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por Ângelo Peixoto


"Chupeta": como conectar duas baterias


Quando descobri este site pensei que fosse apenas "mais um" sobre automóveis, com as tradicionais "perfumarias". Para minha surpresa, ao explorá-lo constatei a riqueza de assuntos e o elevado grau técnico na abordagem.

Ouvi dizer que um veículo com injeção eletrônica, quando está com a bateria sem carga não pode receber carga de outro veículo (a conhecida "chupeta"), sob pena de queimar o módulo da injeção por sobrecarga. Como é possível haver sobrecarga, sendo que existe um dispositivo que limita a 12V a tensão gerada pelo alternador?

Se a afirmação é verdadeira, onde se origina a sobrecarga? E no caso inverso (um carro com injeção fornecendo carga para um carro carburado), existe também esse risco?

Roberto Poli
robpoli@uol.com.br
São Paulo, SP

A tradicional "chupeta" entre veículos não é prejudicial, mesmo para veículos com injeção. Esta prática é muito comum até nos departamentos de engenharia dos fabricantes. É claro que deve ser seguidos critérios mínimos de bom senso para que não se tenha problema.

O sistema elétrico do veículo é dimensionado para trabalhar com tensão entre 12 a 15 volts e com uma corrente que pode variar entre 15 e 50 ampères, dependendo da quantidade de equipamentos ligados (faróis auxiliares, ar-condicionado, etc.). O controle que existe dentro do sistema mantém a tensão nos níveis mencionados, enviando a corrente que o sistema exigir. No caso de injeção, o módulo de controle só começa a funcionar a partir de 9 volts. Além disso, existe uma previsão para emergência, como uma sobrecarga ou um curto-circuito, que o sistema está dimensionado para suportar -- por 3 ou 4 segundos no máximo.

Portanto, o uso da chupeta como medida de emergência não prejudica os veículos com injeção. Na prática, existem relatos de sobrecarga se os dois veículos estiverem com os motores funcionando ao mesmo tempo. Teoricamente seria necessário fazer um estudo de malhas entre todos os sistemas elétricos envolvidos e, mesmo assim, por se tratar de ligações paralelas, é difícil de imaginar uma sobrecarga. Mas o uso de cabos auxiliares com o veículo "doador" desligado é aconselhável.

Este recurso é tão usado que será colocado abaixo um procedimento para o uso da "chupeta", publicado pela própria NGK -- que também produz baterias -- em um de seus folhetos técnicos.

IMPORTANTE

Certifique-se de que:
1) a bateria auxiliar esteja carregada;
2) os veículos não se toquem e as ignições estejam desligadas.

CONEXÃO

1) conecte o cabo auxiliar positivo ao terminal do polo positivo da bateria descarregada;
2) conecte a outra extremidade do mesmo cabo ao polo positivo da bateria auxiliar -- positivo com positivo;
3) conecte o cabo auxiliar negativo ao polo negativo da bateria auxiliar;
4) faça a conexão final no bloco do motor do veiculo que está com a bateria descarregada -- negativo com bloco do motor. Esta conexão deve ser feita em um ponto não muito próximo da bateria;
5) afaste-se;
6) acione a partida do veiculo com a bateria descarregada. Após o funcionamento do motor, remova os cabos na seqüência inversa à de conexão, isto é, desconecte primeiro o cabo auxiliar negativo, e depois o positivo.

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