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Do saco à embira, e da
embira, um pedaço

Fiat comemora 25 anos e lança o novo Strada,
pois o utilitário Doblò não ficou pronto

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserEste ditado mineiro se adapta à mineiridade da Fiat, que pretendia combinar lançamento de novo produto com a agenda institucional da comemoração dos seus 25 anos de atuação no Brasil. Projetava lançar novidade no domingo 8 de julho, nas comemorações do quatro de século com um jantar para 1.000 pessoas em Betim, MG.

Não funcionou. A vontade de apresentar o Doblò, um utilitário de aplicação mista (abaixo), não viabilizou o desenvolvimento de fornecedores, testes, avaliações e adequações, fluindo em paralelo à montagem da festa. Assim, quando o diretor Antônio Abujamra relembrava, em tom tonitroante, a história da Fiat e um balanço destes 25 anos inovadores, indicava os veículos desta evolução, o pioneiro 147, pequenos comerciais, o Uno, o Tempra 16 válvulas, assinaladores de etapas distintas.

Foi o pedaço da embira. No ditado do interior mineiro, traduzia a nova cara dos picapes Strada. Na seqüência a atriz Gabriela Duarte identificava as ações jovens da Fiat, e fechando o evento para receber amigos, fornecedores e autoridades mineiras como o governador Itamar Franco, a banda do cantor Lulu Santos, a ser identificada tão-somente pelo barulho da banda de Lulu Santos.

Novo Strada

É uma ponte entre o pioneirismo em seu passado e a liderança atual, quinta versão do pequeno utilitário introduzido pioneiramente pela Fiat no mercado nacional, nos anos finais dos 70. Desenvolvido, com novidades comerciais, como o pequeno modelo de cabine estendida apresentado há dois anos, conquistou liderança de mercado.

O novo produto tem curiosidades: junta a nova cabine, com a frente do novo Palio, com a antiga caçamba. E tem a versão Adventure, baseada em igual trabalho feito sobre a Palio Weekend, com estribos, quebra-mato, pneus de uso misto e faróis adicionais. Com melhor mobilidade em pisos ruins, amplia sua capacidade de uso. Não porta o sistema com tração nas quatro rodas do Fiat Panda, de fácil adaptação e ventilado como opção, mas descartado.

A Fiat e seus 25 anos de estrada

Não sei o que fará a Fiat Automóveis nos próximos 25 anos. Mas, provocando a memória de testemunha ocular, não hesito em constatar que a Fiat é um caso dentro da indústria automobilística. Para implantar-se, ao contrário das outras que vieram, foram atraídas, ou tomaram controle acionário das que estavam aqui, contestou as pressões das marcas instaladas, com um bom projeto de lobby costurado com o governo de Minas. Deu um chega-prá-lá num então quase-todo-poderoso, ex-quase-futuro-ministro, porta-voz da indústria e dito onipresente articulador.

Inovou em métodos e produtos. E apanhou com a rede de revendedores e ao constatar a solidez da barreira da falta de atualização técnica dos mecânicos. Como era difícil tratar com as novidades, fora das oficinas autorizadas, era mais fácil criticar. Melhor falar mal do produto do que se atualizar tecnicamente.

Mas implantou corajoso processo em inovações: versões de decoração; as modificações na célula básica para criar variáveis, como o primeiro picape pequeno; a Panorama; o Oggi; o primeiro a álcool; o primeiro moto-gerador a biogás. Criou uma linha para exportações e nelas apóia boa parte de seu projeto.

Queria ser apenas a quarta das quatro fábricas.Trabalhou no prejuízo, deixou o sócio. Trocou o 147 pelo despretencioso Uno, em seu bem achado desenho de Giugiaro. Repetiu a criação de versões, incluindo o pioneiro motor turbo a gasolina de fábrica. Aplicou-se à melhoria de qualidade interna, e há uma década resolveu crescer, com o Tempra, mudando o conceito de só saber fazer carro pequeno -- o novo médio era o mais atualizado em linhas e conceitos.

Melhorou a rede, fez outra fábrica dentre os espaços industriais em Betim, MG. Inovou com o Tempra 16 válvulas, quebra de um paradigma de atualização tecnológica. E deu-lhe um turbo comprovador que sedã também pode portar este equipamento. Implantou bem sucedido processo de mineirização de fornecedores. Inventou o carro 1.000 e com ele, exclusivo, abriu enorme liderança de vendas. Criou fórmula até hoje não entendida de como importar o Tipo a preço tão competitivo. Os lucros locais bancaram a construção da fábrica na Argentina.

Tem um lugar institucional importante: é base de desenvolvimento para veículos de terceiro mundo, como o Palio, do qual lidera a produção e exportação. Propôs ao governo projeto de Renovação de Frota. Tão bom que até hoje ninguém conseguiu melhorar a proposta. Há dois anos disputa a liderança de mercado, resultado da sintonia entre produtos e compradores, com o primeiro e o terceiro carros mais vendidos. É líder dentre os picapes pequenos e quer levar o reformulado Marea à posição de vendas que merece. Atualizou a motorização.

Tem muito a conquistar e isto passa por uma boa pista de testes; pela ampliação da engenharia e do design nacionais, pela coragem de assumir a vocação natural de líder em produtos a mercados ásperos, e pelo peitar novos segmentos de mercado. E que tenha um museu para contar esta bem sucedida história, seus produtos peculiares. Isto virá. O mais difícil foi chegar aqui, tão bem.

Carro fácil muda a grade

De cima para baixo: Fiat Ducato, Peugeot Boxer e Citroën Jumper

A Peugeot iniciará fazer seu utilitário Boxer em Minas Gerais. Outra francesa, a Citroën, também fará o seu Jumper, exatamente no complexo industrial automobilístico de Sete Lagoas, 70 km ao norte de Belo Horizonte, MG.

Para explicar, nem está ocorrendo uma irrefreável migração para Minas, nem Sete Lagoas -- que tem o nome, mas apenas seis destes espelhos d'água -- se tornará palco da maior disputa localizada entre fabricantes de utilitários pesados e microônibus. 

A Fiat construiu uma unidade da Iveco, produzindo o Ducato. Mas não há exclusividade, pois o produto é comum, desenvolvido juntamente com os franceses, para reduzir custos. Os carros são idênticos em aplicativos e características. O que significa apenas a troca da grade e a logomarca para assumir a marca de Peugeot ou de Citroën. Ambos chegarão ao mercado em setembro, e o preço deve ser assemelhado aos hoje praticados, uns R$ 55 mil.

Roda-a-roda
Baterias - A Bosch fez acordo negocial com a Varta, fábrica igualmente alemã de baterias, e começaram a produzir estes componentes em três linhas de características e preços. São a Silver Plus, a Silver e a High Power. A saber, de maior qualidade e garantia de 18 meses; média, com 12 meses de garantia; menor preço. Automático - A Renault já começou a faturar aos seus concessionários unidades da Scénic com transmissão automática.

Destinam-se a um corpo-a-corpo com o mercado, oferecimento para test-drives. Em setembro, venda normal. Será o pico do refinamento para os monovolumes.

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