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Os Fords baianos

Ford Fusion

Com ligeiras alterações, o novo Fiesta e o utilitário
mostrado em Frankfurt serão parte da linha Amazon

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

O novo Fiesta apresentado no Salão de Frankfurt, na Alemanha, é um veículo de formulação agradável, seis centímetros maior que o modelo atual. E sinaliza como base para a produção da família do Projeto Amazon, pioneira e principal linha de veículos a ser construída na fábrica que a Ford inaugurará em Camaçari, Bahia.

Liderando um parque industrial, agrupando fornecedores, tem capacidade industrial instalada para 240 mil unidades/ano, tendo como objetivo principal os mercados externos. Não é apenas a mais recente, porém a mais moderna do mundo em metodologia industrial. Ao final de 2003 o segundo produto será a versão final do modelo conceitual de utilitário, chamado de Ford Fusion, também mostrado no IAA, o Salão de Frankfurt.

Roberto Nasser

Tipo Brasil

O Fiesta baiano terá identidade própria relativamente aos montados na Inglaterra, Alemanha e Espanha. O automóvel deixou aquele ar acanhado de velhinha-inglesa e apresenta linhas, formas e espaços concorrentes com as demais novidades para o mercado. É necessária evolução do Fiesta, cuja atual versão será produzida na fábrica de São Bernardo do Campo, SP, com o nome de Street -- hoje utilizado na versão básica vendida pela Internet.

As versões baianas terão detalhes próprios: grupo ótico frontal diferente, nova harmonia entre tomada de ar e grade. Mudança maior ocorrerá na curvatura das portas traseiras. 
O processo de industrial da nova fábrica é mais moderno que o europeu, permitindo que os componentes sejam agregados de maneira mais produtiva, daí as pequenas alterações. A produção será iniciada no mês de março, com vendas em maio.

Quanto ao utilitário, será opção para uso em locais e situações de piso

Novo Fiesta

irregular, que exijam maior distância livre do solo -- uma espécie de Suzuki Vitara feito pela Ford. Ou seja, um utilitário que combina o uso confortável na cidade com algumas habilidades em locais ásperos e irregulares, e até alguma disposição fora-de-estrada sem as dificuldades usuais a carros comuns.

O Fusion, ou com outro nome, terá tração nas rodas dianteiras e, numa segunda série, tração nas quatro rodas. A motorização, abre um leque de 1,0 a 1,6, da família Zetec. Na classe dos 1,0, a novidade do motor com duplo comando, 16 válvulas e turbocompressor, com rendimento de um motor 1,8.

Um trimestre de mudanças

Esperam-se grandes mudanças na Ford logo após a inauguração de sua nova força e motivação industrial, que é a fábrica da Bahia. Diz-se que serão decorrência da última vinda de Jacques Nasser, primeiro executivo mundial da empresa, ao Brasil. Nasser vem sofrendo cobranças de acionistas por súbito prejuízo, e olhando todas as operações, veio ao Brasil ver nova fábrica, produtos, mercado. Olhou, projetou, surpreendeu-se com a queda de participação no mercado. Cortou verbas, reduziu programas, e deu três meses para a companhia encontrar seu rumo.

Serão as grandes mudanças, com reformulação de pessoal, o oferecimento de um novo plano de incentivo às demissões, cancelamento de cargos vagos, enxugamento de funções, cargos vagos e não repostos. Em termos operacionais, enfrentará a mesma encruzilhada que as outras marcas: de como compatibilizar a queda de vendas no mercado automobilístico argentino, a desproporção entre as moedas de ambos e entre os valores dos



carros feitos lá e os produzidos aqui, que mostram um abismo de custos em torno de 30%.

Uma das equações difíceis será definir onde fazer o picape Ford Ranger, que atua no mais disputado e lucrativo segmento de mercado, vendendo mais no Brasil que na Argentina. Além disto, individualizar o produto a fazer na fábrica de Pacheco, no país vizinho, pois a alternância da economia dos dois países não sugere que se abandone um deles, mas ao mesmo tempo o bom senso não sugere a absorção constante de prejuízos.

No caso interno, a companhia definirá operações as instalações industriais de São Bernardo, meios de expansão no mercado, com a revitalização da rede de distribuidores, hoje com o maior percentual de defecções. As alterações são de tal amplitude, que há velhos fordistas de carteirinha que asseverem ser estas mudanças de espectro e profundidade maior que todas as alterações industriais que mudarão o eixo operacional da companhia. 

Mercado de segunda

O mercado brasileiro de automóveis novos é bem peculiar, com o convívio de conceitos e produtos aparentemente antagônicos, como, por exemplo, a maior variedade de marcas em todo o mundo e, em contraposição, áspera briga para a sobrevivência das marcas, pois o mercado é a metade da capacidade instalada.

Temos densidade numérica -- vender próximas dois milhões de unidades/ano situa-nos como ótimo e pujante mercado. Mas, destas, 70% são carros com motor 1,0-litro, inadequados às cidades, às estradas, superada invenção do governo.

O Brasil é o rei dos motores de quatro cilindros. E nosso mercado é comprimido, não admitindo a produção de automóveis grandes. O Vectra, hoje o maior dos nacionais, não será reestilizado nos moldes europeus, à espera que sua operação não seja mais economicamente viável, caso idêntico ao do Santana.



Em mercados ágeis, ativos, lançamentos substituem os antigos, reativando vendas. Aqui, o lançamento convive com o antigo. Começou com a GM através do Vectra/Monza, em repetição com o Corsa, a ser produzido mesmo após o lançamento do novo modelo, em maio próximo. Outras marcas repetem a postura.

O Escort Hobby conviveu com o novo (1993) e o atual coabita com o Focus, seu sucessor; o novo Fiesta baiano conviverá com o antigo -- o Street. O Gol dividirá mercado com o Polo, que o substituirá, assim como a primeira geração persistiu junto à segunda, em meados dos anos 90. A Fiat tem hoje o Mille; seu sucessor, o Palio; e o sucessor do sucessor, o Palio reestilizado.

É a cara de um mercado importante como volume, mas evidentemente pobre, onde somente um a cada 100 habitantes compra carro novo a cada ano. Continua

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