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por Fabrício Samahá


Citroën: sem molas, amortecedores... e inclinação


De que forma atua a suspensão ativa do Xantia V6 Activa em uma curva? Este seria o carro de linha mais estável disponível no Brasil? Parabéns pelo ótimo site. Além de ser completo tem um nível mais alto do que qualquer revista.

Alberto Renzo
arenzo@gbl.com.br
Rio de Janeiro, RJ



Como funciona a suspensão dos Citroëns? É verdade que ela não possui molas nem amortecedores e que impede a inclinação do carro nas curvas?

Márcio Ferreira
São Paulo, SP


O bom comportamento dinâmico dos Citroëns é reconhecido desde o Traction Avant dos anos 30 -- e hoje, boa parte dessa fama vem da suspensão Hidractive, ou hidroativa, dos modelos XM e Xantia. Baseia-se em esferas ligadas a um sistema hidráulico de alta pressão, que trabalham como molas e amortecedores reguláveis e substituem ambos os componentes.

Lançada no XM de 1989, a suspensão hidroativa deriva da hidropneumática introduzida pelo ID/DS de 1955. Nos dois sistemas há uma esfera próxima a cada roda contendo, em compartimentos separados por uma barreira elástica, nitrogênio e fluido sob alta pressão. O nitrogênio dá flexibilidade à suspensão, funcionando como mola, e o fluido atua como amortecedor. Os impactos transmitidos pelas rodas passam pelo fluido e pressionam a barreira elástica, que comprime o compartimento de gás. Este então absorve energia e devolve o impacto restante ao fluido, que se encarrega de amortecê-lo.

Suspensões ativas do Xantia (esquerda) e do XM: esferas substituem as molas

No sistema Hydractive há também as esferas junto a cada roda, mas acrescenta-se uma esfera central em cada eixo conectada às esferas das rodas. As esferas centrais (dianteira e traseira) também estão ligadas entre si. Com a adição dessas esferas e suas conexões, aumenta o volume de nitrogênio e de fluido e este pode deslocar-se de um lado ao outro do eixo -- e também de um eixo ao outro --, o que otimiza o funcionamento do conjunto. Quando maior rigidez é necessária, as esferas centrais se fecham e isolam as das rodas, reduzindo o volume de gás e de fluido em circulação.

Note-se que a suspensão oferece contínua variação de rigidez, não se limitando às posições suave e firme, como em geral ocorre com amortecedores ajustáveis. Outro trunfo da Hydractive é a rapidez de resposta: o sistema analisa a velocidade do veículo, a aceleração lateral e a atuação de freios e acelerador para, em frações de segundo, obter a programação ideal para cada tipo de piso. Chega ao ponto de diferenciar um buraco isolado de uma alteração da qualidade da estrada, evitando reprogramação desnecessária.

XMXM, primeiro a adotar a tecnologia na era moderna da Citroën


Curvas sem inclinação tornaram-se possíveis na versão aperfeiçoada da suspensão hidroativa, utilizada no Xantia Activa, com o sistema SC.CAR de controle ativo de rolagem. Seu princípio é variar a atuação da barra estabilizadora, que controla a inclinação da carroceria em curvas. Uma esfera de gás foi montada nessa barra, cujo diâmetro é de 28 mm, de modo a fazê-la trabalhar em situações normais como se medisse 23 mm.

Quando uma curva é tomada rapidamente, atuadores hidráulicos comandam o fechamento da esfera e eliminam o efeito de suavização, retomando o diâmetro efetivo de 28 mm, o que torna a barra muito mais firme. A inclinação da carroceria atinge no máximo meio grau. A sensação de conforto e estabilidade é maior, mas a aceleração lateral máxima continua -- como em qualquer veículo -- condicionada à aderência dos pneus, que sempre apresenta um limite.

O sistema torna possível até mesmo gerar rolagem negativa, como numa motocicleta, mas a Citroën acredita que o motorista comum ainda não se sentiria confiante com esse comportamento.


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