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2002: palpites e lançamentos

Várias novidades nos segmentos mais relevantes e
um crescimento de 3% no mercado: as previsões

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

São boas as expectativas em torno do automóvel brasileiro em 2002. Projeções, formais ou oficiosas, e o puro exercício de palpitologia projetam crescimento do PIB brasileiro em 2,5%. A Anfavea, associação dos fabricantes, evita previsões, e o diretor de relações institucionais, jornalista Ademar Canteiro escapa aos números, baseando-se num sentimento geral às marcas, de crescimento de 3% para o mercado interno e de 5% nas exportações, graças aos acordos em final de viabilização com o México, a Venezuela, o Chile e possivelmente a África do Sul. Estes números significam 1 milhão e 900 mil veículos produzidos e 1 milhão e 650 mil unidades vendidas domesticamente.

A Abeiva, associação das marcas sem operação industrial no Brasil, estima que o volume de 14.500 veículos importados em 2001 cresça 10%, atingindo 16.000 unidades, excetuadas as que são trazidas diretamente pelas fábricas. A entidade evidenciou uma característica comparando 2001 em relação a 2000: as vendas caíram nas extremidades, nos carros mais baratos e nos muito caros -- Ferrari, Porsche, Maserati. O miolo se manteve.

Sobe

Tenho crença pessoal em números maiores para o mercado doméstico. A pequena recessão americana, estimulada pelo pessimismo mundial provocado no abalo do maior ícone do capitalismo, retorna ao zero. Ou seja, encerrou-se o pânico, e a economia vizinha, baseada no consumo, volta a seu caminho natural. Dor de cabeça de lá se vai, e a constipação abaixo do Equador toma seu curso. Nas singelezas nacionais, a promessa não cumprida dos "apagões" e a superação sem reflexos imediatos do caos da Argentina, sinaliza otimismo, que é a moeda mais forte do consumidor brasileiro.

Os novos Fiesta, no alto, e Polo: duas
das principais novidades que chegam este ano

As previsões para a economia dos EUA sugerem volta ao crescimento a partir do fim do primeiro trimestre. Aqui não será diferente tanto por razões econômicas, mas e principalmente, pelas de cunho sociológico. Os consumidores brasileiros perderam o medo do escuro; da poderosa pulga do Mercosul, a única no universo zoológico capaz de sacudir o cachorro vizinho, e após o verão, Carnaval e Semana Santa, neste ano recuados, esta miscela econômica-sincrética-sociológica moverá o país positivamente.

Em síntese, projeções e análises são que a partir de março a economia decola, tanto pelas condições externas quanto internas, e ainda aditivada pelo irrigar de verbas oficiais e oficiosas do consumo farto movido pelo ânimo das campanhas eleitorais. 

No varejo do umbigo no balcão, não é coincidência, surjam em março sete novos produtos, entre nacionais e importados, dentre os 30 e poucos previstos para 2002.

Fim de ciclo

2001 encerrou a implantação das unidades industriais das aderentes ao programa oficial de atração de novas marcas. Mostrou expansão das que já estavam no país. Exibiu, igualmente, ao par do fechamento de indústrias, como a Chrysler e a JPX, o surgimento de duas, sem incentivos, a Nissan e a pequena Matra.

Este ano a Ford, como última adesão ao projeto de renovação industrial, começa a operar com o novo Fiesta, e ao final do ano, o segundo produto, um jipe urbano. Mas há novidades em todas as marcas neste ano aguerrido. É uma espécie de briga de facas na copa, no repartir do bolo para que o lanche seja servido. O bolo tem o mesmo tamanho, mas há mais gente a participar. Com isto, as fatias largas foram sendo reduzidas em tamanho. Dona da maior, a Volkswagen perdeu mais e fechou o ano como segunda, o que não ocorria deste o início dos anos 60.

A marca, com a reformulação do Gol e o lançamento do Polo, quer retomar a liderança perdida à Fiat. O ano poderá encerrar a carreira da Kombi e do Santana, sobreviventes por preços menores. Têm contra si a manufatura antiquada, que arrepia os novos métodos empregados na fábrica de São Bernardo do Campo, SP. Este passeio à beira do telhado tem ênfase pela ausência de ambos no calendário distribuído pela empresa para marcar o ano novo.

A Fiat atualizou sua linha de produtos e terá a novidade do Stilo, um médio, ao final do ano, em convívio com o Brava. A Renault atualizará o Clio. A Peugeot, em conjunto com a Citroën, iniciará fazer motores no Brasil, facilitando novos produtos. O mesmo para a DaimlerChrysler, que fará miscela comercial e industrial na fábrica de Juiz de Fora, MG, com um novo produto -- possivelmente um Hyundai, com o nome Dodge e motor feito pela Tritec, no Paraná.

Um Hyundai semelhante a este conceito, o TB, pode
ser o próximo produto da Mercedes em Juiz de Fora, MG

Como curiosidade, nas projeções para 2002 a General Motors nada tem a declarar. Exceto no confirmar de notícias impressas, do surgimento da nova linha Corsa, a ocorrer em março, nada se fala sobre variáveis no Astra; reformulação do Vectra; importação do Chevrolet Tracker, que é o Suzuki Grand Vitara produzido na Argentina, e cuja primeira série, logo descontinuada, foi um "mico" no mercado; da continuidade da importação Holden australiano, aqui dito Omega; ou mesmo do provável encerrar da atividade de produzir caminhões, que vem definhando perigosamente. Nada a declarar, declaram.

Marcas nas quais o entusiasmo se mesclou à irresponsabilidade da torcida favorável, mantém-se improváveis, como a Aurora, do polêmico espanhol Ariortúa Lopez, e a TVR, que há anos promete fazer esportivos em Santa Catarina. A devoção ao Espírito Santo não viabilizou a Lada neste Estado. Mas há mercado ávido a um produto como o jipinho Niva.

O mercado brasileiro fechou 2001 com a maior variedade de marcas em produção, e funcionará com dúvida paralela: filosoficamente, há espaço para tantas marcas? No varejo, qual será a próxima a desistir da aventura tropical? Dois temas periféricos: a liberação para a importação de combustíveis pode liberar as restrições ao uso do diesel. Ou seja, o país poderá ter, enfim, uma matriz energética baseada em racionalidade, encerrando com os sobressaltos do álcool combustível, sempre exumado em anos eleitorais.

Segundo, a vigência das Inspeções de Segurança Veicular, que pode limpar nossas ruas e estradas de veículos sem manutenção e condições de segurança. Resultado desta redução compulsória de veículos, pode renascer, mas desta vez levado a sério, o projeto de Renovação da Frota. Continua

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