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O salto do leão

Peugeot traz ao Brasil o 607, que pretende
concorrer com Mercedes, BMW e Jaguar

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserA Peugeot está comercializando no Brasil seu modelo topo de linha, o 607. Quem acompanha a marca sabe o que significa. É o automóvel do sexto degrau industrial, o mais elevado da escada dos automóveis. E é a sétima geração desta posição mercadológica.

É grande, imponente, de linhas fluidas. Uma das cores oferecidas, um azul nuvem metálico, dito Azul Samarkand, ressalta suas dimensões e faz surpreender a felicidade do talho. É um produto harmônico. Do conjunto óptico frontal, baseado na assinatura comum de todos os automóveis Peugeot desta geração, à graciosidade da tomada de ar na grade, onde porta o novo emblema familiar, estilizado leão cromado, que ocupa tanto destaque no modelo de circulação mais intensa da marca, o 206.

Atrás, alguns planos suaves se combinam para fazer o painel traseiro, em harmonia com as grandes lanternas inspiradas nas formas ovóides dos faróis. Você olha, gosta, sorri ao identificar o autor do desenho, e vai procurar a plaquinha que deve anunciar tratar-se da tradicional fornecedora da Peugeot, a Pininfarina. E surpreso descobre que estas equilibradas formas, que em tudo se parecem com o até então inequívoco design italiano, são de projeto francês.

O interior se harmoniza ao conjunto. Couro, imitação bem feita e madeira, painel completo, comandos no volante, confortos e itens de segurança. Um bom habitáculo, você se sente bem. 

A marca francesa, que limpou sua linha de produtos, sintetizando-a no 206 com motores 1,0 e 1,6, no 307 (que lançará ao importá-lo em setembro) e no 406, tem na imponência do 607 seu ponto máximo. Perto dele somente o cupê 406, da lavra do citado Pininfarina e portando a mesma ossatura mecânica, liderada por um motor V6 de 24 válvulas, 3,0 litros de cilindrada, produzindo aparentemente poucos 210 cv -- possivelmente a menor potência dentre os atuais motores 3,0.

A Peugeot intenta colocar apenas 200 unidades deste 607 neste ano, o que significa não disponibilizar muitas a público, depois de oferecê-las ao corpo diplomático francês e as executivos das muitas empresas da França aqui instaladas. O preço do 607 faz parte das atrações: R$ 130 mil.

Lobo assumido

O novo picape Mitsubishi L200, chamado Evolution, deixa dúvidas pelo insólito da formulação, mas é explicito quanto às pretensões: é um carro-esporte com motor diesel forte e porta-malas grande. As linhas de aparência agressiva; o uso de material leve, o composite; o capô, pára-lamas e pára-choque frontal formando uma só peça, basculando para a frente; as duas portas com largas molduras, para dar estrutura ao material de pouco peso, finalizam a impressão e não comprometem o peso: toda a casca que veste a mecânica pesa apenas 50 quilos.

Com ele a Mitsubishi participa do Rally dos Sertões e faz efeito demonstração de competência tecnológica e atrevimento industrial. O novo L200 Evolution não passa desapercebido, mesmo a quem aparentemente é distante do assunto. 

L200 Evolution: chassi tubular, motor turbodiesel de 168 cv e materiais nobres para reduzir o peso

Criação nacional, não é exemplar do conhecido L200 com carroceria mais leve e aerodinâmica e duas portas. A ossatura mecânica pende para carro de corridas. O chassi é integralmente tubular, solução para carros de corrida, e nele vão presos dois subchassis, com eixos e suspensões, independente nas quatro rodas, com oito amortecedores. Os freios a disco em todas as rodas, com auxílio eletrônico de sistema antitravamento (ABS) gerenciado pelo EBD, que faz distribuição eletrônica de pressões, e HBB, motor elétrico que substitui o servo-freio.

