Um sonho que ainda não acabou

Há mais de 30 anos a Vector anuncia um supercarro norte-americano
para enfrentar os melhores do mundo, um projeto cheio de turbulências

Texto: José Geraldo Fonseca - Fotos: divulgação

Formas angulosas, faróis escamoteáveis e portas "tesoura": o estilo do W2, o primeiro Vector -- nas fotos, já com a adição de elementos do W8

No interior, bancos unidos e projeção de informações no para-brisa; no motor V8 de 5,7 litros origem Chevrolet, turbos e potência de 649 cv

O sonho de muitos entusiastas de carros esporte é construir seu próprio modelo ideal de automóvel. E de preferência que seja, se não o mais veloz do mundo, um dos mais. Poucos conseguiram realizar esse sonho. Alguns, como Enzo Ferrari e Ferruccio Lamborghini, conseguiram o patamar máximo — transformá-lo em um marca conhecida e respeitada e ainda alcançar a produção em série. Outros, como os idealizadores do Argonaut — projeto norte-americano de 1959, cuja velocidade máxima informada era de mais de 350 km/h —, não saíram do estágio de protótipo.

Gerald Wiegert alcançou um meio-termo entre esses dois patamares. Seu carro, o Vector, embora tenha sido produzido e lançado no mercado, em mais de três décadas de existência não conseguiu somar mais que quatro dezenas de unidades vendidas até agora. Wiegert nasceu em Dearborn, Michigan; estudou no Center for Creative Studies de Detroit, no mesmo estado, e depois na aclamada Art Center College of Design, de Pasadena, Califórnia. Ao visitar em 1971 o salão de automóveis de Los Angeles, ficou desapontado com os veículos em exposição. Ele imaginou, junto a Lee Brown, proprietário da Brown's Auto Body Shop, em Hollywood Boulevard, Los Angeles, um carro de estilo radical.

Quando o carro fez sua estreia na mesma mostra em 1972, supostamente teria um motor Porsche ou rotativo montado em um chassi tubular, mas na verdade aquele ainda era um modelo não funcional feito de uretano. Wiegert previa que o carro pesaria cerca de 1.000 kg e que o venderia ao redor de US$ 7.500. Ele então formou a empresa Vehicle Design Force, localizada em Venice, Califórnia, para projetar e desenvolver o Vector.

Durante os anos seguintes, a empresa trabalhou em vários projetos para levantar o dinheiro suficiente para poder colocar o carro em produção. Wiegert ofereceu seus serviços de projetos para uma série de empresas, ajudando a projetar jetskis, balões, bicicletas e motorhomes Airstream, bem como prestou consultoria para um filme de James Bond, 007 Nunca Mais Outra Vez. Todo o projeto do carro levou seis anos. Wiegert pretendia que seu veículo fosse bem mais prático que os rivais, em especial os italianos, e que apresentasse mais fácil manutenção e reparo que os demais do mercado que disputaria. Assim, o projeto englobaria soluções que levariam a um tempo muito menor para serviços de manutenção.

Ainda em 1976, um estudo de forma evoluído apareceu no Salão de Los Angeles. O projeto começou a aparecer nas páginas de revistas especializadas. Os artigos anunciavam a escolha de um motor Chevrolet V8 com dois turbocompressores e uma versão mais simples de aspiração natural. O preço indicado já era muito maior: US$ 50.000 dólares. No entanto, a produção em quantidade ainda dependia de um maior capital. Por esse motivo, o empresário planejava a construção ainda semiartesanal de apenas 75 carros em três anos, a partir de 1981, para obter os recursos necessários para a produção em volume.

Com o projeto pronto, Wiegert fundou outra empresa, a Vector Aeromotive, em 1978. O nome se devia à tecnologia aeroespacial que seria empregada no carro. Por aí já se via que o automóvel seria bem diferente da proposta em sua aparição inicial, sobretudo quanto ao mercado almejado, que agora seria o dos veículos caros e sofisticados. Quando o protótipo ficou pronto, foi elogiado por ter praticamente toda a sofisticação disponível à época. Ele recebeu o nome de Vector W2 — W de Wiegert e o 2 referindo-se ao número de turbos. O preço estimado já havia subido para US$ 125.000!

O W2 ganhou enorme publicidade gratuita pelo fato de ter sido reportagem de capa de inúmeras revistas pelo mundo. A potência anunciada era de 649 cv, espantosa em uma época em que os Ferraris e Lamborghinis mais sofisticados — o 512 BB e o Countach LP 400 S, na ordem — tinham respectivos 360 e 375 cv. Para alcançar tanta potência, foi empregado um motor V8 de 5,7 litros derivado da unidade Chevrolet, feito pela Donovan Engineering, de Torrance, Califórnia e instalado em posição central-traseira e transversal. Continua

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Data de publicação: 14/8/10

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