Em busca da trilha perfeita

De início voltado ao público jovem, o Pathfinder cresceu e ganhou
requinte para competir entre utilitários esporte mais maduros

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

O Pathfinder inicial, com três portas, motores de 2,4 e 3,0 litros e opção de tração integral, conquistou seu espaço entre o público mais jovem

O anúncio destacava robustez, desempenho e estilo, este preservado na carroceria de cinco portas pelas maçanetas traseiras pouco visíveis

A japonesa Nissan está entre as marcas pioneiras, em âmbito mundial, a produzir picapes compactos: foi em 1955 que lançou o modelo inicial da marca Datsun, exportado com êxito a regiões variadas como os Estados Unidos, a Austrália e países da Europa e do Oriente Médio. Por outro lado, a empresa demorou a ingressar no mercado de utilitários esporte, tipo de veículo cuja criação é atribuída em parte à Jeep, com os modelos Wagoneer e Cherokee, e em parte à Land Rover com o Range Rover.

É verdade que a linha Datsun 220 já contava, na década de 1960, com um furgão em forma de perua, mas sua proposta básica era de transportar carga e não passageiros. Ainda levaria muito tempo para que, já com a marca Nissan aplicada aos produtos de exportação, a empresa desenvolvesse um verdadeiro utilitário esporte — robusto, mas com estilo, conforto e conveniência adequados ao que os consumidores, sobretudo os norte-americanos, desejavam desses "jipes urbanos". Seu nome: Pathfinder, traduzível como aquele que encontra o caminho.

Lançado em maio de 1986, o Pathfinder seguia a concepção tradicional de carroceria sobre chassi, usada pela maior parte dos concorrentes, como os japoneses Toyota 4Runner, Isuzu Trooper e Mitsubishi Pajero (Montero em mercados como os EUA) e o norte-americano Chevrolet S-10 Blazer, ainda em geração anterior à que seria feita no Brasil (o Ford Explorer, também com chassi, chegaria ao mercado só em 1990). Outro adversário, o Cherokee, preferia a estrutura monobloco. A opção pelo chassi separado permitiu à Nissan aproveitar muitos componentes de seu picape médio, chamado de Hardbody Truck nos EUA, com evidente redução de custos.

A primeira versão disponível tinha apenas três portas, assim como parte da concorrência, pois o foco desses utilitários estava mais no público jovem que nas famílias. Linhas retas formavam o desenho do Pathfinder, que trazia como particularidades três vãos para tomada de ar no capô, para-lamas dianteiros e traseiros abaulados e uma interessante disposição das janelas laterais traseiras: os dois vidros eram separados por uma estreita coluna inclinada, fazendo lembrar um picape que tivesse recebido uma capota rígida sobre a caçamba. O estepe vinha em montagem externa na traseira, dentro do espírito do tipo de veículo. Os acabamentos eram XE e SE, este mais luxuoso.

Da linha de produção de Kyushu, no Japão saíam Pathfinders com diferentes motorizações, das quais duas chegaram aos EUA: o motor de quatro cilindros e 2,4 litros, com potência de 106 cv, e o V6 de 3,0 litros da série VG, com injeção monoponto, 145 cv e torque máximo de 24,8 m.kgf. Havia também opções a diesel de 2,7 litros, com aspiração natural e 84 cv ou com turbocompressor e 99 cv (mais tarde com 113), mas os norte-americanos não as tiveram porque a economia desse combustível, naquele país, não costumava compensar o maior custo do propulsor e a desvantagem em desempenho.

Ao lado da caixa de câmbio manual de cinco marchas havia a automática, com três marchas no início e quatro de 1987 em diante; trações traseira e integral (temporária) estavam disponíveis. A suspensão dianteira independente usava braços sobrepostos e barras de torção; na traseira vinha um eixo rígido com molas helicoidais — preferíveis a feixes de molas semielíticas, usadas em alguns utilitários esporte, quando o objetivo é conforto e baixo ruído na rodagem — e havia opção por um controle eletrônico de amortecimento, ajustável por botão no painel entre os modos Conforto e Esporte. Os freios a disco estavam nas quatro rodas, mas apenas as traseiras contavam com sistema antitravamento (ABS).

Também para os pais   À medida que os utilitários ganharam espaço nas garagens como carros de pais e mães e não só dos filhos, a falta de uma versão de cinco portas passou a incomodar os compradores do modelo da Nissan. A fábrica então lançou em 1990 essa opção, desenhada por seu estúdio de estilo em San Diego, Califórnia, nos EUA — uma forma de atender melhor ao gosto ocidental. Sem alteração nas dimensões, o Pathfinder manteve a criatividade no estilo ao disfarçar as maçanetas traseiras, montadas nas colunas em preto fosco atrás das novas portas. Num relance a percepção era de haver apenas duas portas, pois só as maçanetas dianteiras estavam no local habitual. Continua

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Data de publicação: 28/8/10

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