O motor diesel desloca 3.200 cm3, tem quatro cilindros, 16 válvulas e produz 168 cv de potência, sem parentesco com a unidade de força dos L200 feitos pela empresa em Catalão. A transmissão é manual, com tração nas quatro rodas e reduzida.

Se você quer, pode, e é do ramo, não se iluda. Esta é competente exibição de tecnologia, mesclando o chassi tubular com os subchassis, empregando materiais exóticos, como fibra de carbono, kevlar, divinycel, molibdênio. E é made in Brasil. É muito superior à versão L200R, construída seriadamente para ralis pela MMC. Oferece acabamento espartano, como um jipe, permitindo uso na rua, quase normal.

Preço? Adivinhe o resultado final da mistura exclusividade com tecnologia... R$ 129 mil, com vendas diretas com o fabricante.

A Toyota, agora rápida

O início de comercialização da nova linha de picapes Toyota Hilux, no próximo dia 18 -- poucas mudanças, muitas versões --, mais realça como ação que pelos veículos. É outra ação no projeto de ocupar, finalmente, posição competitiva no mercado brasileiro. Alteração no projeto contido, que em quatro décadas apenas preencheu pequeno e específico nicho, dos trabalhos com a família Bandeirante.

Este processo iniciou-se em 1983 com o então presidente, Shinji Tomie, defensor de uma posição ativa para a Toyota, a de difundir produtos para a América do Sul e África. Apesar de lógico, a instabilidade econômica nunca incitou a matriz a investir no Cone Sul. Tomie adiantou-se ao processo e comprou 1,5 milhão de metros quadrados, vizinhos do Campo de Provas da GM, em Indaiatuba, SP. Na matriz o negócio foi deglutido, virou um fato, e provocou reestudos.

A proibição do abastecimento de veículos diesel, pelo então Departamento Nacional de Petróleo, deteve o projeto de produção do Hilux no Brasil, mudando planos e fábrica para a Argentina. Aqui ficou a industrialização de peças locais e estamparia de latas para a fábrica nas beiradas de Buenos Aires, e para os EUA. Deflagrou-se um projeto industrial.

Bateu recorde no erigir a fábrica de Indaiatuba, SP, para produzir Corollas, de exportações logo iniciadas para a Argentina, no intercâmbio pelos Hilux. Há meses a matriz destinou US$ 300 milhões para investimentos no Brasil, transferindo para cá Hiroyuki Okabe, ex superintendente comercial e vivência junto aos mercados americanos. O projeto, amplo, corajoso. Decidiu pelo encerrar da produção do Bandeirante, dedicando sua área à fabricação de peças.

Desdobramento de maior relevo foi definir o Brasil como polo fornecedor de veículos para o Mercosul, Caribe e México. Daí dobrar a área fabril para 50 mil metros quadrados; ampliar a produção em 350%, das atuais 16 mil unidades/ano para 45 mil veículos, para mercado interno e externo, e mais 12 mil em peças, CKD, para exportação. Com as ampliações, existirá capacidade física para um segundo produto em Indaiatuba.

Quanto à área industrial de São Bernardo, fica destinada apenas à produção de peças. Com uma fábrica quase completa, em disponibilidade, pode abrigar rapidamente a produção de um novo produto: seria o Daihatsu Terios (foto), pequeno jipe desta associada da Toyota. E vista sua vocação industrial para produtos de manufatura mais áspera, pode-se anotar com chances a produção do SW4, o utilitário-esporte feito sobre o picape Hilux.

Quanto ao automóvel que se especula como companheiro de teto do Corolla na fábrica de Indaiatuba, SP, sinaliza-se ser o fruto da sociedade entre Toyota e Peugeot para fazer um subcompacto na Europa. Para ele o sócio japonês fornecerá o conjunto mecânico, e o francês, o estilo. O Yaris, prometido, assuntado, passou.

A Toyota trocou a marcha lenta pelo andar rápido para o futuro.

