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Decepcionado com a qualidade construtiva e certas economias do novo Palio, Alberto Trivellato foi enfático: "Não compraria de jeito nenhum"

Pontos de ferrugem e folgas irregulares entre as peças de carroceria

Colocar a tampa da caixa de fusíveis é difícil e sua posição permite a entrada de água; saída do escapamento danifica o para-choque traseiro

 
Último período
3 dias 469 km
Distância em cidade 205 km
Distância em estrada 264 km
Consumo médio (gasolina) 13,4 km/l
Consumo médio (álcool) 11,2 km/l
 
Desde o início
27 dias 5.763 km
Distância em cidade 1.184 km
Distância em estrada 4.579 km
Tempo ao volante* 103h 33min
Velocidade média* 56 km/h
Consumo médio (gasolina) 14,7 km/l
   Melhor marca média 16,9 km/l
   Pior marca média 11,7 km/l
Consumo médio (álcool) 9,6 km/l
   Melhor marca média 11,2 km/l
   Pior marca média 5,5 km/l
*Indicações do computador de bordo
 
Ficha técnica
 
Teste do Leitor

Atualização de 12/5/12

Fã da linha Palio — teve duas Weekends Adventure para uso da família —, Alberto Trivellato, da oficina Suspentécnica, recebeu o Palio Attractive com curiosidade. Sua opção pela perua do modelo anterior se dava por uma série de fatores: robustez, relação custo-benefício e competência dinâmica que, segundo o profissional, eram fruto de um projeto aprimorado com os anos de mercado. E do novo Palio Alberto esperava uma evolução efetiva.

O primeiro comentário do colaborador, ainda com o carro parado, mirou o que ele definiu como "bagunça de plásticos", as inúmeras texturas e cores dos acabamentos. Enquanto ajustava a posição de dirigir, criticou não apenas o visual interno, como também a falta de requinte dos materiais dos revestimentos e dos plásticos, muitos dos quais ásperos. E ao buscar a regulagem para o encosto, não se conformou com a posição da alavanca, que exige um movimento antinatural do braço, amplificado pela existência do apoio de braço no modelo avaliado. Apesar de elogiar a possibilidade de alterar a altura do assento e do volante, Alberto "não se achou" e disse haver algo errado no banco, com o encosto deixando as costas muito soltas do meio para cima e com o restante afundado demais.

Saindo da oficina, ele elogia a suavidade do motor — "lisinho", apesar de sua relação r/l inadequada —, mas acrescenta que o câmbio não parece ter engates tão bons quanto os de suas Palios anteriores. "Em especial de quarta para quinta há um problema, que deve ser desta unidade", observa, acrescentando que "o anel de engate da marcha à ré está enroscando". Em uma avenida com pouco trânsito, ouve o roncar da caixa de câmbio, algo que segundo ele não constitui grande problema, mas tampouco é elogiável: "Esse motor é bom, tem fama de econômico e resistente. Mas o câmbio ronca um pouco, algo chato, e há vibrações no assoalho que poderiam ter sido atenuadas".

Alberto aproveita uma rua deserta em seu percurso para dar fortes golpes na direção, como se estivesse desviando de um buraco. Repete o movimento para ambos os lados e nos faz ver que o volante, quando golpeado, fica levemente desalinhado para o lado da manobra. Estranhamos, e ele explica: "O ajuste de suspensões desse carro se vale de amortecedores com alta carga e molas idem. Para compensar o desconforto dessa opção, usaram buchas e coxins de suspensão mais macios, que se acomodam para o lado exigido. O carro não ficará 'puxando' para a esquerda ou direita, mas um motorista mais atento perceberá que o volante às vezes pende para um lado, às vezes para o outro".

Forçando o Palio em algumas curvas, percorrendo vias de asfalto ruim, atravessando lombadas e valetas de forma a exigir as suspensões, o colaborador diagnostica que o acerto visou o comportamento em média e alta velocidade. "Reclamavam que o Palio era mole, e talvez agora reclamem que é duro. Em baixa velocidade há uma aspereza que não havia antes, pois não são molas ou amortecedores que trabalham, mas sim as buchas, os materiais elásticos de fixação dos braços dianteiros e do eixo de torção traseiro. Optaram por um ajuste de que não gosto: poderiam ter conseguido melhorar a estabilidade sem prejuízo de conforto". A avaliação prossegue, e a expressão no rosto do motorista revela que ele não encontrou aquilo que esperava na novidade.

Antes de elevar o carro para a análise das entranhas, abre o capô e dois de seus mais experientes funcionários se aproximam, curiosos. A um deles Alberto pede para abrir a caixa de fusíveis, espremida entre o para-lama esquerdo e a bateria. A operação para tirar tal tampa não é difícil, mas sua recolocação correta, sim — mesmo o profissional habituado a fazer isso pena para conseguir colocar a peça no lugar. A entrada da fiação, em posição descendente, é alvo de crítica: promoverá certamente a entrada de água na caixa.

Alberto propõe um teste: fechar o capô e jogar um copo d'água na fresta entre ele e o para-lama. O resultado não é animador: a tampa da caixa se mostra bem molhada na sequência e tal conjunto de fios descendentes também, e é óbvio que por ele a água pode escorrer para onde não deveria. Há, na tampa da caixa de fusíveis, um símbolo de que não é indicado jogar água ali. Melhor que colocar um aviso teria sido fazer a caixa bem vedada, algo comum na maioria dos carros.

Prosseguindo a análise exterior, ele nota o pouco cuidado com as frestas entre portas, capô, tampa do porta-malas e a estrutura monobloco, que são tremendamente irregulares. A porta traseira tem diferenças impressionantes entre a fresta superior e a fresta lateral, demonstrando uma qualidade construtiva que não é padrão da marca instalada em Betim, MG. O capô, próximo à dobradiça, parece ter sido vitimado por um mau funileiro.

No elevador, a vista inferior do Palio oferece pouco alento: pontos de ferrugem, o para-choque traseiro que — sem nenhum cuidado aerodinâmico — serve de "paraquedas" e, clamoroso, o escapamento com saída mal situada, que provoca um inadequado derretimento do plástico do para-choque. A destacar, segundo o colaborador, um anacrônico tanque de combustível de chapa, quando a tendência atual é usar reservatórios plásticos. De resto, quanto a sistemas de suspensão, nada a evidenciar a não ser uma trava da barra estabilizadora, na dianteira, que impede a movimentação lateral inadequada.

Ao fim de sua análise, o colaborador lamentava o que encontrou. Admirador da marca ítalo-mineira, entende que houve claro retrocesso do Palio anterior para esse em praticamente tudo. O projeto original — com limitações até por conta da idade, mas maduro — foi substituído por um projeto teoricamente melhor, mas muito mal realizado, seja em simples aspectos de acabamento interno, seja na qualidade dos materiais empregados, assim como na realização e na montagem final. À pergunta "compraria?", o especialista responde com um enfático "não, de jeito nenhum".

Texto e fotos: Roberto Agresti

 
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Data de publicação: 12/5/12

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