen do Brasil, pelo menos em 2002, não importará o Phaeton, o maior sedã da linha, que inicia produção em março na Alemanha.

Balança - A marca fechou 2001 com um balanço externo positivo, fazendo um superávit de US$ 500 milhões. Trabalha para aumentar em 2002.

Escola - O Brasil tem mercado e governo que exigem respostas rápidas e criativas. É uma excelente escola para executivos, que podem ocupar postos mais altos na matriz, com uma experiência que não teria em mercados estabilizados.

Varejo - A Volkswagen não entrará nas disputas de Juro Zero. Vai trabalhar sobre o produto, com séries e atrações especiais, como adição de equipamentos.

Blindagem é só o começo

Talvez o único ponto claro no assassinato do prefeito de Santo André, SP, Celso Daniel, retirado de um Pajero Sport (como o da foto) blindado, é que este sistema de adicional proteção não traz a mágica da intocabilidade, sendo, apenas e tão somente, um dificultador de invasivas ações externas. O condutor do veículo alega que o câmbio quebrou e que as portas se abriram, e por isso o prefeito foi tirado do carro. As inspeções técnicas mostraram que o veículo funcionava perfeitamente, tanto o câmbio quanto o mecanismo de abrir, fechar e trancar portas.

A história completa, seja pela polícia, seja pela investigação paralela do PT, deve ser aclarada. Mas a ocasião é boa para reflexão sobre o fato de a blindagem ser, tão somente e apenas, um dos itens de proteção a quem é conduzido num veículo. Esta capa protetora é só uma barreira contra surpresas, que oferece uma resistência inicial, com a oportunidade de reagir e sair, o mais rapidamente possível, do cenário de perigo.

Por isso é que basicamente os carros blindados devem possuir motores potentes, para acelerar e fugir. A blindagem oferece a oportunidade de resistir ao ataque e realizar fuga, até porque os processos antiagentes externos, como a proteção aplicada, resistem no global, mas não pontualmente. Dois tiros no mesmo local, no mais das vezes, perfuram o vidro ou a carroceria.

No conjunto de proteção, o aparato blindador é um dos componentes. Outros são o veículo adequado a fugir do cenário perigoso, e motorista hábil a sair, exatamente com o veículo que o envolve, do meio-ambiente perigoso. Qualquer falha num destes itens -- blindagem insuficiente; veículo fraco ou lerdo; motorista que não consegue usar as capacidades do veículo para fugir ao perigo -- anula a blindagem e torna o ataque exitoso. Continua

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Data de publicação deste artigo: 29/1/02