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Enfim, acabou

Cinco meses depois de suspender a montagem do
Dakota, a Chrysler anuncia o fechamento da unidade

por Roberto Nasser - Fotos: Roberto Nasser (Scénic) e divulgação

Roberto NasserNem Neon, nem Mitsubishi, nem mudança para Catalão, GO, ou a transferência da linha de picapes Mitsubishi L200 para a ociosa fábrica de Campo Largo, PR, onde montou picapes Dodge Dakota até meados de abril. A Chrysler antecipou-se ao prazo acertado com o governo do Paraná, encerrando o suspense sobre seus planos industriais no Brasil e avisando ter desistido das atividades industriais no mercado nacional.

Indenizará governo da cidade e do estado pelos incentivos recebidos, e venderá as modestas instalações industriais onde realizava simplória atividade manufatureira, passando a operar a marca apenas como importadora e distribuidora de produtos estrangeiros.

Mercado   De agora em diante fará a importação de automóveis, como o Sebring, que apresentará em outubro, e a linha Cherokee, com a nova versão que substitui a linha Sport, aguardada no país. Curiosamente não há estudos nem caminhos abertos para a importação dos picapes Dakota, que foram produzidos no Paraná e cujo estoque recentemente se encerrou.

Todo processo interrompido traz resultados em negativa cascata. Para os concessionários, frustrado fim de investimentos e ações. Para os usuários, além da queda de valor de revenda dos veículos, a dificuldade conseqüente para manutenção dos produtos, que é a redução da rede de concessionários, projetada como no máximo uma dezena. A assistência técnica, estuda-se na DaimlerChrysler, poderá ser feita através de algumas concessionárias Classe A. Em Belo Horizonte, já opera a primeira desta sinergia.

Para a marca, enorme desgaste de imagem.

Negócio   A montadora fizera acordo industrial com o governo do Paraná, incentivado através de ICMS e facilidades locais. Com a desistência ao projeto, terá que devolver aos paranaenses quantia imaginada em torno de R$ 100 milhões. A desistência operacional foi uma das causas do fechamento de outra empresa do setor, a Detroit Diesel, que produziu motores de ciclo diesel para equipar reduzidas unidades do picape Dakota e do utilitário-esporte Grand Cherokee Laredo.
E coloca em alerta a Dana, fábrica de autopeças que praticamente fazia o Dakota, entregando-o como chassis rolante, ao qual eram presos o motor e a lataria.

Método   O fechamento da Chrysler induz a uma outra discussão: a do modelo industrial. A fábrica de Campo Largo, esta Coluna escreveu à sua inauguração, era fábrica que não fabricava. Caracterizava-se por comprar o produto quase pronto, andando, para realizar um mínimo de intervenções industriais. Agora, fechada, deixa em péssima situação as empresas que agregavam peças para fazer conjuntos e conjuntos para formar os veículos. É para rediscutir a metodologia industrial. 

História   Industrialmente é a terceira vez que a Chrysler sai do país. A primeira foi em 1957, quando possuía ativa operação quase industrial para a montagem de veículos das linhas Dodge, Chrysler e Fargo. Com o governo JK incentivando a industrialização, a Brasmotor, seu representante local, tentou provocá-la a entrar no esforço industrial, mas a Chrysler sugeriu o contrário: que representante investisse no global e a Chrysler a compensaria no futuro.

A representante entendeu o futuro: encerrou a montagem de veículos e foi produzir eletrodomésticos da linha branca, os Brastemp.

A Chrysler ainda correu atrás, propondo à Willys, que se instalava como pioneira e era líder de mercado, fazer uma sociedade paralela, a Chrysler-Willys, que montaria o Plymouth Savoy 1956, um carro econômico aos padrões norte-americanos de 1957, e que havia sido substituído no mercado de origem. O projeto foi aprovado pelo GEIA, Grupo Executivo da indústria Automobilística, mas as empresas não o implementaram.

Voltou em 1967. Era controladora da Simca francesa, e conseqüentemente detinha 50% das ações da filial brasileira. Assumiu, melhorou os produtos, o processo produtivo, a qualidade. Evoluiu os carros que encontrou, o Esplanada e o Regente (foto), mas ao final de 1969 liquidou-os desonrosamente, substituindo-os pela família Dodge Dart e pela linha de comerciais. Ficou até o final da década de 70, quando transferiu a empresa para a Volkswagen.

Voltou em 1997 anunciando investimentos de US$ 300 milhões. Cometeu erros de marketing e industriais, colecionando prejuízos. Com a fusão -- ou aquisição ou controle, eufemismo que é base para sólida discussão jurídica nos EUA -- a operação Mercosul entrou na lista dos maus resultados. Cobrado, o presidente mundial da DaimlerChrysler mandou fechar todas as unidades que operavam em vermelho, o que englobava as pequenas plantas argentina e paranaense, alijando a marca do Mercosul.

A esperança de crescimento da marca no Brasil está na razão direta de acordos comerciais com os EUA e a Comunidade Econômica Européia. Continua

De Renault Scénic, em drive

A Renault inicia vender seu monovolume Scénic com transmissão automática. O sistema leva o nome de Proactive -- embora não seja identificado -- e se constitui em um conjunto desenvolvido em comum com a concorrente e patrícia PSA, da Peugeot e da Citroën, o que permite a óbvia conclusão que o Picasso, mais recente presença neste segmento, se utilize da mesma transmissão.

A Renault acredita que até o final do ano 1.500 pessoas comprem esta versão. Projeta uma demanda de 500 unidades/mês. Mudou o perfil de aplicação: anteriormente previsto para as versões de maior relevo e preço, a empresa criou um degrau intermediário. Assim, a versão RT, com motor 2,0 de 16 válvulas e 138 cv de potência, pode trazê-la como opção -- além, naturalmente, da RXE, de maior preço. A exigência básica é que a unidade de tração seja o motor de maior cilindrada. Custos? A combinação da nova transmissão, que é importada, com computador de bordo, incrementa cada uma destas versões em aproximados R$ 3.000.

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