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As versões 2002 dos símbolos
do poder quase jovem

Nova frente na Série 3 da BMW, preferida dos que
têm saldo a mais e gostariam de ter idade a menos

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação
Roberto Nasser

Diz-se no mercado de importados, Mercedes é carro de velho; Audi de garotão; BMW de quem exige imagem esportiva e juventude. Independentemente da assertiva, o fato é que os automóveis bávaros da série 3 seriam os preferidos em hipotéticas pesquisas por quem tem saldo bancário a mais e gostaria de idade a menos. São sedãs de quatro portas que aproveitam as linhas e as soluções frontais de estilo das séries superiores, mais caras e melhor dotadas, a 5 e a 7, em deliberada diferenciação do cupê e do Cabriolet.

A nova série 3 chega ao mercado com um produto para alavancar a entrada na marca, o 320i. Carroceria 3 e o tradicional motor de seis cilindros em linha, com a cilindrada em 2,2 litros e 170 cv de potência. A conjugação do número de cilindros com sofisticações tecnológicas como o duplo comando, 24 válvulas e o sistema patenteado como Duplo Vanos, que permite variação nos tempos de fechamento de válvulas de acordo com o momento da demanda ao motor, oferecem bons resultados, como acelerar de 0 a 100 km/h em 9,3 s, ótimo tempo para um sedã pesado com motor pequeno.

Prosseguimento, está o 325i, com motor 2,5 litros e 192 cv de potência, e o 330i, com o seis-cilindros mais moderno na família BMW. Tem a mesma configuração da família, mas porta a inovação de gerenciamento eletrônico Siemens, que ajuda a fornecer 231 cv e a disponibilizar 90% do torque de 25 m.kgf a 3.000 rpm, rotação mais utilizada, o que assegura conforto para condução.

Os novos Série 3 são disponíveis com transmissão automática de cinco marchas, sistema Steptronic, que permite conduzi-lo cambiando manualmente. A eletrônica está presente no monitoramento do motor, da tração, dos freios, e a segurança passiva se realça por seis bolsas infláveis -- frontais, laterais e de cabeça para os ocupantes dos bancos frontais. Sensorialmente a diferença do 320i para os irmãos mais fortes está no revestimento de couro sintético, que nos outros é em couro natural.

Preços: 320i, R$ 105.000; 325i, R$ 135.000; 330i, R$ 159.000; 330i Motorsport, R$ 169.000.

Dos desfiles aos bancos dos automóveis

Fugaz, atrevida ou impraticável, adjetivos usualmente aplicados a modelos e propostas de alta costura, a moda apresentada nos desfiles europeus fornece elementos para os estofamentos de automóveis feitos no Brasil. Algo quase tão diáfano quanto a influência do bater de asas da borboleta no interior da floresta amazônica e o desabamento da montanha de neve no Nepal.

A responsabilidade por caminho de conseqüências tão distante é o poder feminino no mercado de automóveis. Crescente, palpável, quase -- ou às vezes nitidamente audível, "Quero este, e pronto!" -- a influência das mulheres nas vendas de automóveis novos é um dado que as fábricas consideram com a maior seriedade. Em 2000, no universo dos carros de passeio, a cada 10 unidades, quatro eram compradas diretamente pelo público feminino. E das seis restantes, cerca da metade decorria senão da indicação, pelo menos de sua apreciação.

Feminilização

O termo não se inclui no recém lançado Dicionário Houaiss, hoje o mais completo da língua portuguesa, mas bem rotula o esforço realizado pelas montadoras para tirar de seus produtos a aura de direcionamento a público masculino. A Volkswagen, por exemplo, adotou há algum tempo um projeto de amaciar os comandos e tornar agradável o toque do interior de seus produtos. A família Gol passou por um apuro de comandos e de mecânica reduzindo asperezas, resistências, desconfortos com este direcionamento -- exceto, claro, a pedaleira deslocada e o volante fora de plano.

Na mesma marca as coleções internacionais de moda influenciam os estofamentos de seus automóveis. A designer Cristina Belatto, uma das mãos e cabeças femininas envolvidas na formulação interna dos VW, explica: "Se os desfiles dos grandes costureiros europeus apontam uma tendência de roupas transparentes, por exemplo, fios transparentes passam a ser usados nos tecidos dos bancos dos automóveis. Se a tendência é a estrutural, os tecidos dos carros reproduzirão o mesmo conceito." 

Causa e efeito

Segundo a designer, as novas tecnologias de fiação tornaram os novos tecidos dos automóveis mais brilhantes e com tramas mais ricas e em relevo, com as estampas minimalistas, geométricas e clean, como nas roupas. Exemplo disto são os Golfs feitos no Paraná, nos quais os tecidos não tem muitas cores, mas desenhos estruturais inerentes à própria construção têxtil.

Uva?

A moda também influencia as cores externas dos veículos. Hoje o prata domina as preferências mas, segundo Belatto, nos próximos anos as montadoras lançarão veículos pintados em tons azuis esverdeados, como o turquesa. Os verdes amarelados, como o oliva, serão substituídos pelos verdes azulados, apesar da observação que os consumidores brasileiros são, curiosamente, mais conservadores que os europeus.

No tema há que se lembrar uma referência de ex-presidente da BMW, que teria dito ter a frota brasileira da marca o maior percentual de preto, dentre todos os mercados da marca no mundo. Independente da "caretice" do comprador, a Volkswagen terá na família Polo um vermelho quase uva. Influência feminina. Continua

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