Roda-a-roda
Novo Citroën - O sedã que substituirá o Xantia, o C5 -- a Citroën encerrou a série de denominações iniciada com impronunciáveis nomes com X, e passou-se para o designativo com sua inicial --, é um sedã de quatro portas, desenho que parece um Xsara grande, mas com um pé no futuro. E motorização equilibrada entre um quatro-cilindros dois-litros e um seis-cilindros em V, 2,5 litros. O C5 chega ao país em setembro. 

Mais potente -
O Brasil, recordista mundial da produção de motores 1,0, colhe conseqüências tecnologicamente positivas, como a engenharia de conseguir potência maior que os poucos motores de 1.000 cm3 produzidos mundo afora. A Volkswagen quer levantar a bandeira da liderança na produção de cavalos por estes pequenos engenhos. Preparou e mostrará em agosto as implementações que realizou no seu 1.000 com duplo comando e 16 válvulas. Mudanças periféricas e na central eletrônica permitiram ampliar a potência de 70 para 76 cv. Com as alterações na central eletrônica, Gol e Parati 16V oferecerão possibilidades de confortos eletrônicos usualmente disponíveis apenas em veículos de maior preço e cilindrada.

Pelo ar - A Renault aderiu a sério às vendas pela Internet: fez acordo com o portal Yahoo! e desenvolveu um veículo especial para este tipo de comércio eletrônico. O Clio Yahoo! segue o caminho do Fiesta Street, criado pela Ford especialmente para este tipo de comercialização. No caso, é mais simples que a versão RL, identificando-se por adesivos na tampa do porta-malas e na lateral direita. Com relação a custos, chega às mãos do cliente por R$ 16.990, enquanto o RL custa R$ 17.190 e mais frete. A Renault espera vender 4.200 unidades do Yahoo! até o final do ano e preparou pacote de brindes aos compradores: um mouse, um mouse-pad e um jogo de tapetes.

Nó - Em setembro o sr. Kin Jung, presidente da Coréia do Sul, visitará oficialmente o Brasil, retribuindo viagem do presidente Fernando Henrique. É de se crer que um dos pontos da pauta de negócios comerciais interpaíses seja a

questão da fábrica que a Hyundai quer montar na Bahia. A questão esbarra na dívida pendente da Asia Motors, cerca de US$ 200 milhões. A Hyundai, que assumiu a dupla Kia/Asia e encerrou com esta, fez proposta que eriçou brios no Ministério do Desenvolvimento: se o governo perdoar a dívida, a empresa fará a fábrica no valor de US$ 150 milhões, entrando com parte dos recursos e candidatando-se a empréstimos oficiais. Sem comentários.

Nossa parte - Automóvel atrativo e com a responsabilidade de suceder a um mito, o novo Mini (saiba mais) é lançado neste mês no mercado europeu. Novidades, os esforços para fazer um novo carro lembrando o antigo e o emprego de um motor brasileiro, o 1,6 de 16 válvulas, produto da Tritec, união entre a BMW e a DaimlerChrysler no Paraná. Único fornecedor, a Dana, compareceu com bombas d'água e de óleo, anéis de pistão, todas as juntas e a tampa de válvulas -- que segue a lamentável mania atual de ser em plástico preto, melhor demonstração que os fabricantes de motores perderam o orgulho do que fazem.

Segurança - A blindagem chegou ao pequeno Ford Ka. Em sua mais recente versão, a Black -- preta, com interior em couro --, está sendo oferecida a opção de blindagem, feita pela Inbra em acordo operacional com a Ford. O automóvel leva 110 kg de material blindante, a um custo entre R$ 35 mil e 40 mil.

Regulamentação - Está mais que na hora de os órgãos oficiais, Exército à frente, regulamentar tipos de blindagem, aplicações, exigências e resistências, e principalmente fichário de quem é quem na blindagem e propriedade dos veículos. Sem controle, é extremamente fácil aos bandidos terem blindados para enfrentar as simplórias viaturas policiais.

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